Guia da Semana

A História do Comunismo Contada aos Doentes Mentais

O espetáculo se passa em Moscou, em 1953, algumas semanas antes da morte de Josef Stalin

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A História do Comunismo Contada aos Doentes Mentais

Data 28 Mar 2014-27 Abr 2014
De 28 de março a 27 de abril de 2014

Preço(s) R$10

Horário(s) Sextas e sábados, às 21h; Domingos, às 19h

Rua Tito, 295, Oeste 05051-000

Telefone (11) 3864-4513

O espetáculo A História do Comunismo Contada aos Doentes Mentais chega ao Teatro Cacilda Becker no dia 28 de março e fica em cartaz até o dia 27 de abril. A peça, dirigida por André Abujamra e Miguel Hernandez, se passa em Moscou, em 1953, algumas semanas antes da morte de Josef Stalin.

A comédia, ácida e irônica pretende fazer o espectador refletir, de maneira provocante, sobre o poder das ideologias e o horror dos hospitais psiquiátricos. Na peça, o diretor de um sanatório de Moscou convida o escritor Iuri Petrovsky (Miguel Hernandez) a escrever, de forma poética e acessível aos doentes mentais da instituição, a história do comunismo e da Revolução de Outubro, que levou os bolcheviques ao poder na Rússia, em 1917. Ele é convencido de que essa "terapia" poderá curar vários internos.

Esse é o mote da trama, engrossada por uma secretária fanática pela figura do ditador soviético, Katia Ezova (Nathália Corrêa), o diretor do manicômio, Grigori Dekanozov (Luiz Amorim, ator convidado), e o diretor-assistente do manicômio, Stepan Rozanov, na verdade, um espião infiltrado pelo Partido para descobrir um contrarrevolucionário entre os médicos e os pacientes. 

O espetáculo propõe, então, um mergulho no universo dos hospitais psiquiátricos em que se acotovelavam doentes reais e oponentes internados pelo regime totalitário. De maneira bem-humorada, ainda que irônica e muito crítica, o texto do romeno Matéi Visniec defende a ideia de que o homem não consegue viver sem utopias.

Escrita em 2000, a obra de Matéi Visniec, que fugiu da ditadura de Nicolau Ceausescu (1918-1989), é capaz de tocar todos aqueles que já viveram um regime de exceção, a exemplo da ditadura brasileira. Como acontece na montagem, não raramente, um rival do regime era punido pelos militares com uma internação em um manicômio. Dessa forma, o espetáculo também escancara ao público outro horror comum ao Brasil e à Rússia: a sordidez dos hospitais psiquiátricos, para o autor, uma espécie de último reduto da pureza humana

 

Por Anna Thereza de Almeida
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