Original de feira

Adaptação da culinária chinesa, o pastel se tornou uma mania paulistana. Veja o segredo da iguaria predileta no comércio de rua

Última publicação: 07/08/2012

Fotos: Leonardo Filomeno


Bom dia, rapaz! Vem pra cá, freguesa !

É com avental branco, uma expressão feliz no rosto e um atendimento rápido que os funcionários das barracas pretendem conquistar sua clientela e vender pastéis. Esse quitute encontrado nas feiras populares já caiu na graça dos paulistanos, substituindo as refeições dos mais apressadinhos, quase sempre acompanhado de caldo de cana e condimentos para disfarçar o sabor do óleo e realçar o recheio da iguaria com toques de brasilidade.

Assim como a pizza, muitos consideram este o seu salgado predileto, optando pelas visitas aos comércios de ruas única e exclusivamente para saborear a massa de farinha, com formato de envelope, recheada de diversas formas e frita no tacho de óleo industrial. Só em São Paulo, o snack está presente em 731 barracas de 888 feiras da cidade, de terça a domingo, onde são vendidos mais de 2 milhões de unidades por mês. O preparo simples, o consumo imediato e custo baixo fazem dele um queridinho entre os paulistanos.

Origem

O pastel foi criada a partir da adaptação do "rolinho primavera", da culinária chinesa. Aportou por aqui na II Guerra Mundial com os japoneses, que abriram diversas pastelarias com o intuito de se passarem por imigrantes chineses, livrando-se da discriminação que havia na época devido à aliança militar entre alemães, italianos e japoneses. Com o fim do conflito, o salgado se proliferou na comunidade nipônica e pelo Brasil. 

Logo, caiu no gosto popular e tornou-se um grande negócio. Atualmente os sabores mais pedidos nas ruas são de carne, queijo e palmito. Para atrair clientes, muitas pastelarias e barracas oferecem uma infinidade de especialidades salgadas e doces, entre eles camarão com catupiri, goiabada com queijo e até rúcula com tomate seco.

Conheça três barracas de São Paulo onde o quitute tem um tratamento especial

Pastel da Maria


Barraca da Dona Maria, eleito o Melhor Pastel de São Paulo

Com ascendência nipônica e dona de um sorriso fácil, Maria Kuniko Yohaha, 57 anos, angariou o prêmio de melhor pastel paulistano. O concurso foi realizado pela Prefeitura de São Paulo e reuniu, através do voto popular, as melhores barracas da cidade. A vencedora ganhou um cheque de R$ 8 mil, além de um certificado. "Eu conhecia os finalistas e eram muito bons, mas nunca esperei chegar em primeiro. Quando recebi, chorei bastante e agradeci aos funcionários principalmente, tanto que metade do prêmio foi para eles", revela Maria.

Para chegar lá, colocou vaporizador na barraca para diminuir o calor, deixou uma pessoa cuidando somente do caixa e apostou em um cardápio diversificado, com quase 40 tipos de pastéis, entre eles o de carne seca com queijo, seu predileto. "Tenho muitos funcionários nordestinos que almoçam lá em casa. Em um desses almoços resolvi fazer um sabor de uma maneira diferenciada, temperando a carne seca após desfiar, para dar um gosto especial", afirma a vencedora. Após o título, a freguesia aumentou consideravelmente e Maria, que trabalhava com 10 funcionários, agora conta com 16. Para reconhecer a barraca, basta ver a faixa vermelha com o título e o certificado da premiação estampado em sua frente.

Onde encontrar:
Às terças na Praça Charles Miller, no Pacaembu; às quartas na Rua Cayowaá, em Perdizes, e na Rua Capitão Manoel Novaes, no Jardim São Bento; às quintas na Praça Charles Miller, no Pacaembu; aos sábados na Praça Parque Novo Mundo, na Vila Maria; e aos domingos na Rua dos Trilhos, na Mooca. (das 5h30 às 14h)

Pastel do Zé

Vizinho da Maria e tradicional na feira do Pacaembu, José Hiromi Mori, 61 anos, mais conhecido como Zé, aprendeu a amassar e fritar pastéis com os seus pais quando tinha 15 anos. É ele quem toma conta do tacho há mais de 40 anos, principalmente no horário do almoço, quando os fregueses se amontoam em volta da barraca buscando um dos seus 46 sabores. "Tem freguês que vai provar no meu concorrente, mas acaba voltando porque sabem que o meu tem um diferencial. Já tem até bisneto de freguês que passa aqui só para comer o meu pastel", aponta Zé.


Oferecendo comodidade ao cliente, a Barraca do Zé aceita diversos cartões 

Trabalhando quatro dias na semana, vende em média 1400 pastéis na feira e ainda realiza encomendas para festas e eventos. Empreendedor, sua barraca é uma das poucas que aceitam cartão como forma de pagamento. "Resolvi trabalhar com cartão devido a problemas de assalto, além de ser mais cômodo para o cliente que não precisa andar com dinheiro na mão. Confio mais no cartão do que no dinheiro", relata Zé.

Onde encontrar:
Às terças, quintas, sextas e sábados, na Praça Charles Miller (das 5h30 às 14h)

Cícero Pastéis

Em meio a antiguidades, obras de arte e prataria da praça Benedito Calixto, em Pinheiros, a barraca de Antônio Cícero de Almeida oferece pasteis sequinhos, crocantes e generosamente recheados. No sábado à tarde, enquanto o público houve a uma apresentação de chorinho, pode degustar um dos seus 11 tipos de pastéis todos feitos na hora. "Minha massa é frágil e não posso montar os salgados de antemão, por isso recheamos pouco tempo antes de fritar. Assim, mantemos a qualidade e oferecemos um atrativo ao público", realça.

A barraca vende em média 800 quitutes por sábado. Sobre o motivo dos fregueses buscarem o pastel de rua ao invés dos estabelecimentos, ele aponta. "Já tive uma lanchonete e sei que é mais trabalhoso manter a higiene. Aqui, o cliente vê todo o preparo, o que dá uma segurança a mais".

Onde encontrar:
Sábado das 8h30 às 20h, na Praça Benedito Calixto, Pinheiros


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