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Arte
Por Redação Guia da Semana

50 anos de Bossa Nova

Como o gênero que consagrou Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto conquista o mundo há cinco décadas.

Poucos movimentos artísticos genuinamente brasileiros estenderam-se pelo mapa-múndi e reverberaram por tanto tempo quanto a bossa nova. O gênero, que em agosto deste ano completa meio século de vida, tem sua verdadeira origem tão controversa quanto à verificação de seu declínio, no início dos anos 70. Eleito como marco zero do ritmo, o lançamento de Chega de Saudade, do gênio João Gilberto, carrega os genes da bossa em suas duas canções, Bim Bom e Chega de Saudade, uma disposta em cada lado do disco.

Antonio Carlos Jobim: mestre foi um dos grandes pilares da bossa nova


Mas afinal, quais características ajudaram a consolidar a bossa nova como uma das expressões musicais mais respeitadas da segunda metade do século XX? A princípio, o virtuosismo de João Gilberto se revelou em uma maneira totalmente inovadora de apresentar ao violão a cadência do samba e o dinamismo do jazz, amparada por vocais sóbrios, quase sussurrantes. Assim, o baiano de Juazeiro do Norte deu o pontapé inicial no movimento que já trazia a reboque a preciosa parceria Tom Jobim-Vinicius de Moraes.

Estabelecida na zona sul carioca, a turma da bossa nova reunia nomes como Carlos Lyra, Nara Leão, Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal em torno de temas despojados de comprometimento político e distante de reflexões espinhosas, embora centrados em um lirismo romântico cativante. Já em 1962, essa experiência foi apresentada em palcos americanos, durante o famoso festival no Carnegie Hall, em Nova York, e logo em seguida adotada por um séqüito de jazzistas de primeira linha como Miles Davis, Ella Fitzgerald e Stan Getz, que passaram a incutir em seus trabalhos muitas das peças forjadas nos moldes da bossa nova.

Desde 1958, quando gravaram o disco Canção do Amor Demais, a parceria entre Tom Jobim e Vinicius de Moraes rendeu frutos memoráveis que não tardaram em entrar no cânone do movimento. Definitivamente, a bossa deve a dupla algumas de suas composições mais emblemáticas como Água de Beber, Ela é Carioca, Eu Sei Que Vou Te Amar, Insensatez e Garota de Ipanema, não apenas uma das canções brasileiras mais conhecidas fora do país, como uma das músicas mais executadas ao redor do planeta.

Roberto Menescal: um dos grandes da bossa continua na ativa


Tom Jobim, formado em arquitetura, Vinicius de Moraes, jornalista e diplomata, além de Ronaldo Bôscoli, também jornalista, eram algumas das cabeças da bossa nova que compartilhavam de um ambiente tachado de intelectual pelos críticos do ritmo. Por vezes, a patrulha apontava o suposto elitismo de seus membros como motivo para o afastamento natural das raízes da música popular brasileira. Essa rotulação ligeira afastou alguns desses grandes músicos do país, como o próprio Tom Jobim, que não tardou em desembarcar em Nova York, onde deu vida a um de seus álbuns mais experimentais, Stone Flower.

Com a aproximação dos grandes nomes da bossa de outros gêneros, mais precisamente do samba e de ritmos regionais, mas principalmente com o fortalecimento do que se convencionou chamar de MPB, o movimento perdeu altura, dividindo o holofote com jovens vertentes. Após os falecimentos de Vinicius de Moraes, em 1980, de Nara Leão, em 1989 e de Tom Jobim, em 1994, a bossa passou a ser lembrada e reconstruída paulatinamente por músicos da nova geração, que buscam mais restaurar a obra dos mestres do que se aventurar por trabalhos mais autorais.

Atualizado em 6 Set 2011.

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