Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

Gloriosamente desafinada...

Ou o suicídio da música por Florence Jenkins.

Foto: Divulgação

Acompanhar a carreira de uma diva musical é tarefa árdua e prazerosa para muitos músicos, considerando os respectivos elementos intrínsecos ao sucesso, tais como boa voz, talento e carisma. Que o digam os músicos que acompanharam a carreira de Edith Piaf. Creio eu que não haveria motivo para reclamações. E quando nenhum destes elementos está presente? E quando nos sobra, apenas, um desastroso trinar que faria o inferno congelar ou causaria o estouro de uma manada de búfalos?

"Gloriosa!" de Peter Quilter que estreou em janeiro, inaugurando o novo teatro do Fashion Mall, em São Conrado, nos traz justamente esta sensação de horror e riso fácil. Dirigida por Cláudio Botelho e Charles Moeller, a peça conta a história de Florence Foster Jenkins, uma cantora americana considerada a piada do meio musical, por nunca ter acertado uma única nota musical durante toda sua vida. Apesar disso, Florence tinha uma legião de fãs e lotava concertos por onde se apresentava. O texto do espetáculo privilegia os dez anos finais da vida da soprano, a partir da parceria com o pianista Cosmé McMoon.

Coube a diva Marília Pêra dar vida a Florence, emprestando toda sua experiência como intérprete e cantora. Marília, em grande atuação, defende uma Florence sublime e patética num retrato cômico de uma mulher que acreditava dentro de sua realidade ser uma grande cantora.

O elenco ainda é composto por Guida Vianna que se divide em três papéis - Maria, a empregada; Dorothy, a amiga; e Verinda, a mulher que humilha Florence durante um recital - e Eduardo Galvão no papel de Cosmé McMoon.

O espetáculo é garantia de riso fácil, tamanho o absurdo da vida de Florence. Os desafinos propositais de Marília Pêra são uma atração à parte.

O cenário de Rogério Falcão cumpre seu papel, com ambientes ricos e bem idealizados. Os figurinos de Kalma Murtinho são requintados e estão de acordo com a proposta do espetáculo. A iluminação de Paulo César Medeiros cria o clima ideal para as composições e tem papel fundamental em algumas cenas do espetáculo.As projeções em alguns momentos nos dão a sensação de nostalgia e um ar melancólico.

Claudio Botelho e Charles Moeller mais uma vez acertam a mão. Um espetáculo divertido, leve e despretensioso.

Leia as colunas anteriores de Celso Pontara:

A cabra ou o bode expiatório

O Relógio do Paulo Autran

A vida é Quase um Sonho

Quem é o colunista: Celso Pontara.

O que faz: Paulista, radicado no Rio, Celso Pontara é uma mistura de ator, dramaturgo e produtor cultural.

Pecado gastronômico: Bolo Negro e Tiramissú de Chaika.

Melhor lugar do Brasil: Paraty.

Fale com ele: capontara @uol.com.br ou acesse seu site

Atualizado em 6 Set 2011.

Mais notícias

Conheça a 'Transe', plataforma digital que promove e conecta agentes das artes visuais no Brasil

Arte

Cirque du Soleil lança site especial durante a quarentena; saiba tudo!

Arte

15 museus brasileiros para visitar online

Arte

8 lives de galerias e museus para você curtir arte em casa

Arte

Curitiba recebe visita de museu egípcio itinerante; saiba mais!

Arte

Google Arts & Culture disponibiliza tour virtual e coleções digitais do acervo do Museu Nacional

Arte