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Arte
Por Redação Guia da Semana

Enigmático e perturbador

O Mundo Mágico de Escher, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo até 17 de julho, encanta ao apresentar obras que desafiam perspectivas e provocam ilusão de ótica.

Foto: Divulgação


Em pleno sábado de Aleluia, sob um calor de mais de 30º C, centenas de pessoas se aglomeravam em frente ao Centro Cultural Banco do Brasil, no centro de São Paulo, esperando sua vez para entrar no mundo mágico de Escher. O artista gráfico holandês conseguiu feitos semelhantes nas outras cidades brasileiras por onde a exposição passou, Brasília e Rio de Janeiro. Não tenho dúvidas que, mesmo com as altas temperaturas e as filas que se formavam ao redor de cada sala do centro cultural, as pessoas saíram felizes e provocadas.


Não é difícil entender o sucesso do trabalho de Escher no Brasil e em todo o planeta. O artista ganha rapidamente a atenção das pessoas ao apresentar obras que desafiam a visão e brincam com padrões. De crianças a idosos, Maurits Cornelis Escher conquista fãs fiéis, fascinados com suas experimentações visuais - lúdicas, quase delirantes, um tanto oníricas, conseguidas por meio de representações impossíveis, bidimensionalidade e planos infinitos. Democrático e com inegável cuidado técnico, Escher atrai até mesmo pessoas que dizem não entender ou gostar de arte. Ele mesmo não ligava quando acadêmicos questionavam se o que ele fazia era de fato arte, no sentido purista da palavra. Dizia que isso não importava; considerava-se um desenhista gráfico. Era, na verdade, um ilusionista, capaz de mexer com a imaginação das pessoas. Teve seu talento reconhecido mundialmente e perseguiu obsessivamente a perfeição em suas obras ao longo de mais de 50 anos de carreira.

Com 94 trabalhos entre gravuras originais e desenhos e curadoria de Pieter Tjabbes, da Art Unlimited, o acervo da mostra em cartaz no CCBB abriga também experiências interativas, para que o público possa entender os princípios aplicados nas obras, além de um filme em 3D. Logo na entrada, os visitantes já sacam a máquina fotográfica para testar as perspectivas de uma sala aberta, com o piso quadriculado. Aliás, bons cliques não faltam na mostra. É quase irresistível registrar os trabalhos; porém, fotos só são permitidas fora das salas. Isso não diminui o interesse dos visitantes, que demonstram realmente se divertir em O Mundo Mágico de Escher.


Nos três andares da mostra, as obras deixam visível o apreço do artista por paradoxos e provocam diferentes efeitos no espectador. Trabalhos como Desenho das Mãos, de 1948, no qual Escher provoca a sensação de que as mãos estão literalmente saindo do papel enquanto se desenham mutuamente, e Dia e Noite (1938), com aves pretas e brancas que se fundem, são alguns dos que fazem os visitantes perderem (melhor dizendo, ganharem), minutos a mais à frente das obras. Além de escadas e torres, imagens frequentes nas gravuras do artista, Escher trabalhava muito com répteis, peixes e aves, formando polígonos que se entrelaçam e confundem.


Desde pequeno, Escher, que nasceu em 1898 na cidade de Leeuwarden, na Holanda, filho de um engenheiro civil, demonstrava talento para as artes, apesar de ser um aluno mediano em outras matérias. Depois de cursar uma semana de Arquitetura, ele percebeu que o que queria mesmo era estudar artes gráficas. Estimulado por seu professor Samuel de Mesquita, que percebeu o talento do aluno, largou a faculdade e enveredou para a área. Logo estaria realizando todo tipo de experimentação visual. Influenciado pelas paisagens da Itália e de Alhambra, na Espanha, a carreira de Escher decolou nas décadas de 20 e 30, quando ficou famoso e passou a realizar exposições. Ele nunca deixou de se corresponder com De Mesquita, que foi assassinado em um campo de concentração na Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial. Escher morreu em 1972, aos 73 anos.


Gratuita, a mostra O Mundo Mágico de Escher permanece em cartaz no CCBB até 17 de julho, de terça a domingo, das 9h às 20h. Visite - você não vai esquecer da mostra tão rápido.


Quem é a colunista: Alguém que gosta de ouvir (e de contar) histórias.

O que faz: Jornalista.

Pecado gastronômico: Comida japonesa e qualquer prato que leve camarão.

Melhor lugar do mundo: Normalmente, me atraem lugares com culturas milenares, como Turquia, India, Marrocos...

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Rock clássico, MPB.

Para falar com ela: [email protected]


 


Atualizado em 6 Set 2011.

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