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Por Redação Guia da Semana

Joana d´Arc - a Virgem de Orleans

A versão do alemão Friedrich Von Schiller traz uma Joana d´Arc que morre no campo de batalha - e não queimada.

Foto: Lenise Pinheiro


Um texto lindo. Essa foi uma das sensações que tive sobre a peça Joana d`Arc. Encenado pela Companhia Teatro do Incêndio, a temporada, em cartaz no Teatro Bibi Ferreira, foi prorrogada até 1º de setembro. O texto do alemão Friedrich Von Schiller, inédito na versão brasileira, foi traduzido por Mario Vitor Santos e dirigida por Marcelo Marcus Fonseca, no papel de Dunois.

A peça retrata a vida de Joana d´Arc desde os rituais de infância diante da Árvore das Fadas até a libertação da França. Apesar da Cia. incendiar os palcos, na versão de Schiller, Joana d`Arc não morre queimada na fogueira e nem é submetida aos parâmetros da igreja, mas é perdoada em vida e tem uma morte triunfal no campo de batalha. Num último ato de heroísmo, livra-se das fortes correntes que a prendem e se salva.

A "Virgem de Orleans", codinome usado às vezes por ser chamada de donzela de Orleans, era descendente de camponeses, gente modesta e analfabeta. Ainda na adolescência, a jovem passou a ouvir vozes sagradas. Transitando entre a pureza, a dúvida amorosa por Lionel, interpretado por Thiago Molfi, e a vingança, Joana d`Arc de Schiller é a reafirmação do bom, do belo e do verdadeiro, filosofia de Kant, usada pelo autor.

A obra é visionária e um dos maiores sucessos de Schiller, representante fundamental do Romantismo alemão. Escrita em 1801, o autor já tratava Joana d`Arc como santa - e, de fato, em 1920, Joana d`Arc foi canonizada pelo Papa Bento 15. No seu texto, Schiller propõe uma reflexão sobre ética, amor, igualdade, paz e fé, assuntos importantes para os dias de hoje, já que a maioria das obras modernas trata o ser humano de forma destrutiva.

A peça de vanguarda francesa mostra um diferencial na adaptação da Cia: a substituição do tratamento coloquial para terceira pessoa (você), sem empobrecer a linguagem, uma forma de aproximar ao espectador de hoje. Joana d`Arc fascina muitos dramaturgos: tanto que existem muitas versões, entre elas as de William Shakespeare, Bertold Brecht, Voltaire, entre outros.

O grupo reúne 20 atores em um intenso trabalho corporal, vocal e de interpretação, para dar ritmo aos 160 minutos de peça e manter o espectador surpreso a cada fato apresentado em um intenso jogo cênico. Há uma grande energia entre os atores, e as transições entre o palácio e o campo de guerra acontecem de maneira criativa, com mudanças de luzes e intenções, para situar o espectador nas cenas.

O grupo trabalhou mais de um ano na montagem da peça, valorizando o processo de criação por meio da pesquisa. "O treinamento incluía um ciclo de leituras de outras obras", conta Wanderley Martins, que atua como o Arcebispo, além de ser também o diretor musical da Cia.

A peça mostra a coragem de Joana d`Arc com a verdade. A montagem é o resultado movido pela fé que ela proporcionou aos atores, intensamente interpretado por Liz Reis, que também tem grande participação na Cia. como co-diretora, coordenadora e figurinista, e que, além disso, desenvolveu a marca ideológica da peça, junto com André Latorre, que encena o Rei Charles.

Leia as colunas anteriores de Mônica Quiquinato:

TOC TOC

Corações de Poe

Buda

Quem é a colunista: Mônica Quiquinato.

O que faz: Mãe, jornalista e especialista em Comunicação Jornalística. Atualmente estuda teatro no Macunaíma.

Pecado gastronômico: Churrasco.

Melhor lugar do mundo: Minha casa.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Titãs, Legião Urbana, Led Zeppelin, Aerosmith, Metallica, Rush, David Bowie, entre outros.

Para falar com ela: [email protected]





Atualizado em 6 Set 2011.

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