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Arte
Por Redação Guia da Semana

Cores e ausência de pigmentos

Anotações Visuais de Aldemir Martins apresenta trabalhos do artista cearense.

Foto: Divulgação


O Espaço Cultural Citi, que tradicionalmente apresenta trabalhos de grandes artistas brasileiros, expõe até 19 de novembro as Anotações Visuais de Aldemir Martins (1922-2006). As obras, expostas na galeria de arte localizada na Avenida Paulista, são esboços e anotações feitas pelo artista com carvão, lápis ou nanquim. A maioria delas é inédita.

Apesar do belo uso de cores na obra de Aldemir, a ausência de pigmentos nos simples e despretensiosos rabiscos apresentados na exposição revela a essência de seu trabalho. É como se o desenho pudesse atingir em cheio o observador, sem que ele precisasse desvendar o que há antes do significado de uma forma rica e bela. A simplicidade torna ainda mais clara a percepção daquele momento captado através dos olhos do pintor.

Marcadas por traços fortes e cores vibrantes, as obras de Aldemir Martins são em geral inspiradas por elementos ligados à cultura popular nordestina, região onde o artista nasceu e cresceu. Nos cangaceiros, peixes, frutas, gatos, paisagens, galos e etc, pode-se enxergar uma identidade brasileira muito forte e expressiva. Tudo tão sincero e real, de uma maneira que só alguém que tivesse intimidade com aquele cenário pudesse retratar. Essa proximidade da sua arte com temas populares e regionais fez com que suas obras fossem utilizadas na abertura de uma novela e também como estampa em embalagens, pratos, xícaras, entre outros objetos.

Apaixonado por artes, Aldemir Martins passou pela cerâmica, gravura, ilustração, pintura, desenho, escultura e joalheria. E, em todas estas áreas, o pintor criou obras com muita originalidade, incrível utilização das cores e importantes ícones da cultura popular. Eis uma das razões que fizeram dele um dos artistas plásticos mais conhecidos entre o grande público brasileiro.

Em 1941, após sair do Exército, Aldemir fundou, com Antonio Bandeira, Inimá de Paula, Raimundo Cela e Mário Barata, o Centro Cultural de Belas Artes que, em 1944, veio a se tornar a SCAP - Sociedade Cearense de Artes Plásticas, em Fortaleza. A SCAP teve uma grande importância para a arte moderna naquela região, revelando artistas importantes, incluindo o próprio Aldemir Martins, e dando voz e solidez à arte cearense.

No ano de 1945, Aldemir foi morar na cidade do Rio de Janeiro, onde permaneceu durante um ano até se mudar para São Paulo, cidade na qual se estabeleceu após uma rápida passagem por Roma, entre 1960 e 1961. No Masp, onde conheceu Cora Pabst, sua segunda mulher, fez cursos de arte e foi também monitor do museu depois que estudou História da Arte. Depois de algumas internações, Aldemir Martins faleceu aos 83 anos na sua casa em São Paulo, em 5 de fevereiro de 2006, após um infarto.


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Atualizado em 6 Set 2011.

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