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Por Redação Guia da Semana

Bodas de coral

Grupo Corpo celebra 35 anos de história com turnê especial. Saiba mais sobre a trajetória de um dos principais grupos de dança contemporânea do país.

Foto: José Luiz Pederneiras

Grupo Corpo em Lecuona, balé escolhido pelo público pela internet para ser apresentado na turnê comemorativa da companhia

34 coreografias, 14 récitas em repertório, 2213 apresentações, 80 espetáculos por ano, 34 país percorridos. Esses são alguns números que ilustram a trajetória de sucesso do Grupo Corpo, que neste ano completa 35 anos de atividades e acaba de iniciar turnê comemorativa. Com estilo único e linguagem própria, é considerada uma das principais companhias de dança contemporânea do Brasil. Além disso, o grupo mineiro ganhou grande reconhecimento internacional, e todo ano leva suas coreografias para diversas regiões do planeta.

"Esses brasileiros parecem ter o diabo no corpo", disse recentemente a crítica de Montreal, no Canadá, depois de assistir a Parabelo e Breu, espetáculos que integram o repertório do Corpo. Não é para menos. Desde 1975, o grupo busca um vocabulário próprio de dança por meio de muito trabalho e dedicação. "Para manter todos esses balés prontos, trabalha-se muito. São muitas horas de ensaio", diz Rodrigo Pederneiras, coreógrafo e também fundador da companhia ao lado de seu irmão Paulo, diretor artístico do grupo.

Construção do corpo

Foto: José Luiz Pederneiras

Cena de Ímã, espetáculo que integra a turnê comemorativa do grupo

Para Pederneiras, o percurso do Grupo Corpo pode ser divido em três fases. A primeira é marcada pela estreia de Maria Maria, que trazia música de Milton Nascimento, roteiro de Fernando Brant e coreografia do Argentino Oscar Araiz. "Naquela época, nós dependíamos artisticamente de outras pessoas. Convidávamos coreógrafo, músico, roteirista. A parte teatral também vinha de fora. Além disso, os trabalhos eram feitos sempre com roteiro, ou seja, a partir de uma história com personagens definidos", conta.

Na década de 80, Rodrigo assumiu a parte coreográfica da companhia e o Paulo tornou-se o diretor artístico. Então, eles passaram a trabalhar a partir de música clássica. Em 1985, chegava aos palcos o segundo grande marco da carreira do grupo: Prelúdios, leitura cênica da interpretação do pianista Nelson Freire para os 24 prelúdios de Chopin."Foi um período que dependia muito do que eu estava ouvindo na época. Foi uma fase de grande aprendizado para todos", lembra.

Mas a grande guinada começou em 1989, com estreia de Missa do Orfanato. Nessa época, iniciou-se a gestação de um vocabulário de movimentos únicos e de uma de uma identidade própria. Contudo, o grande divisor de águas foi 21, o balé que firmou a sintaxe coreográfica de Rodrigo Pederneiras e a persona cênica da companhia."A partir daí começamos a trabalhar com músicas especialmente compostas, convidando artistas para compor. Esses últimos anos deram a cara que o Grupo Corpo tem hoje", afirma.

Turnê de aniversário

Foto: José Luiz Pederneiras

Imagem de Lecuona

Para comemorar esse percurso de êxito, o grupo lançou a Turnê Brasil 2010, um programa especial composto pelos balés Lecuona (2004), escolhido pelo público através de votação pela Internet, que traz trilha musical do cubano Ernesto Lecuona, e Ímã (2009), com música do + 2 (trio formado por Moreno, Domenico e Kassin). Os balés são assinados por Rodrigo Pederneiras. O espetáculo já passou por São Paulo e visitará Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro e Brasília. Ainda este ano, o Grupo Corpo leva seis coreografias para cinco países.

Segundo Pederneiras, a turnê que percorrerá as terras brasileiras traz duas propostas antagônicas. "Nós abrimos a noite com Ímã, que é um trabalho feito mais de sensações do que emoções. A ideia é falar simplesmente de atração e retração. Já Lecuona é oposto disso, pois é um balé totalmente emocional. Ele tem uma delicadeza e um lado muito mais sensual", diz. Para ele, o segundo desperta sentimentos muito fortes no público, o que favoreceu a escolha pela internet. "Algumas pessoas choram em alguns momentos e riem muito em outros", completa.

Além do samba e do futebol

Apesar de 70 por cento das apresentações acontecerem fora do país, Pederneiras diz que a sensação de estar diante de espectadores brasileiros é singular. "Para nós, há uma intimidade maior quando nos apresentamos no Brasil. Parece que as pessoas são mais próximas", revela. De acordo com o coreógrafo, o público nacional aumentou muito nos últimos anos. "Hoje temos um público impressionante de dança contemporânea. Há muitas pessoas fazendo trabalhos de muita qualidade e, por isso, o público aumentou".

Em relação aos próximos projetos, ele afirma que não há nada certo. "A ideia é fazer alguma coisa com o compositor José Miguel Wisnik para o ano que vem, mas não tem nada confirmado ainda", diz. Mas o certo mesmo é que o grupo promete ainda emocionar muito o público brasileiro com as composições artísticas do repertório e mostrar que "o Brasil não é apenas a terra do samba e do futebol", como disse André Molinari, crítico do jornal espanhol El Ideal.

Atualizado em 6 Set 2011.

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