Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

Mais do mesmo? Nem sempre

Não adianta reclamar e falar mal dos nossos artistas: tem gente fazendo música boa e música ruim tanto aqui quanto lá, onde quer que seja isso aí.

Foto: Sxc.Hu


Já reclamei do excesso de novos artistas, da web 2.0 e da chance irreversível que muita gente perdeu de guardar seus tchubarubas para si com a exposição que nosso século oferece. Mas não é que de tanto persistir a gente acha coisas boas por aí? Deparei-me com dois trabalhos autorais dignos de nota e crítica.

O primeiro deles é do carioca Moyseis Marques, com o álbum Fases do Coração. Sem aquelas descrições geniais que muitos críticos adoram impor para fingir erudição, é simples: samba. Com 13 faixas no total, oito foram compostas pelo artista.

O disco é coeso, sem grandes invenções. Com a produção de Paulão 7 Cordas, ficaria difícil ter um resultado diferente. A voz de Moyseis chama a atenção. Graves bem definidos, como pede um pouco da melancolia do gênero e do cantar arrastado, cheio de acidentes nas melodias. Pelo timbre, canta como gente (muito) grande: chega a lembrar Noel Rosa em Feitio de Oração, cantando "batuque é privilégio, ninguém aprende samba no colégio", ou ainda um Espelho, de João Nogueira ("E assim crescendo, fui me criando sozinho/ Aprendendo na rua, na escola e no lar").

Entre as canções, uma ótima versão para Subúrbio, de Chico Buarque. Já as composições próprias quase caem no lugar comum de apelar para a malandragem carioca que todo sambista tem que ter - versos com churrasquinho, futebol, pinga pro santo, Carnaval, o samba que fiz pra você estão aos montes no disco, mas não comprometem o trabalho. Para quem gosta de samba autêntico, com claras influências de grandes artistas, adicione Moyseis Marques ao seu playlist!

O outro é de uma banda independente: Lagarza, em seu primeiro álbum, Povoando Solidões. Não sei o que as pessoas têm contra o rótulo "pop". Insistem em colocar "-rock" no final. Jota Quest, por exemplo, seria muito mais interessante se eles não fizessem uma força para serem digeridos como uma banda de pop-rock. Pop não é demérito algum. E é isso que a Lagarza faz.

Quarteto clássico: baixo - bateria - guitarra - teclado. Onze canções, todas escritas e compostas pela banda. As letras contam histórias, muitas delas explicadas com depoimentos divertidos no site do grupo. Destaque para Nos Dias Em Que Sou Alguém, com uma introdução grudenta e melodia bem encaixada, e a faixa-título, a introspectiva Povoando Solidões. A baladinha Até Amanhã traz um certo romantismo disfarçado, mas na medida.

Apesar de algumas gafes (como na faixa O Pior Já Passou, na qual a introdução é igual ao solo de Give In To Me, de Slash e Michael Jackson, e há um exagero enjoativo de teclados em praticamente todo o álbum), o acompanhamento é adequado para o vocalista Artur: interpretações à la Michael Stipe, do R.E.M, sem grandes variações ou alcance vocal. Somando isso a uma pincelada da alternatividade de Jakob Dylan ( Wallflowers, mas sem a rouquidão forçada), o resultado mostra uma banda que está longe de ser uma revolução do ponto de vista estético, mas, por outro lado, não almeja isso: é pop, sem travestir-se de rock.

Ficam aí duas dicas. Cansados do mesmo? Que tal algo novo? Vá você de Moyseis Marques ou Lagarza. Divirta-se.

Leia as colunas anteriores de Rafael Gonçalves:

Um minuto e 12 anos de silêncio


Atualizado em 6 Set 2011.

Mais notícias

Google Arts & Culture disponibiliza tour virtual e coleções digitais do acervo do Museu Nacional

Arte

Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro disponibiliza online seu acervo de pintura com mais de 400 itens

Arte

B3 cede obras de grandes nomes do movimento modernista ao MASP

Arte

Inhotim lança duas novas exposições virtuais no Google Arts & Culture

Arte

Google Arts&Culture disponibiliza obras do artista plástico e militante político Antonio Benetazzo; saiba mais!

Arte

Agora você pode visitar a exposição dos 20 anos de Harry Potter em uma plataforma online do Google; saiba mais!

Arte