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Por Redação Guia da Semana

Irmãos - O Xingu dos Villas-Bôas

Entre as atrações, os visitantes assistem projeções audiovisuais em um espelho de água, mexem em um tacho com farinha de mandioca e entram em uma canoa.

Foto: Divulgação


A história brasileira carece de heróis. Nas aulas de História, somos apresentados a personalidades de caráter duvidoso, como os filhos de nossos colonizadores que pagaram a independência do país, mártires que lideraram revoluções que nunca existiram, militares que viraram nome de estrada e, claro, os bandeirantes que iam expandindo o território brasileiro às custas de muito sangue indígena.


Mas quem visitar a exposição Irmãos - O Xingu dos Villas-Boas, no Sesc Pompeia, em São Paulo, até o dia 7 de setembro, poderá conhecer mais sobre quatro heróis pouco conhecidos do grande público e com muita importância para o povo indígena.


Os irmãos Villas-Bôas Orlando, Cláudio e Leonardo largaram a vida na cidade grande para explorar o interior não desbravado do país. Em 1943, fizeram parte da expedição Roncador-Xingu, quando acabaram entrando em contato com diversos grupos indígenas que viviam no interior do Brasil.

O trabalho dos quatro é reconhecido como uma das maiores lutas pela proteção do povo indígena e acabou resultando na criação do Parque Indígena do Xingu, que completa 50 anos em 2011. A atuação dos irmãos Villas-Bôas trouxe o conhecimento do cotidiano das aldeias indígenas e rendeu grandes contribuições à antropologia brasileira.

A exposição do Sesc Pompeia é dividida em quatro partes: Os Irmãos, que fala do relacionamento entre os Villas-Bôas e seu irmão de campanha Noel Nutels; A Aventura, mostrando os pormenores da excursão; O Território, que traz mais detalhes das etnias que ocupavam a região; e Política, abordando a luta dos irmãos em defesa aos direitos dos indígenas.


A mostra usa projeções audiovisuais de uma forma encantadora: em um espelho d`água, um índio conta histórias do folclore indígena; nas paredes, fotos antigas são projetadas mostrando a grandiosidade da empreitada, além de cenas documentadas da excursão.


Mas o ponto alto é o contato que o público pode ter com objetos dos indígenas. Pode-se mexer em um tacho cheio de farinha de mandioca, entrar em uma típica canoa da região e atravessar uma pequena mata recriada com sons do local. Isso, aliado à iluminação e à ótima decoração da instalação, dão uma fantástica sensação de imersão no universo dos índios. Fica difícil não se render à jornada dos irmãos que conviveram com povos desconhecidos e acabaram por se tornar grandes padrinhos da luta pela proteção dos indígenas.


Para quem gostar do conteúdo da exposição, fica a boa notícia de que o diretor Cao Hamburger está adaptando a história dos irmãos junto com a produtora de Fernando Meirelles. A estreia do longa está prometida para o final do ano. Quem sabe com a chegada do filme, aliado ao aniversário do Parque do Xingu, os irmãos não sejam promovidos a verdadeiros heróis, ao lado dos duvidosos membros do panteão heroico do povo brasileiro.

Leia a coluna anterior de Edson Castro:

Guerra dos Tronos

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Atualizado em 6 Set 2011.

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