Guia da Semana

Ditadura do coração

Mudar o visual, ouvir outro som, frequentar lugares estranhos... Até que ponto fazer tudo para agradar a pessoa amada é saudável?


Mãos suadas, coração batendo forte, frio na barriga e tremedeiras. Sintomas típicos da paixão adolescente, que beira a euforia e, na maioria das vezes, acaba em desilusão. É também nesta fase que sentimos o primeiro amor platônico, normalmente por ídolos. Até aí, tudo normal. Há até quem diga que este tipo de comportamento é saudável, auxiliando na formação do caráter e da personalidade de cada um.

Acontece que à vezes, a idolatria (típica da idade) invade os campos amorosos e a pessoa acaba se anulando. É aí que o sentimento de paixão passa a ser confundido com amor e a pessoa desejada vira referência para tudo, um espelho de como se vestir e se portar. Afinal de contas, é preciso se preocupar quando no namoro, passa a valer a regra de se fazer de tudo para conquistar ele (ou ela)?

Vai com as outras

Segundo a psicóloga Beatriz Guimarães Neto, a anulação da personalidade é ocasionada por um estado de paixão, anterior ao amor, quando o objeto de desejo aparece sem defeitos. "Isso acontece por causa do medo de perder aquela pessoa considerada perfeita, por isso muitos se anulam e passam a viver a vida do outro, apreciando de tudo que ele gosta, fazendo tudo que ele acha legal".

Mudanças de comportamento deste tipo costumam ocorrer entre os 13 e 19 anos, quando a personalidade ainda não está completamente estruturada. É nessa fase que surgem as primeiras dúvidas e inseguranças da vida adulta. "É muito fácil para um adolescente que está vivendo uma paixão abdicar de suas crenças, valores e gostos e substituí-los pelos do outro, afinal, pois esta é a etapa de questionar o que foi aprendido até agora", explica Beatriz.


Foi exatamente o que ocorreu com Mariana*, de 17 anos, que mudou completamente suas preferências musicais e estilo de se vestir, graças ao ex-namorado, com quem manteve uma relação de sete meses. "Gostava de música brasileira e ia para micaretas. Depois que comecei a namorar o Bruno*, passei a freqüentar shows de rock. Até o visual eu mudei. Troquei os meus vestidos coloridos por camisas pretas de banda", relembra a garota, que aposentou a barulheira e voltou ouvir Ivete Sangalo.

O mesmo aconteceu com Fabiana Tigre, 18 anos. No caso da estudante paulista não foi o gosto musical que mudou, mas sim a paixão pelo futebol. "Nunca gostei de assistir jogo, muito menos comentar ou ver os programas de mesa redonda de domingo. Meu lance era dança e teatro, sempre foi. Por causa dele, comecei a estudar as regras para mostrar que entendia do assunto e acabei deixando as minhas coisas de lado", diz Maria, que hoje apesar de assistir alguns jogos com o pai, não dispensa uma boa peça por nada.

Guerra dos sexos

Mas não são apenas as mulheres que caem de cabeça nas armadilhas do coração. Meninos também estão sujeitos à anulação pessoal por causa de uma paixão, embora isso seja mais comum entre as garotas, que costumam ser mais sensíveis. "O mundo ainda é muito machista. Por isso é muito mais comum encontrarmos mais meninas que assumem estar apaixonadas do que meninos", explica Beatriz.

Mas isso não impediu que Daniel*, de 19 anos, se deixasse levar pelas exigências de sua amada, em um relacionamento que só chegou ao fim por conta da distância entre os dois. "Eu era um pau mandado, não tinha vontade própria, fazia absolutamente tudo o que ela queria. Deixava todo mundo irritado na minha casa, mas eu estava muito feliz. Cheguei a fugir de casa para visitá-la. Até matei um semana de aula para fazer isso. Minha mãe surtou. Depois de alguns meses o namoro esfriou e acabamos terminando".


Histórias como as de Daniel são comuns na adolescência, independente do sexo. Estão relacionadas com a idade, marcada por sensações e experiências desconhecidas, aliadas a um sentimento característico de onipotência - quando se que acha que nada de ruim pode acontecer a si mesmo. Somados estes fatores, está armado o cenário perfeito para as loucuras de amor acontecerem.

Cuidados

Para o romance juvenil não acabar em trauma, é importante prestar atenção em certos detalhes. Doar-se demais para o companheiro pode trazer sérios problemas, se a situação começar a ficar obsessiva, como explica Beatriz. "Anular sua personalidade por uma paixão pode acontecer, mas o problema é quando este fato permanece por um tempo demasiado. Isso prejudica a aquisição de sua identidade e autonomia, resultando em uma vida adulta inseguro e dependente ".

Atualizado em 6 Set 2011.

Compartilhe

Comentários

Outras notícias recomendadas

Dia das Crianças no Rio de Janeiro 2016

Confira as opções de diversão na Cidade Maravilhosa para a data

Mais de 15 passeios em SP para curtir com crianças neste fim de semana

Opções de teatro, musicais e passeios gratuitos para ir em família e se divertir junto com os pequenos!

Beatles para crianças: 4 motivos para assistir à série Beat Bugs com seu filho

Primeira temporada da série infantil já está em cartaz na Netflix

Raposo Shopping oferece oficina gratuita para crianças que gostam de cozinhar

Atividade ensina aos pequenos receitas do programa "Tem Criança na Cozinha", do canal Gloob

4 motivos para levar as crianças para assistir ao espetáculo "Galinha Pintadinha em ovo de novo"

Peça fica em cartaz até dia 28 de agosto, no Teatro Net

Rede de cinemas oferece ingressos gratuitos para pais acompanhados dos filhos

Pais que forem ao cinema com os filhos no Dia dos Pais não pagam o ingresso nos cinemas Playarte