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Arte
Por Redação Guia da Semana

Evita

Tem algo de errado quando uma peça que se propõe a biografar uma personagem real tem em seu maior destaque e trunfo alguém que não é o biografado.

Foto: João Caldas


Concebido no Brasil por Jorge Takla, diretor com mais de 70 montagens no currículo teatral, o espetáculo Evita está em cartaz desde março no Teatro Alfa, em São Paulo. Ele traz a mesma história que foi levada ao cinema e se tornou mundialmente conhecida pelas mãos do diretor Alan Parker em seu videoclipe de mais de duas horas e meia de duração.

No filme, Madonna, Antonio Banderas e Jonathan Pryce davam vida e voz ao trio de protagonistas. Mesmo um pouco cansativo, o filme chegava a emocionar pela grandiosidade da produção.

Já no teatro, 45 atores, 22 músicos e projeções gigantes de filmagens da Evita real dividem o palco com Daniel Boaventura, Paula Capovilla e Fred Silveira como Perón, Evita e Che Guevara, respectivamente. Com versões das músicas em português, a peça é grandiosa, com números musicais bem coreografados e canções bem traduzidas.

Mas se o filme era de Madonna, a peça é de Fred Silveira. Seu Che Guevara, presente em quase todos os minutos de espetáculo, rouba todas as cenas e tem mais presença que a Eva Duarte de Paula Capovilla. A atriz é experiente em musicais, já tendo estrelado, entre outras, montagens de A Bela e a Fera e West Side Story no Brasil, mas não consegue transmitir a emoção necessária à personagem, que aparece quase despercebida em algumas cenas. 

Daniel Boaventura, ator e cantor conhecido no país por seus papéis em novelas, também é experiente no teatro. Com mais de dez musicais no currículo, dá a força e o poder ao político Perón com seu vozeirão grave.

Mas é mesmo Fred Silveira quem se destaca. Ator conhecido de diversos musicais ( West Side Story, Godspell - este, pelo qual recebeu o prêmio Qualidade Brasil de melhor ator, Les Miserables, O Fantasma da Ópera, My Fair Lady, Os Produtores e Avenida Q, para citar somente os mais conhecidos), Fred é, segundo o diretor Jorge Takla, o ator mais experiente do elenco. E ele demonstra isso em cena. Seu Che Guevara é um rockstar de primeira grandeza, que narra a peça com o vigor e a vitalidade que faltam à Eva Perón.

Pintada com cores mais políticas e menos românticas que o filme, a peça conta a mesma história, desde a infância pobre de Eva Duarte, até sua ascenção como "mãe do povo" e primeira-dama no governo populista de Perón.

Tecnicamente impecável, a montagem em seus cenários de projeção quase coloca a plateia dentro dos discursos e das manifestações populares, mas, apesar disso, ou talvez justamente por isso, acaba se tornando asséptica e não emocionando. As versões em português sequer chegam a grudar na cabeça, como acontece com as versões da montagem brasileira de Mamma Mia.

Infelizmente, a ópera-rock não empolga e fica aquele gostinho de que poderia ter sido mais, já que, mesmo um filme considerado não muito bom e estrelado por Madonna - e que foi considerado um dos maiores fiascos da história cinematográfica -, consegue emocionar e empolgar mais.

Leia a coluna anterior de Flávio St Jayme:

Piratas do Caribe

Quem é o colunista: Flávio St Jayme.

O que faz: Pedagogo de formação, historiador de Arte, empresário de profissão, artista plástico e escritor de realização, cinéfilo e blogueiro de paixão.

Pecado gastronômico: Batata frita, Coca Cola e empanados em geral.

Melhor lugar do mundo: Aquele onde a gente quer chegar. E a gente sempre vai querer chegar em algum lugar.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Sempre: Ludov, Matchbox Twenty, Maroon Five, Jay Vaquer, Belle & Sebastian, Coldplay, Robbie Williams, Pato Fu, Irreveresíveis, Glee, trilhas de filmes.

Para falar com ele: [email protected], ou siga seu blog, Twitter e Facebook.


 


 


Atualizado em 6 Set 2011.

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