Guia da Semana
Arte
Por Guilherme Udo

Cassio Scapin dá vida a Diderot em O Libertino

Ator volta aos palcos na pele de Diderot em peça dirigida por Jô Soares no Teatro Cultura Artística.

O Libertino fica em cartaz no Teatro Cultura Artística Itaim (João Caldas / Divulgação)

Cassio Scapin, o eterno Nino de Castelo Rá-Tim-Bum, se volta para os palcos em peça com direção de Jô Soares. Na comédia O Libertino, o ator dá vida à Denis Diderot, renomado filósofo francês que não resiste aos encantos das mulheres. Em 2008, o ator havia assistido à uma leitura do texto em Paris, apaixonou-se por ele e, depois de dois anos, consegue trazê-lo ao palco do Teatro Cultura Artística Itaim.

Apesar de ser fantasia, a trama mistura personagens reais com fictícios e leva o espectador a se divertir, mas também questionar. "Todo humor é inteligente, se não for, não tem graça", opina Jô, ao explicar a dramaturgia da montagem, que ainda conta com o ator Daniel Warren e as atrizes Luciana Carnieli, Luiza Lemmertz (filha de Júlia Lemmertz), Tânia Casttello e Erica Montanheiro.

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O elenco foi apresentado a Jô Soares pela produção, mas ele é só elogios. "Eles tiveram a humildade de vir até mim fazer uma leitura. São incríveis, o trabalho é muito fácil!", conta. O diretor ainda faz graça ao dizer que Cassio sempre quis fazer essa peça para mostrar a bunda, já que em uma das cenas o ator fica nu.

Jô foi convidado por Cássio para ser o diretor da montagem e também o responsável pela tradução e adaptação do texto da peça, que é uma típica comédia de costumes comtemporânea. Ele conta que prezou por tornar o texto acessível, mas isso não significa vulgarizá-lo, o que fez foi tentar usar termos mais correntes na linguagem cotidiana.

Na trama, Diderot vai a zona rural para descansar, mas seu sossego é ameaçado quando o chamam para escrever o verbete "moral" para A Enciclopédia. É uma forma de discutir com humor a condição do homem e sua relação com a moral e os bons costumes. "A peça não é uma biografia, se passa num parênteses da história de Diderot. É uma ficção", conta Cassio.

Para dar vida ao filósofo, que na peça ainda mostra sua paixão fogosa pelas mulheres, Cassio diz que estudou as obras escritas por ele, muito mais do que analisou Diderot fisicamente. "Até porque o Jô não deixou", brinca, ao explicar que foi uma inspiração mais intelectual.

Em São Paulo, a montagem permanece em cartaz até o final de novembro e deve retornar no próximo ano para mais alguns meses de temporada, mas não há previsão de uma turnê pelo Brasil.


Por Guilherme Udo

Atualizado em 10 Abr 2012.

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