Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

O pequeno frasco

Como no dito popular, "nos menores frascos encontram-se os melhores perfumes". Até na música, mas sem preconceitos.

Foto: Divulgação


Se algum internauta corajoso já leu minha descrição, percebeu que não tem tempo feio comigo: seja rock, reggae, mpb, música clássica. Onde há sustenidos e bemóis, me chama que eu vou, como diria Sidney Magal. Em uma dessas empreitadas musicais, recebi um CD com predicados curiosos e que, em muitos, já causariam o famoso pé-atrás: o artista em questão já havia composto e gravado para Belo, KLB, Buchecha, Karametade. Assim é Juninho Araújo, com Coração e Alma.

Corajoso, depois de certa insistência e despido do preconceito que permeia alguns desses nomes, dei play. O trabalho duplo inclui um CD e um DVD, tudo ao vivo. Logo no começo, gritos de "Juninho, eu te amo" prenunciam uma breguice sem fim. Para minha (boa) surpresa, a breguice acabou aí, aos 5 segundos.

A primeira canção, Canta, cuja letra promete levantar o astral, não empolga tanto. Mas gruda que é uma beleza. Bem pop, com vocais e metais surpreendentemente bem arranjados (marca essa que persistiria até o fim do álbum). Na mesma linha, porém mais romântica e bem melhor acabada, Mensagens de Amor combina letra na medida, melodia simples e um belo e profundo piano.

Há, também, algumas participações, como a de Vanessa Jackson, em Diz Que Me Ama. Mesmo para quem não gosta de pagode, convido: ouça a versão de Belo e, em seguida, a de Juninho com Vanessa. Ambos dão verdadeiro show de interpretação, fugindo dos vocais chorosos e soprosos do pagodeiro. De fato, Juninho e sua obra estariam muito melhor sem Belo.

Músicas no estilo MPB puro são a maioria, como Sem Stress e Estou Morrendo Aos Poucos - essa, uma bela balada violão e voz. Contrastando com esse gênero melodioso, Caras e Bocas, Você Brincou e Pega o Beco flertam com o funk, com pegada contagiante, e são os grandes destaques. Aquele famoso e famigerado pagodinho, porém com uma roupagem black e bem menos melosa, também se faz presente, com Flash Back (participação de Ricardo Anthony, do Sampa Crew) e Loucuras de Amor, a única faixa que realmente destoa do disco, com uma manjada e enjoativa abertura de saxofone.

Com essa mistura, Juninho constrói, em 18 faixas, um "cardápio" variado para todos os gostos e tipos de música brasileira. Não vale a pena perder tempo rotulando-o como pagode, mpb ou o que quer que seja. Para quem gosta de Ana Carolina, Jorge Vercilo, Djavan, Pedro Mariano e afins, vale (e muito) a pena. Boas canções, voz afinadíssima, ótima presença de palco e uma simpatia que faz com que o público seja parte de todo o show.  Se você é daqueles que, como eu, crê que a saída para os Cds e shows caríssimos está nos músicos independentes e surpreendentes, confira Juninho Araújo.

Quem é o colunista: Countryboy louco por Michael Jackson. Umroqueiro apaixonado por Big Bands. Um bluesman que ouve Haydn eStrauss para dormir.

O que faz: Jornalista do Guia da Semana, compositor, violonista e cantor.

Pecado gastronômico: Chocolates, churrasco (feito por mim) e molhode alho caseiro da vó!

Melhor lugar do Brasil: Qualquer um que comporte a equação praia +violão + amigos.

O que ele ouve no carro, em casa e no IPod: Darius Hucker, Fito yFitipaldis, Django Reinhardt.

Fale com ele: [email protected] acesse o site da sua banda!


Atualizado em 6 Set 2011.

Mais notícias

Google Arts & Culture disponibiliza tour virtual e coleções digitais do acervo do Museu Nacional

Arte

Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro disponibiliza online seu acervo de pintura com mais de 400 itens

Arte

B3 cede obras de grandes nomes do movimento modernista ao MASP

Arte

Inhotim lança duas novas exposições virtuais no Google Arts & Culture

Arte

Google Arts&Culture disponibiliza obras do artista plástico e militante político Antonio Benetazzo; saiba mais!

Arte

Agora você pode visitar a exposição dos 20 anos de Harry Potter em uma plataforma online do Google; saiba mais!

Arte