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Arte
Por Redação Guia da Semana

A Forma Das Coisas

Texto do aclamado e controverso diretor Neil Labute, inédito no Brasil, propõe reflexão sobre os experimentos da arte e sua influência no cotidiano.

Foto: divulgação


Até onde estamos dispostos a ir por uma crença? Quais os limites que somos capazes de ultrapassar em nome do amor e de uma idéia? Que verdades omitimos dos outros e de nós mesmos para justificar nossos desejos?

O espetáculo A Forma Das Coisas, do dramaturgo e diretor americano Neil Labute (autor do bem sucedido Baque, encenado em 2005 no Brasil), e tradução de Marcos Ribas de Faria, em cartaz no Espaço SESC-Copacabana, traz à luz algumas respostas a respeito da interferência da arte no cotidiano e quais os efeitos transformadores que acarretam na vida de quatro jovens estudantes de uma universidade norte-americana. O texto se propõe a um exame das relações de amor, amizade, cumplicidade e os conflitos gerados a partir destes relacionamentos.

Evelyn (Carol Portes) e Adam (Pedro Osório) são completamente diferentes. Ela é uma bela e arrojada estudante de Artes, prestes a concluir seu mestrado. Ele, um sujeito tímido e introspectivo, que trabalha como guarda do Museu da Universidade. O que a princípio poderia sugerir apenas uma comédia sessão da tarde, nas mãos de Neil Labute tem um certo sabor de provocação. A adaptação e montagem idealizada e dirigida por Guilherme Leme com co-direção de Pedro Neschling está impecável. Doses certas de humor e boas sacadas de interpretação dão o tempero que garante momentos de diversão durante o espetáculo.

Os quatro atores que dividem o espetáculo parecem ter entendido a essência do trabalho de Labute e dão a tônica certa ao quarteto de amigos. Carol Portes está bem segura no papel de Evelyn, demonstrando coerência e talento na construção de seu personagem, garantindo os melhores momentos do espetáculo. Pedro Osório, indicado ao Prêmio Shell em 2001 por Trainspotting, em ótima atuação, consegue criar um Adam leve e tímido, transpondo para o palco a insegurança e os conflitos presentes na personalidade do personagem. A Diana, de Karla Dalvi, tem a carga dramática e a leveza necessária para fazer o contraponto com a personalidade da Evelyn defendida por Carol Portes. O explosivo Johnny, bem defendido por André Cursino, completa o quadro de atores.

O ponto forte do espetáculo está na direção e concepção de Guilherme Leme que consegue construir um espetáculo com as cores certas de Labute. O espaço cênico é uma atração à parte e o cenário de Aurora dos Campos participa da construção da trama, se adequando e se transformando conforme o próprio Adam se transforma. A iluminação do grande Maneco Quinderé e a trilha sonora de Marcello H completam o trabalho do diretor, garantindo um espetáculo rico em conceito e plasticidade.

Mais do que apenas discutir a arte, a peça propõe uma discussão sobre os limites da interferência do artista na vida das pessoas, o resto não se pode contar, correndo-se o risco de estragar a grande surpresa que o final do espetáculo trará.

Quem é o colunista: Celso Pontara.

O que faz: Paulista, radicado no Rio, Celso Pontara é uma mistura de ator, dramaturgo e produtor cultural. É editor do Portal El Jorro - www.eljorro.com.br, o portal que traz notícias sobre a cena teatral carioca.

Pecado gastronômico: Coxinha de camarão do Bar Rebouças no Rio.


Melhor lugar do Brasil: Paraty.


Fale com ele: [email protected] ou acesse o blog do autor


Atualizado em 6 Set 2011.

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