Guia da Semana

Período integral

Piscinas, artes marciais, namoro e musculação. Confira o que realmente mudou dentro dos muros do colégio interno

Fotos: divulgação/ UNASP


Ficar no colégio o dia inteiro, dormir lá e no dia seguinte, começar tudo de novo. Parece um pesadelo, não? Sinônimo de castigo para muitas gerações de alunos indisciplinados, o internato se tornou conhecido como uma masmorra para as ovelhas negras, um tipo de exílio familiar para adolescentes rebeldes.

Hoje anistiados, os estudantes desses locais encontram um sistema bem diferente de outros tempos. Agora com regime misto, algumas instituições oferecem estruturas que mais parecem um clube de férias. Mas mesmo com essa mudança, será que existe um internato divertido? Fomos conhecer duas tradicionais instituições brasileiras para descobrir.

Nova cara

Segundo o diretor do ISPA - Instituto São Pedro de Alcântara, em Petrópolis (RJ), Lincoln da Silva, rotina é uma palavra que não existe no dicionário de seu internato, que abriga 300 alunos em regime misto. A grade curricular e de atividades são diversificadas, incluindo cursos de informática, caratê, capoeira, e musculação, além das aulas tradicionais. Tudo para aliviar a saudade de casa "Aqueles que não visitam a família no final de semana também podem frequentar o sítio que temos próximo a unidade, com quadras, represa e jogos disponíveis", afirma.

Já o Centro Universitário Adventista de São Paulo ( UNASP), conta com três unidades no Estado, nas quais disponibiliza até piscinas para natação. Recebendo alunos do berçário até a pós-graduação, as residências do campus de Capão Redondo abrigam 500 jovens dos dois sexos, entre ele, Kerics Souza, 19 anos. "Desde criança sonhava em estudar aqui. Quando entrei, senti muita tranquilidade, pois é um ambiente onde muitas pessoas fazem amizades, com locais legais para a gente estudar e conversar".

O contato familiar é outro aspecto que mudou bastante com o passar do tempo nos internatos. Antes confinados durante meses longe dos pais, em ambos os colégios, os alunos, mediante autorização, podem voltar para casa todos os finais de semana e falar ao telefone a qualquer hora.


Na Unasp, o cardápio valoriza verduras e legumes

De olho nos casais

Mesmo com dormitórios separados, o convívio durante o dia gera um ambiente propício aos relacionamentos entre meninos e meninas. Mas para os mais empolgadinhos, é bom lembrar que as normas costumam ser bastante rígidas, com beijos e carícias proibidos, como conta a interna Vanessa Santana, 19 anos, do ISPA. "Já namorei em internato e realmente é bem complicado, pois a gente não tem aquele contato físico que poderia ter fora. Mas aqui ainda podemos andar de mãos dadas, abraçados, coisas que em outros colégios não podia. Acho que é uma coisa que está mudando, mas que ainda pode melhorar. Pelo menos os quartos possuem ramais e dá para conversar bastante pelo telefone".

Cardápio verde

A alimentação é outro aspecto que pode causar estranhamento. Ao contrário de casa, os cardápio dos internatos costumam ser fechados, como na UNASP, onde os alimentos servidos são à base de soja, verduras e legumes. Segundo o preceptor (espécie de monitor) Luiz Gil, eles são responsáveis por melhorar a qualidade de vida dos alunos. "Temos uma alimentação ovolactovegetariana, criada pelos pesquisadores da Igreja Adventista, na qual excluímos a carne para melhora de auto-estima e da mente".

Com nutricionistas elaborando um cardápio semanal, quem não consegue se adaptar, acaba dando um jeitinho de comer fora, como o aluno Samuel Wiclef, 17 anos, que quando enjoa das receitas naturebas, vai até a casa do tio, onde sempre encontra um bom prato de bife com batatas fritas.

Censura

É, pelo que parece, a vida em internato realmente não é cheia de liberdade. E quem pensa que as proibições terminam no namoro, engana-se. Principalmente quando a instituição está vinculada a alguma religião. No colégio adventista, novelas, filmes com exploração exacerbada da violência, cenas de sexo, nudez ou com temáticas espírita, estão terminantemente proibidos, com o controle remoto sobre o poder dos preceptores, responsáveis pelo acompanhamento dos internos.

Mas, seja por costume ou não, há quem não ache o controle ruim. "Quando passa algo proibido na televisão e a gente não percebe, os alunos normalmente avisam ou ligam para os pais, que entram em contato reclamando", conta a "prepa" Vânia Costa.


Em prédios separados, os quartos femininos abrigam até seis meninas, enquanto os masculinos recebem quatro 

Longe de casa

Para os profissionais da área, a escolha por esse método de ensino é algo que precisa ser bem pensado. Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPP), reforça a importância dos pais na formação educacional. "O colégio interno deve ser uma alternativa muito distante, pois para a formação educacional, a relação familiar é muito importante. A escolar serviria como complemento, e não substituto", diz a psicóloga.

A opinião de Quézia é confirmada por alguns alunos, que mesmo com os atrativos oferecidos pelos internatos, sentem na pele as mudanças decorrentes do afastamento. "Os primeiros meses foram muito difíceis. Na minha casa tinha o meu quarto e aqui tenho que dividir com mais cinco meninas. Você vai se adaptando com o tempo, fazendo novas amizades. Mas a falta que a família faz ainda é grande", conta Letícia dos Passos, 19 anos, interna de Biologia da UNASP.

Atualizado em 1 Dez 2011.

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