Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

As polêmicas da Bienal de Artes

Nuno Ramos usou duas aves na composição de sua obra de arte, mas animais foram vetados da exposição.

Em 2008, a jovem gaúcha Caroline Pivetta da Mota, na data, com 24 anos, foi presa após pichar as paredes da Bienal de Artes de São Paulo como forma de protestar a proposta do evento, no pavilhão intitulado "Bienal do Vazio", onde artistas sem fama poderiam colocar suas idéias em prática.

Naquela ocasião, Caroline estava entre os 40 visitantes que pintaram as paredes do evento na data de estréia. Na denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo, a jovem foi acusada por destruir as dependências do prédio que é considerado patrimônio cultural do Estado.

Em igual desobediência, o taxista Rafael Vieira Camargo Martins, 27, cometeu o mesmo delito.

Em todas as edições da Bienal, o público aguarda qual vai ser a polêmica da vez. Este ano, os holofotes se voltaram para o artista recifense Gil Vicente, que desenhou a si próprio assassinando figuras públicas do gabarito de Fernando Henrique Cardoso, do Papa Bento XVI, e até mesmo o atual presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva.
 
Sobrou até para a Rainha da Inglaterra! Questionado sobre como foi "atirar" em figurões como Lula, Gil responde: "É fruto da minha indignação. São todos ladrões sujos".

O artista plástico paulistano Nuno Ramos também despejou sua dose de confusão para contribuir com as polêmicas que movimentam o evento e grudam os olhares do público nas diferentes formas de se expressar por meio da arte e trouxe um casal de urubus para representar a política brasileira, na instalação Bandeira Branca.

Com a discussão sobre o encarceramento dos animais, mesmo com toda a documentação em dia, eles foram retirados do local alguns dias depois do início da exposição.
 

Mesmo assim, deu tempo de alguns pichadores invadirem o lugar, cortarem a rede de proteção e escreverem "Liberte os urubu" (sic).

Além disso, logo que estreou, o evento precisou cobrir o mural que trazia imagens de Dilma e Serra, por causa da censura. A obra era do argentino Roberto Jacoby, numa  instalação intitulada "El Alma Nunca Piensa Sin Imagen".

Tatiana Blass, também artista plástica, contribuiu com sua intervenção e deu um banho de parafina num piano de calda durante um concerto de música clássica na abertura do evento somente para convidados. A proposta relatou um duelo entre a música e o silêncio, entre a arte e a violência e os vestígios de todas essas performance permanecem na Bienal até o fim da mostra, em 12 de dezembro.


Atualizado em 6 Set 2011.

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