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Arte
Por Redação Guia da Semana

Nem tudo o que reluz é ouro

A força do povo pode fazer com que ideias quase natimortas tornem-se excelentes.

Foto: Sxc.Hu


Dia 1º de julho pode ter sido histórico para os músicos. A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania aprovou a proposta do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) que isenta músicos de imposto sobre importação de instrumentos musicais.

Fantástico, em princípio. Um olhar de perto revela que "apenas músicos devidamente registrados no Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB)", e que a isenção será restrita a "um instrumento a cada cinco anos". O que isso quer dizer?]

É público e notório, no meio musical, que os Conselhos voltados a regulamentar a profissão são meramente ficcionais e ilustrativos. Pergunte a algum músico que você conheça: seja no barzinho, naquela balada ou acompanhando um grande show em sua cidade. Se ele já ouviu falar bem da Ordem, pelo menos no estado de São Paulo, ele é um dos poucos. Se ele tem algo bom a dizer a respeito da atuação do órgão, você achou uma agulha em um palheiro.

 Voltandoà parte prática da proposta. Para usufruir o benefício, o músico precisa estar registrado no Conselho. Conheço muitos que tem verdadeiro horror à ideia de se associar. De verdade. Caso você, leitor, não tenha visto, confira a matéria do Guia da Semana sobre irregularidades em São Paulo. Caso o órgão em seu estado seja transparente e atuante, parabéns ao Conselho, com minhas sinceras desculpas. Mas, com tantos atos secretos circulando pelos corredores do Senado, quem garante que a OMB está 100% isenta?

Outro fator é "um instrumento a cada cinco anos". Com certeza, uma arbitrariedade criada por quem fez o projeto e que, além de não tocar, inspirou-se no modelo de frotistas adquirindo automóveis. Um taxista dirige apenas um táxi por vez, claro. O músico, não. Sendo guitarrista, já cheguei a efetuar três trocas de instrumento durante um show de duas horas, entre guitarras e violões, para diferentes músicas, assim como um dentista troca suas brocas ou um médico precisa de utensílios.

Um exemplo mais famoso e profissional: assista ao DVD Hell Freezes Over, dos Eagles, com a lendária versão de Hotel California. O desfile de violões, guitarras e baixos é um show à parte nos intervalos das canções.

Logo, o que faremos com um singelo instrumento a cada cinco anos? E, durante todo esse tempo, ficamos pagando a anuidade do Conselho para quê, exatamente? Ainda não li o texto integral da proposta. É uma boa iniciativa? Sem dúvida. Mas será que isso não vai acabar como a CPMF, que deu lugar ao IOF? No lugar da taxa de importação, criar-se-á outra taxinha? Afinal, o brasileiro sempre paga a conta. Sendo músico ou não, ajude-nos, autografando virtualmente a petição. Ajuda muito mais do que aquele couvert que você paga, que é cobrado ilegalmente e nunca vem integralmente para nosso bolso, sabia disso?
Quem é o colunista: Countryboy louco por Michael Jackson. Umroqueiro apaixonado por Big Bands. Um bluesman que ouve Haydn eStrauss para dormir.

O que faz: Jornalista do Guia da Semana, compositor, violonista e cantor.

Pecado gastronômico: Chocolates, churrasco (feito por mim) e molhode alho caseiro da vó!

Melhor lugar do Brasil: Qualquer um que comporte a equação praia +violão + amigos.

O que ele ouve no carro, em casa e no IPod: Darius Hucker, Fito yFitipaldis, Django Reinhardt.

Fale com ele: [email protected] acesse o site da sua banda!


Atualizado em 6 Set 2011.

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