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Arte
Por Redação Guia da Semana

A metamorfose de Otto - Continuação

Depois de anos em produção e com três álbuns no currículo, o cantor pernambucano entra para o cenário independente e comenta como enxerga hoje sua carreira.

Guia da Semana: Qual foi seu principal amadurecimento em relação ao primeiro disco Samba pra burro e o lançamento agora do quarto?
Otto: Eu tive que desaprender e recomeçar de outro jeito. Para chegar aos 40, passei por uma fase de amadurecimento gigante. A grande diferença é isso, maturei tudo. A vida faz isso, você escreve melhor, pensa mais e a pior coisa é querer disfarçar o que te incomoda. Hoje eu sei que nasci para isso. Eu branco, tocando pandeiro, tive que ter muita cara de pau, afirmar que nasci para isso. Agora que estou vendo o público cantando minhas músicas e isso foi uma crescente. As pessoas que me viram lá no começo devem estar felizes com isso.

Guia da Semana: Então acha que evoluiu na carreira?
Otto: Se isso não for uma evolução eu não sei o que é. Porra cara, eu briguei com a imprensa, batia de frente e tudo isso faz bem, é saudável. Eu descobri que o jornalista passa e a imprensa fica. Então é preciso lidar com várias coisas diferentes.

Guia da Semana: Em 1989 você tocou nas ruas de Paris, como isso contribuiu para seu desenvolvimento musical?
Otto: Eu com 21 anos, um moleque com um parâmetro de mundo sendo Recife, sai de lá e fui atrás da namorada no Rio de Janeiro que logo foi para a França. Eu apaixonado fui também, com US$ 150 doláres e pensei: 'Puta que o pariu!'. Descobri a França, outras culturas, conheci o mundo lá. Eu tocava na rua, era bonitinho, fazia minha cara boa e não tinha roubada. Dominei uma língua que eu nunca teria dominado se não tivesse feito isso. Tudo influenciou no meu som. Meu sonho era ser cantor e fazer isso até em outra língua é demais. Lembro quando eu ouvia o Caetano cantando em inglês não entendia nada, mas achava lindo aquilo. Acho chique pra caralho, porque faço em francês. (risos)

Foto: Diego Dacax


Guia da Semana: Como você analisa o cenário da música brasileira hoje?
Otto: Muitas lacunas que o mercado fez ou amorteceu estão sendo ocupadas por caras bons das antigas. Arnaldo Antunes, por exemplo, está com disco aí. Me sinto hoje em uma geração bacana. Gosto do novo. Estamos tendo contato com músicas boas lá de fora, que os músicos têm mais condições de discutir sobre. O som brasileiro está sendo muito procurado e isso é ótimo.

Guia da Semana: Acha que os novos artistas estão sendo ícones para a juventude como foram Chico Buarque, Caetano, Gil, Roberto Carlos?
Otto: Sempre irá existir essa lacuna e temos muito que aprender com eles. Só quem observou muito bem a música popular brasileira, a poesia, é que irá reconhecer esses ícones. Mas pelo lado de primeiro acaso, a questão da rebeldia, liberdade, está tudo muito ligado a internet. Muitos adolescentes são hoje ícones para outros jovens desse mundo, mas chegar ao patamar desse outros nomes é muito distante. Segurar a onda os caras fazem, o interessante é ver se o cara se mantém. Se não fosse minha personalidade, por exemplo, hoje eu seria outra coisa.

Guia da Semana: O que ainda falta conquistar?
Otto: A tranquilidade para poder ajudar mais as pessoas que estão em volta de mim. Eu queria fazer muito mais shows para eles poderem trabalhar mais. Eu estou na dureza, meus percussionistas também. Quero trabalhar muito, porque tem muita gente boa em volta de mim que precisa e eu quero ser mais utilizado nesse país. Sou uma corda que eu mesmo estendi para muita gente e temos que puxá-la para uma escalada muito grande na vida. Quero ter tranquilidade para viver bem na minha velhice daqui uns anos.

Atualizado em 6 Set 2011.

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