Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

A emoção em atuar

Mesmo com toda a arrumação do cenário e os ensaios, o friozinho na barriga é inevitável.

Foto: Rafael Amambahy


Ummm, doooois, trêêês!!!! Meeeeeerdaaaaaaa!!!!! A sensação de gritarmos "merda", antes do espetáculo começar é a mesma de quando se está no elevador, do parque de diversões, com mais de 60 metros de altura. Quando ficamos parados por dois segundos lá em cima, são os dois segundos de expectativa mais emocionantes. O frio na barriga que você está prestes a sentir é inesquecível.

A expressão "merda" significa "boa sorte" para o teatro, e é sempre usada antes das apresentações. De acordo com uma das definições, a expressão surgiu quando antigamente as pessoas chegavam aos teatros em carruagens. Quanto mais carruagens, mais merda os cavalos deixavam nas ruas e calçadas. Assim, muitas pessoas entravam no teatro com os sapatos sujos de merda e, quanto mais merda deixada nos capachos mais cheia a casa estaria.

A melhor palavra que representa o sentimento diante da emoção numa estreia é "sensacional". Todos nós experimentamos a emoção de estrear numa atividade, seja na arte ou não. Preparamo-nos meses para aquele momento. Os bastidores daquele dia são tomados pela magia a cada plateia, e a energia interfere na apresentação.

A preparação é cercada de ansiedade, antecipação, insônia e pensamentos que nos levam a imaginar como serão os primeiros diálogos, os primeiros gestos, a primeira música, o primeiro tudo! O frio na barriga, a ansiedade da espera, a imaginação que nos leva a pensar em como será aquela apresentação, fazem de qualquer estreia um evento capaz de mexer com toda a estrutura física e emocional do ator e, também, de toda a equipe.

Os dias e horas que antecedem acrescentam, ainda, a preocupação com os ajustes do cenário, iluminação, figurino, maquiagem, sonoplastia, enfim, tudo deve estar no ponto para o bom desempenho da peça. Neste caso, a produção fica por conta dos alunos, fazendo parte do processo em checar e cuidar de tudo.

Ao chegarmos no camarim, fazemos um aquecimento corporal e vocal. Depois, comemos um lanche e começamos a nos vestir para o ensaio geral e para o grupo se ambientar, já que os ensaios foram em outro local. O clima ainda é tenso, pois não sabemos como será a estreia, mas a turma tenta se descontrair.

O ambiente, agora, é de ansiedade. Após a chamada do diretor, os atores seguem para o palco e se aquecem, passando o texto ou alongando o corpo. Quando chega a hora, o diretor faz uma roda, diz palavras de incentivo e aí gritamos "merda". É um momento inexplicável, não dá mais pra sair correndo, é igual ao elevador do parque: tem que encarar. O diretor avisa que o público vai entrar e não há cortinas. O espetáculo começa com os atores já no palco.

Na hora em que o público entra, a energia é outra - depois de horas de ensaio e dedicação, temos de respirar corretamente, projetar a voz, dar postura ao corpo, lembrar das marcações, textos, luz, sonoplastia, perceber e escutar o outro, dar ritmo ao espetáculo, etc. Na minha opinião, é uma situação desafiadora, mas logo o clima é de descontração. Quando alguém erra a fala, o outro ajuda. Isso mostra o envolvimento de todos com a peça.

No fim do espetáculo, recebemos os aplausos, vamos cumprimentar o público e nos preparar para a segunda sessão. Nesse momento, sentimos um alívio, uma sensação de dever cumprido, quando tudo dá certo, nos divertimos. Hoje entendo quando atores dizem o quanto se divertem em cena. É exatamente isso: divertimo-nos.

Leia a coluna anterior de Mônica Quiquinato:

A influência da arte na vida

Quem é a colunista: Mônica Quiquinato.

O que faz: Mãe, jornalista e especialista em Comunicação Jornalística. Atualmente estuda teatro no Macunaíma.

Pecado gastronômico: Churrasco.

Melhor lugar do mundo: Minha casa.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Titãs, Legião Urbana, Led Zeppelin, Aerosmith, Metallica, Rush, David Bowie, entre outros.

Para falar com ela: [email protected]

 


Atualizado em 6 Set 2011.

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