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Por Redação Guia da Semana

Como realmente é...

A figura do "nerd" é só aquela de uma pessoa que vive na frente do computador, usa óculos e vive isolado do mundo?.

Foto: Getty Images


Quando ouvimos a palavra "nerd", ela já vem carregada de muitos significados ocultos e imagens que automaticamente aparecem em nossa mente. Uma pessoa magra, usando óculos, que não sai de frente do computador e aparentemente não tem vida pessoal.

Porém, em seu novo livro A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao, o escritor Junot Diaz coloca em xeque esse estereótipo e mostra um ângulo diferente de uma pessoa considerada "nerd", através dos olhos do amigo popular. E o que o personagem e o leitor tiram de lição é que o problema não está nos "nerds", mas sim na visão e tratamento que oferecemos a eles. O livro ganhou o Pulitzer de melhor ficção em 2007 e o personagem de Oscar foi comparado a Holden Caulfield, do livro O Apanhador no Campo de Centeio.

O livro conta a história de Oscar, um "nerd" dos anos 80, aparentemente a pior época para ser considerado um. Obeso, inteligente, criativo e sem nenhum tato com mulheres, sua característica mais marcante era sua facilidade de se apaixonar. Qualquer mulher que desse o mínimo de atenção para Oscar já ganhava seu coração. Isso foi o motivo de seu maior triunfo e sua maior tragédia. A família de Oscar é da República Dominicana, porém mora nos Estados Unidos. A maioria de pessoas que vive em sua comunidade é também do seu país de origem, e o autor explica no livro que o culto à beleza e à força é muito forte nelas, o que piora a situação de Oscar, já que seus maiores atributos não são físicos.
É fácil gostar do personagem central e sentir pena dele também. Diaz o mostra como uma pessoa sensível, inteligente e que somente precisa que alguém acredite nele e ofereça amizade e carinho para que ele tenha força para aguentar os obstáculos que enfrenta. Porém todas as pessoas que entram em contato com ele se preocupam só em se melhorar através dele, sem oferecer nada em troca. Todos já conheceram um dia um Oscar Wao. O livro nos faz relembrar os momentos que passamos sendo Oscar Wao e os momentos em que tratamos um Oscar Wao da mesma maneira cruel em que ele é tratado.

A visão de fora que temos em relação a vida de Oscar é através de um amigo de sua irmã Lola, chamado Yunior. Ele é o oposto de Oscar e um verdadeiro Dominicano. Bonito, atlético e muito bom com as mulheres, ele vai morar com Oscar na universidade como um favor para Lola e uma oportunidade para conquistá-la. Oscar e Yunior se tornam amigos e Yunior tenta ajudá-lo com as mulheres e com a vida. O autor consegue mostrar bem a dificuldade que é ter a paciência para ajudar alguém como Oscar, que não consegue ver saída em sua situação e desiste facilmente de qualquer tentativa de se ajudar.

Ao longo do livro também lemos sobre Lola e a mãe de Oscar, Beli. As histórias da família são norteadas pela presença de uma maldição, o Fukú, que aparentemente receberam quando o pai de Beli confrontou o ditador Trujillo, que governou a República Dominicana por mais de 30 anos. As histórias de Beli e Lola rivalizam em tragédia com a história de Oscar, por motivos diferentes. O autor também fala muito sobre a história do país e de Trujillo, mostrando como seu governou afetou milhares de pessoas.

Uma passagem que nunca esquecerei do livro é a de Oscar, já formado e trabalhando como professor, montou um clube de ficção na escola em que trabalha, para finalmente encontrar pessoas que tem os mesmos interesses e encontrar alguma companhia. Após três dias esperando algum aluno aparecer após as aulas, sobressaltado a cada passo que ouvia no corredor, desistiu e foi pra casa no terceiro dia se sentindo mais sozinho do que nunca. Na verdade, eu gosto de pensar que se Oscar Wao existisse hoje, ele seria milionário e teria muitas mulheres ao seu lado.

Quem é o colunista: Formado em jornalismo, casado e trabalha em uma empresa de tecnologia.

O que faz: Gosto de assistir filmes, ficar em casa, ler, conhecer lugares novos e jogar videogame.

Pecado gastronômico: Sorvete de capuccino, feito em casa por mim e pela minha esposa.

Melhor lugar do mundo: Minha casa, em um sábado chuvoso, à tarde, com minha esposa, um computador e meus videogames..

Fale com ele: camposaraujo @hotmail.com ou acesse seu twitter.


Atualizado em 26 Set 2011.

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