Guia da Semana

Mudança sem crise

Conheça os principais obstáculos que a transferência de escola pode causar na vida da criança e aprenda dez dicas para ajudá-la a superar essa fase sem traumas

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É fundamental que os pais acompanhem os pequenos até a escola, pois isso os deixam mais seguros

O início do ano letivo é um período de ansiedades vida dos pequenos. É uma nova fase escolar, com disciplinas inéditas, outras responsabilidades e professores diferentes. No entanto, essa transição fica um pouco mais complicada quando essas modificações acontecem em uma nova escola. Há ainda necessidade de adaptação à metodologia, regras, rotina e amigos desconhecidos.

Esse território inédito pode tornar-se assustador para algumas crianças, caso ela não tenha passado por uma preparação prévia dos pais e, mais ainda, se a receptividade no colégio não for das mais calorosas. "A expectativa do novo é sempre ameaçadora, pois não se sabe o que vai encontrar e como vão ser as coisas", comenta a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABPp -, Quézia Bombonatto.

A mestre em educação e diretora executiva do Colégio Santa Catarina, Graça Tessarioli, indica que os pais façam o exercício de se colocar no lugar da criança e pensar como é difícil para eles mesmos a adaptação ao que é diferente, como um novo emprego. "Às vezes na mesma função, a outra empresa vai exigir que se molde as novas regras, rotina e metodologia. Se é difícil para um adulto, imagine para uma criança", completa.

Quanto mais novo mais difícil

Nas primeiras fases da infância, a família é um dos ambientes norteadores da criança, no qual costuma se sentir querida e protegida. Dessa maneira, a separação de seus entes acaba sendo o fator mais estressante da adaptação à escola, segundo a psicopedagoga Maria Irene Maluf. "A socialização é um dos objetivos da escola que, por vezes, representa um obstáculo a ser vencido, especialmente por crianças muito imaturas ou que possuem pouco convívio social anterior ao ingresso na vida escolar", explica.

Por isso que a maioria das escolas de ensino infantil oferece a possibilidade dos pais ou algum familiar acompanhar o filho nas primeiras séries do Ensino Fundamental, pelo tempo médio de um mês ou até menos, se o aluno já tiver criado vínculo e estiver seguro no colégio. Até mesmo os mais crescidinhos possuem receio de mudar de escola, pois significa o recomeço do seu processo de adequação social, acrescidos pelas questões metodológicas e pedagógicas que podem ser diferentes das utilizadas em sua educação até então.

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A manha das crianças é um sintoma normal de resistência à adaptação a nova escola, mas que passa em cerca de um mês

De acordo com Graça, os pais não devem escolher uma nova escola para o filho com uma metodologia diferenciada da anterior, principalmente no início da alfabetização, pois isso pode levar até a problemas de compreensão do conteúdo. Ela explica ainda que é preferível se a mudança levar em conta que todo aluno passa por três ciclos de educação, que é Infantil, Fundamental - divido em duas partes: do primeiro ao quinto ano e do sexto ao nono - e Médio. "Trocar o filho de escola na mudança de ciclo é mais fácil para a adaptação do aluno", reforça.

Principais problemas dos pequenos

Quézia elucida que os pais costumam ser os primeiros a observar qualquer modificação no comportamento da criança. Se ela estiver mais triste, não quiser frequentar a escola, reclamar demais de dores de cabeça ou de barriga antes do horário escolar, os pais precisam ficar atentos. "Nesse momento, o pai e a mãe do aluno deve procurar a escola e pedir uma orientação da coordenadora para como proceder no caso", indica.

No entanto, há vezes em que os problemas estendem-se por muito tempo e as crianças solicitam aos pais o retorno às escolas antigas. Algumas escolas adotam a postura de convidar o aluno a não voltar ao colégio, pois a tentativa de adaptação já aconteceu anteriormente e não foi positiva, visto que os pais solicitaram a mudança do filho. De acordo com as três psicopedagogas, voltar para a escola antiga é uma decisão que deve ser tomada somente em último caso, depois de inúmeras análises e tentativas de adequação.

"Caso a transferência não aconteça por motivos financeiros ou de proximidade com o novo logradouro, os pais só podem transferir os pequenos se suas expectativas naquela escola não foram atendidas. Não mude pela manha do filho, pois isso vai passar, se ele for bem estimulado pelos pais e pela escola", comenta Graça Tessarioli.

Dicas para facilitar a adaptação

Os pais possuem uma grande parcela de responsabilidade no sucesso da vida escolar dos filhos, principalmente no início, em que a adoção de uma postura correta e incentivadora é decisiva. Confira abaixo uma síntese das principais dicas que as três especialistas sugeriram aos pais para favorecer a adequação do pequeno no novo colégio.

1) Visita prévia
O pai, a mãe ou os dois juntos precisam visitar pelo menos três instituições de ensino para poder ter opções e escolher a que mais se encaixa em suas exigências.

2) Conversa otimista
Escolhida a escola, os pais devem conversar com o filho sobre os motivos que os levaram a transferi-lo de colégio e tentar mostrar o lado positivo dessa mudança.

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A presença dos pais na vida escolar dos filhos é muito importante, principalmente em casa, através de conversas e supervisão das tarefas

3) Tempo para vivenciar a escola nova
Incentivar a criança a viver o novo colégio, levando-a para as compras do material escolar, da lancheira e do uniforme - que ele até pode usar em casa para ir familiarizando-se e sentir que está levando um pouco de sua casa para a escola e, se possível, sempre levar a criança para conhecer as dependências da instituição e seus funcionários antes do início do ano letivo.

4) Metodologias de ensino compatíveis
Para facilitar a adaptação ao conteúdo escolar, os pais precisam buscar um colégio com metodologia compatível com a que o pequeno estudava anteriormente, pois ele já possui uma linha de cognição formada e que se traduz até mesmo na tipologia das letras do material, se é cursiva ou de imprensa, por exemplo.

5) Atenção à rotina
Antes de decidir o novo colégio, preste atenção se isso vai implicar ou não em mudanças na rotina da família. Se houver alguma dificuldade logística, isso deve ser solucionado anteriormente ao início das aulas.

6) Perfil estimulador
Os pais jamais devem reclamar sobre qualquer conduta da escola, dos professores ou dos funcionários na frente do pequeno, pois a responsabilidade pela escolha daquela instituição é deles. Isso acaba mudando o perfil parceiro e estimulador da família, desestimulando o aluno.

7) Postura é tudo
Os pais precisam ter postura serena, tranquila e de muito carinho ao levar o filho para a escola, mesmo que ele esteja chorando e vocês com o coração partido. Ter uma postura firme e segura nesse momento é fundamental. 

8) Demonstre interesse
Estimule o diálogo com seu filho todos os dias após as aulas, em casa. Pergunte sobre os acontecimentos no colégio e o que ele está sentindo em relação à nova escola. Reforce que é normal sentir insegurança no começo, que costuma ser traduzida como uma espécie de angústia, mas frise que isso é normal e passageiro.

9) Acompanhe os pequenos
Com os menores, procure levá-los pessoalmente à escola, segurando sempre em sua mão, e entregue-os direto para a professora. Se eles forem para o colégio de perua escolar, peça para o responsável fazer o mesmo.

10) A hora de ir embora
Sempre que for levar a criança no colégio, frise que irá voltar para buscá-la. Mas, atenção! Esteja lá no horário para não deixá-la esperando e causar a sensação de abandono.

Atualizado em 1 Dez 2011.

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