Guia da Semana

O primeiro passo

Veja as principais coisas que os pais precisam saber para matricular o filho na escola certa

Fotos: Getty Imagens



Uma das fases mais difíceis e importantes para o desenvolvimento da criança é a saída do ensino infantil para o fundamental, onde as brincadeiras são deixadas de lado e toda base do aprendizado é passada. Para os pais, esse também não é um momento fácil e, em meio ao bombardeamento de propagandas que as escolas fazem tentando atrair alunos, as dúvidas só crescem e o medo de não fazer a escolha certa é grande.

Nessa hora, os especialistas recomendam muita pesquisa, conversas com pais que já passaram por essa situação e principalmente discussão familiar, para saber qual proposta escolar vai ser coerente com a orientação que seu filho irá ter. Para não fazer essa decisão no escuro, pedimos a psicopedagoga e terapeuta familiar Quezia Bombonatto, presidente da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), algumas dicas de como fazer uma boa opção sem medo de voltar atrás. Confira!

Metodologia

Uma escola não deve ser escolhida somente pela fama ou tradicionalismo. A primeira coisa que os pais têm que fazer é observar os aspectos importantes que a escola pode oferecer para um bom desempenho da educação. "Às vezes os pais querem porque querem que o filho estude em um colégio tradicional famoso, porque os filhos dos amigos estão lá, mas nem sempre a instituição vai se adequar a orientação familiar", esclarece Quezia. Como exemplo, uma escola religiosa não é recomendada para pais com credos distintos, assim como uma família que prioriza o conteúdo, não pode buscar uma escola que só prepare o aluno para a vida. Converse com os coordenadores, consulte o material escolar e veja o calendário. Depois de matriculado, frequente às reuniões de pais e mestres, confira as atividades realizadas e acompanhe o interesse do seu filho.

Distância

Esse item fica um pouco de lado, mas pode influenciar bastante o aprendizado dos baixinhos. Quando o tempo de trajeto gasto entre a casa e a escola é muito longo, desmotiva os pequenos a estudar ou fazer atividades paralelas, como esportes ou cursos de línguas. "Acordava meu filho às 5h da manhã para pegar o ônibus escolar. Como era período integral, voltava às 20h, sempre muito cansado. Quando começou a atrapalhar seu rendimento, transferi para um colégio mais próximo de casa", relata a contadora Adriana Aguiar. Acordá-lo cedo ainda pode deixá-lo estressado e cansado. Outro ponto importante caso faça essa opção é conferir se há ônibus escolar particular para a criança ir e voltar com segurança para a escola.

Equipe capacitada

Não só a escola, mas toda a equipe que estiver no colégio deve ter uma preparação especial para saber conviver diariamente com crianças. Você pode começar perguntando quanto tempo os professores ficam no colégio durante a semana; se há muita rotatividade (profissionais que ficam poucos meses são um mal sinal); o nível de atenção e dedicação dos professores; e se eles atualizam seu aprendizado (quanto mais especializado forem, mais confiável é o colégio). Entre os bedéis, ver se tem algum que sabe o nome das crianças ou pais décor (gera mais segurança); e conhecer e conversar com o funcionário que fica com os pequenos no caso de algum atraso por parte dos pais para buscá-los.

Horário e atividades complementares



Uma escola fundamental tem em média um período de 4h a 5h de aula por dia. As de período integral oferecem cerca de 8h. Nesse outro período a criança tem a oportunidade de fazer a lição de casa, conta com um orientador pedagógico para auxiliar nas dificuldades, oferece cursos de idiomas e práticas esportivas. Isso pode ser um facilitador, pois a criança não precisa atravessar a cidade e ficar exposta ao trânsito. Tudo isso é bom, mas os pequenos precisam de um tempo livre para brincar e ficar com os amigos. Quando são muito cobrados, a criança acaba se estafando.

Gastos extras

"Muitas vezes os pais se esforçam para pagar uma escola e acham que a mensalidade vai dar conta de tudo. De repente aparecem as visitas aos museus, peças de teatro e passeios ao zoológico: acaba estourando o orçamento", aponta Quezia. Pergunte o custo dessas saídas e a frequências que são realizadas, para ver se elas não são papa-níqueis, usadas somente para consumir dinheiro e complementar as horas de aula do período integral. É bom saber que as atividades extracurriculares são importantes desde que não causem uma sobrecarga para a criança, pois é um modo de aplicar na prática aquilo que ela viu nos livros e nas explicações dentro da sala.

Respeite o ritmo

Você tem que respeitar sempre a dinâmica da própria criança. As pró-ativas precisam de bastante atividades para praticar, já outras não conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo. De acordo com a individualidade de cada uma, junto com o que a família acha determinante, deixe o bom senso falar mais alto e não os sobrecarregue.

Alimentação

Para evitar que seu filho entre na obesidade infantil, veja qual o tipo de alimentação oferecida nas cantinas do colégio; se há opções balanceadas e variadas em dias que ele tiver que comprar merenda. Caso o colégio ofereça a merenda, veja se existe uma nutricionista elaborando o cardápio. Sendo necessário levar a lancheira, priorize os lanches saudáveis e evite doces, salgadinhos e refrigerante.



Número de alunos

"Classes muito grandes acabam tirando o foco individual da criança e em turmas muito pequenas eles têm dificuldades de sociabilização", aconselha a psicopadagoga. No ensino fundamental, o ideal é ter um professor em sala para um turma entre 28 e 32 alunos.

Mudar é preciso

O ideal é não haver muitas mudanças de colégio, mas quando elas se fazem necessárias, podem ser benéficas para os baixinhos. "Um dia meu filho chegou em casa e não queria voltar à escola. Fui ao médico, psicólogo e nada. Até que um médico sugeriu ir para outro colégio. Depois disso, voltou seu gosto pelo estudo", afirma a dona de casa Helena Ribeiro. Caso ele não tenha se adaptado ao grupo, a metodologia ou até sofrer bullying na escola, a tendência é que a mudança melhore o rendimento escolar. A criança tem uma possibilidade de adaptação bem maior do que o adulto.

Mostre interesse

Muitos adultos não valorizam a reunião de pais e mestres por acharem que não tem importância o que é discutido lá. A família tem que saber em todo momento o que está acontecendo com o grupo em geral e depois especificamente sobre o seu filho. Se a criança sentir que os pais estão valorizando isso, sentirão mais interesse em aprender. A escola tem a função de oferecer a educação acadêmica, mas precisa da família junto para construir valores morais e éticos.

Atualizado em 6 Set 2011.

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