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Arte
Por Redação Guia da Semana

Metonímia brasileira

Filhos do Brasil, novo musical de Oswaldo Montenegro, retrata um painel vertiginoso e múltiplo do povo do país. Em entrevista exclusiva, o diretor comenta o projeto.

Foto: AC Junior/ Divulgação

Com humor, música e dança, Oswaldo Montenegro e sua Cia Mulungo abordam vários aspectos do Brasil

Uma montanha-russa emocional. É assim que o cantor, compositor e diretor Oswaldo Montenegro explica o ritmo frenético de Filhos do Brasil, seu mais recente musical. A peça estreou no 16º Festival de Teatro do Rio de Janeiro e foi premiada em cinco categorias - espetáculo juri oficial e popular, direção, iluminação e trilha sonora. Agora, ele próprio faz uma participação especial e sobe ao palco com a sua Cia Mulungo, em duas apresentações no Citibank Hall - 14 e 15 de janeiro -, em São Paulo.  A flautista Madalena Salles, sua parceira há mais de 30 anos, também estrela a produção.

Formado em 2008, o elenco reúne jovens de diversas regiões do país. O primeiro trabalho de Montenegro com a companhia foi o filme Léo e Bia, que estreou em 2010 e ganhou duas estatuetas no Cine PE Festival de Audiovisual (trilha sonora e atriz, com Paloma Duarte). Para retratar a diversidade dos integrantes, ele criou esse novo musical, que, de forma metonímica, representa o povo brasileiro. Em entrevista ao Guia da Semana, o diretor fala sobre a paixão por esse novo trabalho e conta como foi o processo criativo.

Guia da Semana: Como surgiu a ideia de fazer esse espetáculo para a estreia da sua Cia Mulungo?
Oswaldo Montenegro: Há dois anos, abri testes e escolhi essa galera. Por um acaso, cada ator era de um lugar diferente do Brasil. Então, comecei a escrever esse musical. Lançamos primeiro no Festival de Teatro do Rio de Janeiro e fomos super premiados. Com isso, ficamos animados. Fizemos também um DVD para o canal Brasil, com Jorge Mautner. A companhia ainda participou do meu filme Léo e Bia. Agora, resolvemos fazer uma apresentação em São Paulo em que eu me apresento junto com eles no palco.

Guia da Semana: E por que você resolveu participar do espetáculo?
Montenegro: Eu decidi atuar, tocar e cantar com eles nessa apresentação em São Paulo porque estou apaixonado por essa companhia. É um espetáculo muito bonito. A característica dele é a variação. Varia de ritmo, som, figurinos, luz, instrumentos. E eu fiquei muito empolgado com esse dinamismo e resolvi subir ao palco com eles.

Foto: AC Junior/ Divulgação

Mais de mil artistas vindos de todos os lugares do país foram submetidos a testes para entrar na Cia Mulungo

Guia da Semana: Como foi o processo de criação das músicas e de preparação para o espetáculo?
Montenegro: Foram dois anos de ensaios e treinamentos. Aos poucos, fui escrevendo esse musical. Há 70 por cento de músicas compostas por mim, 20 por cento que fiz com eles e algumas outras que tiramos do inconsciente coletivo brasileiro para que o povo reconheça as canções.

Guia da Semana: Nos testes, quais eram os principais requisitos para a escolha dos atores?
Montenegro: A primeira coisa foi a polivalência. São pessoas que cantam, dançam e tocam muito bem. Procurei artistas que tivessem esse perfil para que o espetáculo alcançasse essa dinâmica. Eles rodam vertiginosamente pelo palco. É como se fosse uma montanha-russa emocional.

Guia da Semana: Como sua experiência nos cinemas com Léo e Bia contribui para a peça? Mudou sua maneira de fazer teatro?
Montenegro: Contribuiu como aprendizado, mas não de forma específica. Até porque filmei no meio de 2008 e eles estavam começando na companhia. Então, teve uma influência como todo, mas não algo que eu possa destacar diretamente.

Guia da Semana: Mas você considera que o espetáculo ganhou alguma característica cinematográfica?
Montenegro: Talvez, mas o que caracteriza Filhos do Brasil é o ritmo frenético mesmo, pois o nosso país é assim. O Brasil é múltiplo. Existem diversos "Brasis". A peça tem humor, emoção, baião, samba. É um mistura grande. É quase que uma coisa neotropicalista, mas muito ensaiada.

Foto: AC Junior/ Divulgação

As letras e melodias do espetáculo demonstram a riqueza cultural do Brasil

Guia da Semana: Você foi contemplado com as estatuetas de melhor espetáculo, direção, iluminação e trilha sonora no 16º Festival de Teatro do Rio. A que você acha que se deve esse sucesso?
Montenegro: Eu não sei a que atribuir isso. Estou muito grato, pois foi um ano com muitos prêmios, em todos os setores das minhas atividades. Existe um estilo que tenho perseguido na hora de montar os musicais. Por alguma razão que desconheço, em 2010, esse estilo foi muito premiado.

Guia da Semana: Como você avalia o mercado de musicais hoje?
Montenegro: A Companhia Mulungo sai um pouco desse mercado, pois é como uma banda performática, pois todos são músicos, cantam e dançam. É um musical que foge do estilo Broadway.

Guia da Semana: Quais são seus próximos projetos com a companhia?
Montenegro: É um DVD que sai em abril, que vai ter o mesmo formato do espetáculo Filhos do Brasil. Depois dessas apresentações em São Paulo, vamos ficar editando esse material até o lançamento. Depois de abril, pretendo fazer uma turnê para mostrar esse trabalho.

Veja o vídeo de Filhos do Brasil




Atualizado em 6 Set 2011.

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