Guia da Semana

Garimpeiro de talentos

O jurado do programa Ídolos Marco Camargo comenta o mercado da música e o que um ídolo deve fazer para se manter no sucesso

Foto: Edu Moraes/Record

Marco Camargo é vencedor de dois Grammys como melhor produtor

Com rosto fechado e um jeitão ríspido que destoa dos demais jurados do programa Ídolos, da Rede Record, Marco Camargo chega a causar medo nos candidatos. No entanto, a imagem passa longe do que o ele é na verdade. Mesmo com declarações polêmicas, não dá para negar que música é o barato dele. Em seu currículo figuram nomes como Zezé di Camargo e Luciano, Ivete Sangalo, Xuxa e até mesmo o rei Roberto Carlos, do qual se declara fã absoluto.

Vencedor de dois prêmios Grammys, Camargo é diretor musical da emissora responsável pelo reality, proprietário da gravadora Captain Music e membro votante da Academia Grammy. Entre um sim e um não atrás da bancada do programa, o produtor bateu um papo com o Guia da Semana, onde assume utilizar, sem receio, recursos de voz na edição, comenta o motivo dos vencedores não despontarem nas paradas e o fenômeno atual da música mundial, Lady Gaga. 

Guia da Semana: Como você analisa o mercado atual da música?
Marco Camargo: É difícil termos ícones na música como tínhamos antigamente. A mídia e o marketing mudaram muito. Com um mercado heterogêneo como a internet, por exemplo, não há veículos de canalização, como eram o rádio e a TV, com diversos estilos em uma mesma programação. Quando a música se tornava um crossover, tocava em todas as rádios. Hoje o sucesso é muito rápido, praticamente anual, não se perpetua. Essa é a falta do mercado de hoje.

Guia da Semana: A cada dia surgem novos artistas na internet e muitas vezes eles não estão preparados para tanto sucesso. Como devem lidar com isso e como aproveitar a fama?
Marco: É o sucesso de imediato, mas não aquele com referência, propriedade. O cara entra no Youtube, vê a campeã de acesso e escolhe o que seguir. Quem tem um estilo natural, com essência verdadeira, faz sucesso. Um exemplo disso é a garota do Cross Fox, Stefhany. Não é a melhor voz do planeta, fez uma versão até então desautorizada editorialmente, mas é nítido que ela é aquilo. Cresceu ouvindo esse estilo, curte o carro, pega as amigas em casa e vai curtir a balada. Não tem nada montado.   

Guia da Semana: Com a tecnologia, a voz dos cantores é mudada. Até que ponto isso é válido?
Marco: É a mesma coisa que uma mulher que coloca silicone. Ela faz aquilo para ficar mais bonita. O intuito é olhar e gostar do produto final, o mesmo se aplica na produção. Bons produtores são aqueles que usam ferramentas da melhor forma e recursos para deixar uma pessoa que não é tão boa, maravilhosa. Essa é minha profissão.

Guia da Semana: E acha que isso não vai de encontro ao fato de uma pessoa ter sucesso, sendo que não tem tanto talento?
Marco: Nessa hora entra a questão da permanência no mercado. Afinal, como diz um velho ditado: 'Quem sabe faz ao vivo'. Em 90% dos shows que vou, inclusive de mega-artistas, o som é muito inferior ao disco. Há exemplos de pessoas que não tem uma supervoz, mas quando abrem a boca todo mundo fica de joelho. A maioria dos backing vocals, por exemplo, cantam mais que os artistas, só que não viram astros. Não é só cantar bem, isso é a obrigação, o barato é saber o que ele faz, além disso.

Foto: Edu Moraes/Record

"Quem tem um estilo natural, com essência verdadeira, faz sucesso"

Guia da Semana: O que você avalia ao ouvir um trabalho novo?
Marco: De cara é ter um f eeling e gostar ou não do que estou ouvindo. Não levo a parte tecnica em consideração, no primeiro momento. Em seguida, começo a pegar outros requisitos. Analiso os instrumentos usados, como foram equalizados, se o som não choca com outro, as entradas, voz, etc. Depois de tudo olho a estética, capa, contexto, foto. Isso também é importante, é o chamariz do disco.  

Guia da Semana: Em relação a novos fenômenos, como Lady Gaga. Acha que ela apresenta realmente uma tendência na música Pop?
Marco: Há vários tipos de sucesso, afinal são merecidos, se não nunca fariam. Mas existe aquele que além da música é um produto muito bem feito, o caso dela. Ela tem musicalidade, mas não é superior aos outros casos. A Madonna, por exemplo, com 50 anos, ter o fôlego que tem, é impressionante. Agora Paul McCartney, Elton John, por exemplo, consigo vê-los cantando com 70, 80, mas Madonna dançando não. E assim é com a Lady Gaga, Shakira, etc.

Guia da Semana: Quais os maiores critérios de avaliação na hora da escolha do Ídolo, no programa?
Marco: Eu sigo meu feeling e penso no que o mercado vai consumir. Não sou dono da verdade, mas sou muito feliz por gostar do que a maioria gosta. Em um primeiro olhar, não analiso vestimenta, por exemplo; para mim está todo mundo pelado. Vejo a exibição com voz e a música que ele escolheu. O imagino tocando em uma rádio. Em seguida, com ele já no TOP 10, analiso-o como um ídolo.

Guia da Semana: Alguma vez no programa você se comoveu com um candidato ou uma situação inusitada?
Marco: Quando o Marcos Duarte desistiu. Aquilo me comoveu muito porque a verdade dele não era aquela que ele estava vivendo. Ele acordou e viu que não queria o sucesso. A pessoa abrir mão do sucesso e dinheiro pela simplicidade. A grande maioria está em busca de fama e sucesso. Aí é que surge a diferença do cara que se perpetua. A felicidade dele esta em conduzir um instrumento, que é a voz dele.

Foto: Edu Moraes/Record

Marco Camargo ao lado dos jurados do Ídolos Paula Lima e Calainho

Guia da Semana: Após conquistarem o Ídolos, muitos dos vencedores não emplacaram nas paradas. Qual o motivo disso?
Marco:  O programa consiste em localizar esse astro e colocá-lo na mídia. Quando acaba a temporada, ele é entregue a uma gravadora e cabe a ela direcionar a carreira. Eu credito a culpa disso para eles. Não tem cabimento o vencedor sair do programa e lançar um CD seis meses depois. Além disso, existe preconceito por conta de muitas emissoras de TV e rádio, por ele ter saído do reality de uma TV. Essa diferença é muito prejudicial, artisticamente falando. 

Guia da Semana: Como surgiu seu gosto pela música?
Marco: Quando tinha 7 anos ganhei de Natal uma bola e um amigo meu uma escaleta. As crianças ficaram tirando sarro dele e querendo brincar com meu presente. Eu propus que trocassemos, ele pensou que estava tirando uma com a cara dele. Em seguida disse: 'Não vai poder destrocar'. Fiquei interessado pelo som, musicalidade. Depois disso vieram outros instrumentos. Ganhei um órgão, piano até chegar a minha banda que tocava Beatles. 

Guia da Semana: Como foi trabalhar ao lado de Roberto Carlos?
Marco: Fiz dois trabalhos com ele em dois discos. O último em 2006, do qual ganhei o Grammy de melhor produtor. Na realidade ele que nos ensina, é muito generoso. Um cara que com 50 anos de carreira, vende mais de 1 milhão de disco facilmente, o que eu queria ensinar? Quando fomos negociar valores eu disse: 'Além de tudo eu vou ganhar para isso? Pensei que eu fosse pagar'.

Atualizado em 6 Set 2011.

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