Guia da Semana

Ano novo, matéria velha

Para muitos, repetir de ano parece uma realidade distante. Mas quem vacilar, pode acabar se dando mal

Foto: Sxc.hu

O final do ano letivo está chegando e nessa época, quem já fechou as notas se prepara para curtir as férias. Enquanto isso, outros estão pendurados em várias matérias e contando com a ajuda de todos os santos - e professores - para passar de ano direto. Na pior das hipóteses, quem está em situação crítica na escola pode contar com a recuperação, que sempre compromete um pedaço das esperadas férias de final de ano.

Para sair dessa encrenca, é preciso muito comprometimento e dedicação. Afinal, repetir de ano é uma daquelas coisas que provocam pensamentos do tipo "ah, nunca vai acontecer comigo", mas, quem bobear, vai sofrer consequências. Foi o que aconteceu com Bruno Félix, 20, que repetiu a 5ª série e o 2º colegial. Bruno, que hoje é estudante de Sistemas da Informação, atribui a primeira repetência a alguns problemas familiares. "Na época, meus pais estavam se separando, por isso faltou suporte da parte deles. Eu não me importava em repetir e achava que seria uma forma de retaliação", confessa.

Apesar dos problemas, a reação dos pais de Bruno não foi das piores. "Houve uma conversa firme, em que decidimos para qual escola eu iria e eles estabeleceram alguns castigos", lembra. Já a reação do colégio em que Bruno estudava passou longe de ser compreensiva. Quando foi reprovado, o estudante foi convidado a mudar de colégio. "Não aprovaram minha rematrícula", diz.

E se da primeira vez, Bruno teve os seus motivos para repetir de ano, a história da segunda reprovação foi bem diferente. "Foi displicência da minha parte. Mas eu não esperava repetir, eu achava que estava fazendo o suficiente", admite o estudante. No entanto, segundo ele, a direção do colégio também teve uma parcela de culpa. "A escola não quis me manter no 3º colegial porque tive três notas 5,9 e não houve arredondamento", explica.

Foto: Arquivo Pessoal
Bruno repetiu a 5ª série e o 2º colegial

As conseqüências da segunda repetência, no entanto, foram mais graves para Bruno. Quando tudo aconteceu, o estudante decidiu terminar o Ensino Médio em um supletivo, que seu avô se comprometeu a pagar. "Eu decidi que era melhor um supletivo para ´acabar logo´ e me prejudiquei na faculdade porque eu não tinha muita base", conta. Mas, apesar de tudo, Bruno não é só arrependimento quando o assunto é essa experiência ruim. "Foi um ano que eu zoei muito, se eu voltasse no tempo, faria tudo igual. Eu sou o que sou por esses episódios também. A pior conseqüência foi o atraso. Eu já podia estar formado", lamenta.

A história de Eduardo Siqueira, 19, é parecida com a de Bruno. Ele também repetiu dois anos, a 6ª série e o 1º colegial, e hoje está esperando o começo do próximo ano para começar a faculdade de Biomedicina. A primeira reprovação aconteceu por causa do excesso de faltas, um motivo simples e que pode ser facilmente evitado. "Foi falta de responsabilidade da minha parte", admite.

Foto: Arquivo Pessoal
Eduardo terminou o Ensino Médio com 19 anos

Já na segunda vez, o estudante diz que a culpa da repetência foi das más influências. Ele chegou a tentar reverter a situação com a recuperação, mas não foi suficiente. "Lembro que meu pai disse ´a vida é sua, o futuro é seu´ e minha mãe chorou bastante. Fiquei muito chateado por isso", conta. Para Eduardo, o arrependimento é inevitável. "Em termos profissionais, me arrependo muito. Poderia ter terminado com 17 anos", lamenta o estudante, que só se formou no Ensino Médio aos 19.

