Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

A poesia de Carla Bruni

Folk, chanson e Yeats: a receita da Primeira Dama francesa.

Para um texto sobre Carla Bruni Tedeschi Sarkozy ser (relativamente) curto, deve somente contar sobre um dos vários aspectos de sua vida. Logo, não vou falar sobre sua carreira como uma das modelos mais bem pagas dos anos 90 (quando existiam as top models; hoje não tem mais essa história). Também vai passar batido sua vida amorosa, que chegou até a ser pivô da separação entre Mick Jagger e Jerry Hall. E, com muita dor no coração, saber por que os jornais ingleses a elegeram como a "nova Lady Di" vai ter que ficar por sua conta, pois aqui não haverá espaço. A coluna é sobre a música de Carla Bruni.



Em 1997, Carla se aposenta do mundo da moda para se dedicar apenas à música. Faz uma participação aqui, compõe uma musica acolá, e apenas em 2002 lança seu primeiro disco, Quelq´un M´a Dit. Um disco em francês totalmente influenciado por cantoras do chanson, como Françoise Hardy e Jane Birkin (nota do colunista: dizem que o estilo de Carla é o neo-chanson. Isso não existe. Neo-chanson é igual ao antigo, só que gravado em mesa digital). Voz suave, e por várias vezes sussurrantes, encaixando perfeitamente nos arranjos simples de seu violão. Como, por exemplo, na faixa-título. Outra faixa que merece destaque é Raphäel, feita em homenagem a seu namorado na época (ou seria marido? Bem, prometi não falar sobre a vida pessoal dela).

Com Quelq´un M´a Dit, todos já conheciam o talento de Carla Bruni como intérprete. Era impossível não aguardar o seu próximo trabalho. Então, em 2007 é lançado No Promises, seu segundo disco. Agora, com arranjo mais pop, lembrando o folk velho de guerra (tão em voga entre a galera descolada aqui dos trópicos). Uma idéia interessante desse álbum é que, na verdade, ele é feito de versões musicadas para poemas de grandes autores, como Emily Dickson e William Butler Yeats. Deixo em destaque a calma Lady Weeping At The Crossroads, a um pouco mais "sofisticada" Promises Like Piecrust e o poema do já citado Yeats Those Dancing Days Are Gone (faixa que possui uma segunda versão com participação de Lou Reed).



Esses dois discos fizeram relativo sucesso na Europa (na França, ambos ficaram entre os mais vendidos), mas não são tão conhecidos no resto do mundo. Infelizmente, Carla não está fazendo shows ultimamente, pelo menos não enquanto for a Primeira Dama da França. Porém, a notícia boa é que um novo álbum está sendo gravado este ano. Provavelmente irá manter a mesma linha de seus antecessores, sem trazer nada de ousado. Mas, fazendo uma analogia com o mundo ao qual ela fez parte, a música de Carla Bruni representa a alta costura. O modelo clássico, com no máximo um detalhe aqui e outro ali. Normalmente, só isso já causa uma forte impressão nas pessoas.


Quem é o colunista: Daniel Monteiro
O que faz: baixista da banda Os Telepatas e proto-sommelier.
Pecado gastronômico: pastel de frango com catupiry
Melhor lugar do Brasil: Uma casa no campo onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros
Fale com ele: [email protected]



Fotos: Barhat Sikka/Myspace

Atualizado em 6 Set 2011.

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