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Arte
Por Redação Guia da Semana

Duas comédias para três gigantes

As peças mostram situações cômicas do cotidiano - não sem um pouco de drama - com as quais o público se identifica facilmente.

Foto: Divulgação


Duas montagens que mostram o brilho de três atores estão em cartaz na cidade de São Paulo: Tango, Bolero e Cha Cha Cha, no Teatro Frei Caneca, com Edwin Luisi; e Seis Aulas de Dança em Seis Semanas, no Teatro Renaissance, com Suely Franco e Tuca Andrada. Em ambas as peças, elenco afiado e bom texto rendem gargalhadas da plateia.


Tango, Bolero e Cha Cha Cha

Comemorando 40 anos de carreira, Edwin Luisi sobe ao palco revivendo um personagem de grande sucesso que lhe rendeu os prêmios Shell, APCA, Mambembe, Quality Brasil e Governador do Estado do Rio de Janeiro. Na história, ele encarna Lana Lee, uma transexual que, um dia, se chamou Daniel. No passado, foi casado com Clarice (Cris Nicolotti) com quem teve um filho: Dênis (Jhonny Massaro). Dez anos depois de abandonar a família sem se explicar, ele - agora em sua versão feminina - retorna ao lar para explicar o sumiço e apresentar seu novo marido, Peter (Carlos Bonow), com quem mora na França. Já se imagina quantas risadas podem vir desta história, ainda mais com as confusões de Genevra (Carolina Loback), a empregada da família.

Com poucos minutos em cena, é fácil perceber por que Edwin fez tanto sucesso como Lana. O ator é um furacão em cena e consegue encarnar um transexual sem causar riso por isso. O humor vem de suas confusões como uma autêntica mulher, com um corpão - que atrai até o seu próprio filho -, dona de si e ainda bem resolvida. Análises técnicas à parte, é muito gostoso assistir à peça que é daquelas que diverte, é leve e faz você sair do teatro com um sorriso no rosto. E, antes que não sejam dados os créditos, o resto do elenco se sai muito bem. Cris Nicolotti é uma mãe que defende o filho e vive um conflito de amor e ódio pelo ex-marido com a qual muitas mulheres se identificam. Carolina Loback consegue o espaço que sua personagem precisa dentro da história, mas sem passar por cima dos colegas e roubar a cena, ou seja, acerta pelo equilíbrio. A direção de tudo fica por conta de Bibi Ferreira.

Seis Aulas de Dança em Seis Semanas


O texto desta peça já foi traduzido para 12 idiomas e é um dos mais montados nos últimos 50 anos. De uma forma gostosa, ele fala sobre lembranças, preconceitos, solidão e desencantos. Faz rir, mas também pode fazer chorar facilmente com seus pequenos, mas ótimos momentos dramáticos. E não deve existir atriz melhor para viver a protagonista Lily do que Suely Franco, com seu ar angelical e de fragilidade somado a um vigor cênico. Em quase duas horas de peça, ela solta o gingado ao lado de Tuca Andrada e dança brilhantemente, cumprindo com rigor as coreografias de Carlinhos de Jesus. Porém, não é só nisso que ela brilha nesta comédia de Richard Alfieri: o trunfo da atriz está em levar a plateia do riso a compartilhar a dor dos personagens em poucos segundos.


Tuca Andrada é o par perfeito para esta história. Em cena, é um professor de dança que, por trás de sua animação e vivacidade, esconde seus medos e sofrimentos. Junto com Lily, descobre como é bom viver e acreditar no ser humano. Depois de participar do grandioso musical O Rei e Eu, de Jorge Takla, cantando, dançando e se dando muito bem como um rei que tinha uma veia cômica, Tuca volta aos palcos em uma montagem simples que dá valor às características que defendeu no espetáculo anterior e consegue um resultado terno e primoroso.

Duelo de risos


Não poderia haver melhor presente para Edwin do que a remontagem de Tango, Bolero e Cha Cha Cha. A peça, que ficou um ano em cartaz no Rio, chegou a São Paulo com tudo para fazer muito sucesso. E Seis aulas de dança faz valer a máxima de que teatro é magia e deve mexer com o público de uma forma inexplicável. A poética e sincronia dos dois atores em cena rendem de tal forma que o público sai encantado.


São duas comédias diferentes e que devem ser prestigiadas! Oportunidade única de ver gigantes brigando em cena, não para ver quem é melhor, mas para brindar a plateia com a verdadeira arte.

Leia as colunas anteriores de Guilherme Udo:

Festival de Curitiba 2011

Muito além do humor

Quem é o colunista: Um pedaço da loucura desse mundo!

O que faz: Um radialista que trabalha como jornalista e se aventurou por outras áreas, como o teatro.

Pecado gastronômico: Frozen yogurt com granola.

Melhor lugar do mundo: Plateia de um teatro ao lado de amigos.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Complicado! Sempre vario muito, mas normalmente são trilhas de musicais da Broadway, como Spring Awakening.

Para falar com ele: Visite seus sites www.guilhermeudo.com, http://www.enteatro.com.br/ ou siga-o no Twitter.


 


 


Atualizado em 6 Set 2011.

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