Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

Meus heróis morreram de overdose...

...e os meus inimigos estão no poder.

Foto: Sxc.Hu


Devia ser por volta da meia-noite quando estava chegando em casa naquela sexta. Logo na entrada da rua, avistei um grupo de moleques. Deviam ter uns 15 ou 16 anos no máximo. Estavam em três. Um deles segurava um violão e arriscando os primeiros acordes. De imediato, percebi que conhecia aquela música. Fazia tempo que não a escutava, mas seus acordes eram inconfundíveis.

Minhas lembranças foram lá atrás, quando tinha a idade daqueles ali sentados. Recordei-me das primeiras baladinhas em bares rocks, as camisetas pretas, vestidas como se fossem a camisa do time de coração, dos pôsteres das bandas prediletas.

Foi então que percebi que curtiam a mesma coisa que curti na minha adolescência. Não, isso não era bom! Nada no rock evoluira nessa década. Pararam no tempo. Talvez estivesse adormecido todos esses anos, à espera de que algum jovem, como aqueles malucos ali na calçada, armasse-se com guitarras disparando dós, rés, mis em direção ao sistema.

Nem os As cruzados pixados nos muros, representando o movimento da "Anarquia", eu nunca mais vi.

Desde meus velhos 15, 16 anos, pouca coisa relevante aconteceu no mundo do bom e velho rock n´roll. Vivi os últimos suspiros dele, ali, pelo meio da década de 90.

Acompanhei o nascimento e a morte precoce do movimento grunge, naquela bala rosto adentro do maldito Kurt Kobain. Pearl Jam tenta ainda dar vida ao estilo. Vez com algum sucesso, outras, nem tanto.

Foi mais ou menos no mesmo tempo que vi também nascer as boys bands. Backstreet, Five, N´Sync(...) Eram impagáveis as discussões de quem curtia rock com os que gostavam de qualquer outra coisa. Roqueiro não aceitava putz-putz-putz; samba, então (...) E o mesmo vinha do lado de lá.

Hoje, parece que está todo mundo no mesmo barco; furado, por sinal. Ligo o rádio e escuto Beyonce, e gosto; Rappa, gosto; Iron em uma rádio de clássicos, gosto; Madonna com Justin, o cara que era uma criança quando a moça lançou Like a Virgin, gosto também.

Mas nada dos acordes grosseiros com os ouvidos das velhas bandas de rock. A voz do James do Metallica já não assusta da mesma forma de quando eu tinha a idade do moleques lá de cima. Os agudos do Axel perderam a força, apesar de Chinese Democracy ter o seu valor.

A turma do putz-putz parece que conseguiu, enfim, vencer os caras do rock. Talvez seja por pouco tempo, já que ainda lembro de ter ouvido coisas interessantes como Linkin Park, Foo Fighters, Audioslave. Não, esse aí também ficou na memória.

Deixo claro que não sou, nunca fui e jamais serei um ´chautosista´ (junção de chato com saudosista). Tudo tem seu tempo. Afinal, se Beatles fosse lançado hoje, Paul e John seriam chamados de Emos.

(...) preciso chegar logo em casa. Está tarde. É quase meia-noite. Meus pais podem ficar preocupados. Irei chegar e abrir meu armário e pegar minha camiseta preta e escutar a música que o amigo estava tocando: Smells Like Teen Spirit.

Quem é o colunista: Rafael Andrade Jardim.

O que faz: Jornalista de gastronomia, autor do livro Dossiê Corinthians e aspirante a empresário.

Pecado gastronômico: Macarrão a alho e óleo com queijo ralado e mostarda.

Melhor lugar do Brasil: Interlagos.

O que está ouvindo no carro, iPod ou mp3: Chinese Democracy - GNR.

Fale com ele: [email protected]


Atualizado em 6 Set 2011.

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