Diversão x Aprendizado
É normal que, durante a época em que se freqüenta a escola, o estudante esteja sempre dividido entre aprender e se divertir. Afinal, por mais que se diga que "escola é lugar de estudar", é lá que estão os melhores amigos. Mas, é preciso tomar cuidado para não misturar as coisas e acabar na pior.

Por exemplo, conversar em sala de aula enquanto copia matérias do quadro e falar com os amigos nos intervalos entre as aulas são coisas extremamente saudáveis. Até porque a escola não quer ter múmias como estudantes e sim, adolescentes normais. Porém, ao cabular aulas e conversar em sala de aula, inclusive durante as explicações dos professores, os alunos passam dos limites.

Essas atitudes parecem pequenas, mas podem fazer a diferença no final do ano. Afinal, quem cabula acumula faltas e quem não presta atenção nas aulas, fica com uma defasagem, às vezes irreversível, no ensino. Para conciliar aprendizado e diversão, Bruno dá uma dica simples: "Faça as tarefas e trabalhos e depois vá sair para um rolê. A responsabilidade tem que vir antes". Eduardo também segue a "filosofia de vida" de Bruno e diz que o importante é "saber a hora certa de conversar e a hora certa de prestar atenção nas explicações durante a aula".

Mas, não adianta dizer que ser um aluno, pelo menos, regular é fácil. Janaína Medeiros, 16, se considera "nerd" e assume que ir bem na escola não é tão simples assim. "Tem que prestar atenção na aula, anotar tudo o que o professor fala, fazer os trabalhos e as lições com antecedência e sempre tirar as dúvidas em sala de aula", ensina Janaína. "Cabular, nem pensar!", conclui a estudante.

Outra dica de Janaína é prestar atenção nas suas companhias na escola. "Sabe aquele ditado ´diga-me com quem andas e te direi quem tu és´? Então, é assim que funciona. Você pode até ter amigos que gostam de cabular e fazer bagunça, o importante é você fazer aquilo que acha certo", diz a estudante.

A repetência e seus motivos
Segundo o pedagogo Felippe Tribbuzzi, os motivos que levam à repetência são muitos e podem aparecer correlacionados. Confira os principais:

? Professores que não estão bem formados para uma pedagogia e uma didática mais próxima da realidade do aluno.
? Professores desatentos aos perfis diferenciados dos alunos dos dias de hoje.
? Imaturidade do aluno para cursar a próxima série.
? Problemas familiares.
? Baixa auto-estima do aluno e dificuldade de se relacionar com os amigos.
? Uso de drogas.
? Excesso de faltas.

Se o estudante estiver com algum desses problemas, os pais podem intervir e conversar com a direção da escola. Nos colégios particulares, onde a taxa de repetência é quase nula, existe um suporte aos alunos com dificuldade de aprendizagem que ajuda bastante. "O acompanhamento dos alunos com dificuldades de aprendizagem é intensificado em termos pedagógicos, compartilhado com as famílias e especialistas de todas as áreas. Faz-se de tudo para que o aluno aprenda e não seja reprovado", diz Felippe.

Já nas escolas da rede pública de ensino, a existência desses programas de apoio ao aluno é muito rara. Talvez, isso explique porque a taxa de repetência nas escolas públicas atinge o alto índice de 21% no Brasil. "Essa taxa é ainda mais significativa pelo fato de que algumas redes - como São Paulo e Minas Gerais - aderiram ao sistema de progressão continuada, em que o aluno só repete ao final de cada ciclo", explica o pedagogo.

De acordo com Felippe, os pais só devem apelar para as aulas particulares, que custam entre R$ 25,00 e R$ 60,00 por hora/aula, em situações extremamente críticas. "Só é recomendável contratar um professor particular em caso de emergência ou quando a escola não der o suporte que o aluno precisa", aconselha.



Colaborou:
Felippe Tribbuzzi
Consultor da Pedagogos.Pro.Br

Atualizado em 6 Set 2011.

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