Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

Aos meus queridos amigos

O colunista comenta sobre a arte de ter amigos.

Foto: sxc.hu


Noite passada tive um sonho que acreditem sempre tive vontade de ter: sonhei com meu enterro.

Antes de dormir havia assistido ao último capítulo da minissérie Queridos Amigos da Rede Globo. Fiquei com a imagem daquela despedida na cabeça. Da história e do protagonista, que ao longo dela via a necessidade de se despedir dos amigos depois que soube que sua morte estava próxima. Não eu que eu esteja na mesma situação, Deus me livre, mas assim que acabou o capítulo tive uma vontade absurda de sair ligando pra todos meus amigos. Desejo de ser mais presente, vontade de restabelecer contatos antigos, visitar aqueles distantes ou até mesmo bater na porta deles pra saber como estavam.

Antes mesmo do sonho já havia decidido que o tema da minha próxima coluna seria a amizade. Tão cantada e poetizada, houve os que aconselharam "a guardar um amigo do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a razão dissessem: Não!" E outros ainda na infância cantavam num balão mágico "os amigos do peito".

Engraçado que um personagem ainda da minissérie dizia ser do signo de aquário, assim como eu, falava que era o signo da amizade, do desprendimento, do amor a humanidade. Já comentei uma vez que uso esse espaço como terapia. Melhor forma de fazer auto-análise impossível! Tenho como característica uma necessidade de conhecer gente, de ter sempre pessoas do meu lado, não fico satisfeito no final do dia se não tiver conhecido uma pessoa diferente. Tenho um amigo que diz que se bobear se um dia for assaltado, faço amizade até com o ladrão.

Gosto de sair e misturar amigos de diferentes campos da minha vida. Às vezes coloco gente que não tem nada a ver um com o outro, fico sarcasticamente os observando e vendo surgir coincidências e assuntos em comum, mesmo que seja o gosto por uma bobagem qualquer. Quero meio que provar que pra se conquistar a amizade de alguém é preciso estar disposto em conhecer, em desvendar pessoas que não precisam ser uma cópia sua pra conquistar teu afeto, tua admiração.

Se hoje em dia as ferramentas da Internet como o orkut, e-mails e o MSN conseguem agrupar amigos que moram perto, longe ou até mesmo fora do país, acredito que assim como aproximam, também criam um distanciamento imposto pela facilidade e praticidade que este meio dispõe. Desejar feliz aniversário, por exemplo, ficou restrito a frases abreviadas nessas páginas pessoais.

Procuro ter sempre meus amigos por perto, não meço esforços em compartilhar de suas companhias. Claro que infelizmente, o preço em ter tantos acaba me fazendo sentir-me culpado em não poder ser presente com vários, que o trilhar da vida acabou me afastando. São Paulo é uma cidade peculiar por vários motivos, mas é impressionante a quantidade de pessoas que abandonaram suas cidades e famílias e vieram se aventurar aqui sozinhas. Procurando apartamento pra minha mudança fiquei surpreso com o fato de que a maioria dos imóveis é de apenas um quarto. Aqui até mesmo nas construções a solidão impõe sua presença. Estar sozinho aumenta em mim a necessidade de construir amizades.

Acabei nem falando do sonho. Não foi pesadelo não, acordei bem! Sensação... Bem não digo plena, mas leve. Estavam todos lá, engraçado como minha visão percorria todos aqueles rostos, alguns perdidos pelo tempo, amigos que ainda tinham a feição da infância. Até um amigo de escola que havia sofrido por ter sido separado pela classe B, enquanto ele tinha ido para a C estava ali.

Hoje acordei cedo, recordei do sonho e resolvi escrever e prestar uma singela homenagem a todos que fazem ou já fizeram parte da minha vida, que estão sempre prontos para estender um ombro amigo, pra me ouvir sem pedir nada em troca. Porque embora conheça muita gente, sei reconhecer quem são esses.

Como mencionei, tantos poetas e compositores já escreveram coisas lindas sobre a amizade. Não serei prepotente e tentarei criar uma frase pra sair em "Frases da semana" da revista Veja, melhor que isso prefiro sair agora e aproveitar o final da tarde ao lado deles. Faça o mesmo!

Quem é o colunista: Guilherme Gonzalez, administrador e ator do Pará para a Terra da Garoa.

O que faz: Um apaixonado pelas artes que largou a vida da administração para viver do teatro

Pecado gastronômico: comidas de mães.

Melhor lugar do Brasil: Praia de Pipa (RN) fora de temporada e bem acompanhado.

Fale com ele: [email protected]

Atualizado em 6 Set 2011.

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