Guia da Semana

Dia da TV

Seis décadas atrás, a TV chegava para tomar o lugar do rádio nas estantes e nos corações dos lares brasileiros

Foto: Wikipedia

Após seis décadas, aproximadamente 96% das casas possuem TV

No dia 11 de agosto, a TV brasileira chega aos seus 61 anos. Engraçado pensar que curiosos espalhados em diversos pontos da cidade de São Paulo se sentavam na frente de um aparelho, que ainda era desconhecido pela maioria da população, em 1950. "Está no ar a televisão no Brasil!". Uma garotinha de cinco anos anunciava a transmissão do primeiro programa na telinha, TV na Taba, colocado no ar pela TV Tupi.

Na época, foram 200 televisores importados dos Estados Unidos pelo empresário Assis Chateaubriand - dono do Diários Associados e fundador da primeira emissora no país. O artigo, que por muito tempo foi considerado de luxo, hoje integra a casa de 95,7% de brasileiros, segundo o IBGE. Para se ter uma ideia do quanto ela faz parte da rotina da população, durante o ano passado, o aparelho ficou ligado em média cinco horas por dia, de acordo com o IBOPE Media.

E foi na frente da telinha que milhões de pessoas puderam acompanhar acontecimentos que marcariam a história. Só para citar alguns, em 1969 era transmitida via satélite a chegada do homem à Lua e, nos anos 70, a Guerra do Vietnã foi registrada por uma das mais extensas coberturas telejornalísticas. Em 2000, o Brasil pôde ver ao vivo o polêmico desfecho do sequestro do ônibus 174, no Rio de Janeiro, e um ano depois, a audiência acompanhava o atentado às torres gêmeas, em Nova York.

Dramaturgia made in Brazil

Foto: Divulgação / Pró-TV

Em 1951, Vida Alves protagoniza o primeiro beijo na telenovela

Mas a verdade é que quando se pensa em televisão brasileira, não tem como não falar das telenovelas, que fazem a fama do país aqui dentro e lá mundo fora, já que elas são exportadas para o mundo inteiro. A primeira a ser transmitida em rede nacional foi Sua Vida Me Pertence, exibida duas vezes por semana ao vivo, assim como o resto da programação da época. 

"Éramos uma grande família nesse tempo, viemos todos do rádio, então era aquela coisa gostosa e descontraída", lembra Vida Alves, atriz que protagonizou o primeiro beijo na telinha com Walter Foster. A repercussão, em plenos anos 50, foi bem menor do que se imagina."O público era pequeno e só depois que passou a ser comentado, 59 anos se passou e ainda falamos disso", afirma Vida.

O Bem-Amado foi a pioneira do aparelho em cores, em 1973, já na Rede Globo. A mais pop no exterior foi a adaptação de Gilberto Braga para A Escrava Isaura, exportada para mais de 80 países. A novela acumulou também o maior número de exibições em terras tupiniquins e valeu a pena ver de novo as cinco vezes. Já a liderança da audiência nacional fica empatada entre Mulheres de Areia e A Viagem, ambas de Ivani Ribeiro.

Foto: Divulgação / Tv Globo

Laura Cardoso interpretou Guiomar em A Viagem

A trajetória das telenovelas brasileiras se confunde com a história do país. Roque Santeiro foi censurada próxima à data de estreia em 1975, com capítulos já gravados. A Globo foi obrigada a produzir às pressas Pecado Capital e o drama do santo milagreiro só entrou no ar dez anos depois, dessa vez com José Wilker, Regina Duarte e Lima Duarte - que também participou da primeira versão.

Outra teledramaturgia que não poderia ficar fora da lista é Vale Tudo, de Aguinaldo Silva, Gilberto Braga e Leonor Basséres. No Brasil inteiro, só se perguntava quem teria matado a vilã Odete Roitman, interpretada por Beatriz Segall, que é considerada até hoje uma das mais cruéis personagens da história. O folhetim, atualmente exibido no canal por assinatura Viva, voltou a ser dos mais comentados nas últimas semanas. Pantanal, de Benedito Ruy Barbosa, fez imenso sucesso na TV Manchete, chegando a bater a audiência da TV Globo.

E qual foi a Helena mais marcante pra você? Manoel Carlos que veio do Grande Teatro Tupi, é também um dos grandes protagonistas da telenovela nacional. Da Helena que troca seu bebê pelo da filha Eduarda, em Por Amor, à que fez aborto em troca de um contrato de moda, na recente Viver a Vida, todas emocionaram milhões de brasileiros e marcaram de alguma forma esses 61 anos.

Foto: Divulgação/ Tv Globo

A Helena de Mulheres Apaixonadas é intepretada por Christiane Torloni

Parte dessa história

Vida Alves lembra com nostalgia do programa de perguntas e respostas O Céu é o Limite, apresentado desde os anos 50 e líder de audiência na TV Tupi durante a década de 70. Já a atriz Laura Cardoso - também pioneira e que se mantém na ativa até hoje - ressalta três outros: o TV de Vanguarda, que foi o primeiro teleteatro brasileiro, o TV de Comédia e o Grande Teatro.

São tantos programas que seria necessário outros 61 anos para enumerá-los. Mas vale a pena destacar os Festivais da Record, marco não só da televisão, mas também da música popular brasileira, apresentando nomes da Jovem Guarda e do Tropicalismo. Além disso, o lendário Sítio do Picapau Amarelo é considerado um dos melhores programas infantis já exibidos, abordando temas nacionais como o folclore e agradando aos pequenos e aos adultos.

Foto: Divulgação / Tv Globo

A obra de Monteiro Lobato teve mais do que uma adaptação para a TV

Memoráveis são também os programas do Chacrinha que animavam as tardes de sábado e foram exibidos pela TV Tupi, Bandeirantes e Rede Globo. Hebe Camargo, Faustão, Luciano Huck, Gugu e Sílvio Santos são também destaques dos programas de auditório. E foi o mestre do SBT que protagonizou o primeiro programa televisivo assistencialista, o Porta da Esperança, que serviu como referência para muitos outros que surgiram.

Na sessão comédia, TV Pirata foi um dos maiores sucessos do gênero, mas as risadas rolavam soltas também em Chico Anísio Show, Os Trapalhões e Sai de Baixo. E quem não lembra das vinhetas de abertura do Fantástico, a revista eletrônica que sobrevive até hoje? Isso sim é fazer parte da história.

Da água pro vinho?

As telenovelas e telejornais integram ainda hoje a rotina de Vida Alves. Apesar disso, ela tem uma visão não muito otimista quanto às mudanças durante esses 61 anos. "A parte técnica mudou 100%, mas o conteúdo traz muita repetição. A programação popularizou e a qualidade caiu", opina. A crítica é também feita por Laura Cardoso.

"Muita coisa poderia ser retirada, há um excesso de programas ruins, apesar de ter muitos bons também. As principais mudanças foram tecnológicas, como a chegada do videotape, que nos permitiu gravar os programas e deixar de fazer tudo ao vivo", complementa ela, que participou ativamente desses 61 anos.

Seguindo com a linha evolutiva, 2010 entra como a primeira vez em que uma Copa do Mundo foi transmitida pela TV digital. Enquanto isso, Vida Alves torce para realizar seu grande sonho de registrar toda essa história no Museu da Televisão Brasileira.

Atualizado em 6 Set 2011.

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