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Arte
Por Redação Guia da Semana

Hardcore em festa

Os shows da banda Street Bulldogs foram marcados pelo resgate de músicas mais antigas e a felicidade da galera.

Foto: Thiago de Oliveira


Duas noites memoráveis para o hardcore nacional. A banda paulista Street Bulldogs se reuniu após três anos para gravar um DVD ao vivo e, segundo eles, encerrar com chave de ouro a trajetória da banda.

Foi necessário abrir uma data extra (12/12), pois os ingressos do show da gravação (que se realizou apenas no dia anterior, 11/12), tinham se esgotado há mais de um mês. Fazia muito calor em Sampa e o tradicional Hangar110 contava com um detalhe novo - a retirada de uma pilastra de sustentação que ficava bem no meio da pista. Além dessa novidade, a casa estava toda equipada com a aparelhagem para a gravação: câmeras, grua, técnicos de som para captar o áudio, e tudo mais.

11/12
Antes de a banda subir ao palco, foi apresentado nos telões um teaser do que será o DVD. Um pouco das entrevistas, algumas cenas de ensaio e, no fim da apresentação do vídeo, a banda subiu ao palco. Sem mais demora, ela iniciou o show com Sweet threat, para delírio da galera.

O que se viu no palco durante as primeiras músicas foi uma espécie de chuva de pessoas pulando, enquanto no chão o Hangar inteiro se agitava sem parar, e sem nem se importar com o calor.

O clima amistoso da galera também ajudou a tornar o dia especial. Todos se ajudando, evitando que alguém se machucasse, agitando com consciência.  Galera essa que, em grande parte (eu ousaria dizer que 50% dos presentes), era formada de pessoas acima dos 22 anos. Eu mesmo vi muitas, muitas pessoas que não encontrava em shows há, no mínimo, cinco ou seis anos.

A banda tocou músicas de todos os discos, de surpresa foi Loser, que está presente no EP com a banda americana TurnDown, além de muitos clássicos conhecidos por todos os fãs da banda. We are the one, Don`t you remember?, Play the song again e Mas(s)ters fizeram a galera abrir rodas animalescas no Hangar. Call me at home é como se fosse o hino da banda e, obviamente, todos berraram, cantaram como sendo a última vez (na verdade como disse o vocalista Leo, seriam as últimas vezes... talvez).

De surpresa (pois não fazia parte do set) a banda tocou Red roses bouquet e Tarde demais ao voltar para regravar duas músicas ( Play the song again, Spider) pois não tinham ficado perfeitas para o DVD. Assim acabou o primeiro dos dois dias derradeiros (ou não) dos Street Bulldogs.

12/12
O domingo contou com shows de abertura da banda H.E.R.O., que mostrou seu hardcore melódico em inglês e muito bem executado, e também da banda Overlife Inc., com 15 anos de estrada, que enfrentou alguns problemas técnicos durante sua apresentação. Porém, esquentou muito bem a galera, tocando músicas de todos os seus álbuns e um cover da banda americana Comeback Kid.

A banda paulistana Hateen aproveitou para fazer seu tradicional show de final de ano, com um setlist especial só em inglês. Rodrigo Koala e Sonrisal, que também tocam no Street Bulldogs, fizeram uma verdadeira maratona, tocando tantas vezes em tão poucas horas.

Eis que chega a hora. Street Bulldogs no palco e setlist com algumas mudanças na ordem nas músicas. Play the song again abriu o show e, pelo resto dele, também houve novidades.

Sem as obrigações de ter de gravar nada, a banda estava um pouco mais solta no palco. Até o vocalista Leo - conhecido pelo seu temperamento ranzinza - parecia estar se divertindo. Diferente do show do dia anterior, ele estava mais agitado, lembrando um pouco os "velhos" tempos talvez.

A banda encerrou a apresentação com Spider e Tarde demais, e como disse o próprio Leo: "Quem tiver de matar saudade, mata agora. Quem tiver de curtir, curte agora, porque não sei nem quando e nem SE irá ter outro".

Obviamente todos entenderam o recado e participaram intensamente dos shows.

Como dito no início, foram duas noites fantásticas para o hardcore nacional. Uma das únicas e, talvez, últimas chances de os mais novos virem uma das bandas mais importantes que já tivemos, e os mais velhos relembrarem os tempos de verdadeira independência musical. O tempo que música era feita por quem gostava apenas e tão somente por amor a ela! GO BULLDOGS GO.
 
Leia a coluna anterior de Thiago de Oliveira

Experiência única


Quem é o colunista: Thiago de Oliveira, Thiagones.

O que faz: Tecnólogo em informática/desenvolvimento de sistemas, e músico quando me é permitido.

Pecado Gastronômico: Massa, molho e queijo!


Melhor lugar do mundo: O Meu Quarto.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Matisyahu Novo (disco Light), Snowing, Farside, I Shot Cyrus e algumas barulheiras.

Fale com ele: [email protected]


 


Atualizado em 6 Set 2011.

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