50 anos do golpe militar

Conheça alguns lugares paulistanos que fizeram e ainda fazem parte desse triste período da história

Última publicação: 27/03/2014

  • Memorial da Resistência

    Memorial da Resistência
    Créditos: Divulgação

  • Praça e Catedral da Sé

    Praça e Catedral da Sé
    Créditos: Divulgação

  • Tuca na PUC-SP

    Tuca na PUC-SP
    Créditos: Divulgação

  • Cemitério Dom Bosco

    Cemitério Dom Bosco
    Créditos: Divulgação

Há exatos 50 anos, um dos períodos mais difíceis da história brasileira estava sendo instituído. A deposição do presidente Jango e a ascensão de Ranieri Mazzili ao comando do país em março de 1964 deram início á ditadura militar no Brasil.

De 1964 a 1985, o país viveu uma realidade pautada em repressão e censura para várias vertentes da sociedade. Qualquer cidadão que manifestasse ideologias contra o regime corria sérios riscos de ser levado a um centro de tortura. Matérias jornalísticas eram obrigadas a passar por uma avaliação prévia antes de sua publicação. Compositores tinham suas músicas vetadas de reprodução se esta fosse julgada como ofensiva ao regime.

Alguns lugares de São Paulo tiveram ligação com a Ditadura Militar por abrigar centros de tortura, reuniões de estudantes e pontos de encontro de protestos. Outros foram criados posteriormente como uma forma de lembrar o nome dos envolvidos.

Em homenagem e memória as pessoas que sofreram e lutaram pela liberdade no Brasil, o Guia separou alguns lugares que tiveram e ainda tem uma relação com essa parte da história.

PUC

A história da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo tem uma relação direta com a Ditadura Militar. Na época do regime, professores e estudantes tinham participação ativa nas manifestações e nos protestos. Docentes de outras universidades públicas que já haviam sido cassados por difundir ideias anti ditatoriais foram acolhidos pelo chanceler Dom Paulo Evaristo Arns e passaram a dar aula na PUC.

No dia 22 de setembro de 1977, por volta das 21h, foi realizado o Ato Público, que reuniu cerca 2000 estudantes no Tuca. No entanto, antes que o grupo saísse às ruas, mais de 500 policiais e membros da tropa de choque invadiram o campus com bombas e cassetetes. O saldo da invasão foi a prisão de 700 estudantes e pelo menos 15 vítimas de queimaduras graves, bombas de gás, entre outros.

Fazenda 31 de Março de 2014

Localizada na Zona Sul de São Paulo, a fazenda não era um lugar para se visitar na época do regime. Não é a toa que recebeu o apelido de “Sítio da Tortura”. O local era um dos preferidos dos militares paulistanos para levar prisioneiros e torturá-los usando todos os ambientes que uma fazenda oferece. Lagos de pedras, poças de lama, árvores etc. Existiam vários centros clandestinos de tortura como esse.

Antigo DOI-CODI – Rua Tutóia

O Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna era o órgão responsável por “manter a ordem” na época da ditadura. Ele representava tanto a área de inteligência com a de repressão física do regime. Foi nessa sede que Vladimir Herzog e tantos outros foram torturados e mortos pelos representantes do exército. Curiosamente, o antigo DOI-CODI é hoje a sede do 36° Distrito Policial de São Paulo.

Catedral e Praça da Sé

Quem foi às manifestações de junho de 2013 deve ter percebido a importância do local quando se trata de reunir pessoas a favor de uma causa. A Praça da Sé foi o ponto de encontro dos mais importantes protestos anti-ditadura como as de 1º de maio de 1967, o Comício Relâmpago da UNE, as missas a Alexandre Vanucci e Vladimir Herzog e tantos outros eventos. Nas manifestações mais recentes, o local também abrigou protestos e se posicionou mais uma vez como símbolo da causa.

Mackenzie e USP – Batalha da Maria Antônia

Em 1968, o campus do Mackenzie e da USP se localizavam frente a frente na Rua Maria Antônia. O posicionamento político dos alunos das universidades era distinto, visto que os do Mack eram favoráveis ao regime militar e enquanto os da USP eram esquerdistas. No dia 3 de outubro, a rivalidade se consolidou. Visando arrecadar fundos para a União Nacional dos Estudantes, os alunos da USP promoviam um pedágio na Rua Maria Antônia. Irritados com a situação, os mackenzistas atiraram ovos que logo foram revidados.

O resultado foi um confronto envolvendo bombas, pedaços de pau, pedras e qualquer coisa que pudesse ser utilizado como arma. O saldo do evento foi a morte de um aluno por bala perdida e o incêndio do prédio da USP que , posteriormente, seria movido para a cidade universitária.

Memorial da Resistência

Criado em 2009, o museu tem o objetivo de preservar as referências e memórias de resistências e repressões políticas era republicana brasileira (a partir de 1889). Ele é vinculado a Pinacoteca do Estado de São Paulo e não possui fins lucrativos. Diversas exposições sobre a época do regime militar já foram expostas aqui, além do acervo de informações que o museu oferece. 

Instituto Vladimir Herzog

O jornalista Vladimir Herzog foi um dos personagens mais icônicos da época do regime militar. Ele foi torturado e morto no DOI-CODI após ser chamado para um depoimento. Na época, a alegação dos militares foi a de que Vlado teria se enforcado enquanto estava preso. Localizado no bairro Pinheiros, o Instituto Vladimir Herzog tem o objetivo de proteger os profissionais da imprensa contra violências recebidas por conta da sua profissão por meio do “Observatório de Monitoramento de Violência com Jornalistas”. Ele oferece ajuda jurídica e visibilidade para os casos.

Cemitério dos Perus (Dom Bosco)

Construído para abrigar corpos de indigentes e moradores de rua, o cemitério foi usado pelos militares para sepultar pessoas mortas pelas forças do regime. Os familiares não tinham direito a velar o corpo de acordos com a sua religião.  Hoje o local trabalha em parceria com o IML que investiga mortes suspeitas e violentas.

 

Ezio Jemma redator(a)

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