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Arte
Por Redação Guia da Semana

O valor das obras

Saiba porque o preço de determinados quadros e esculturas vão além do prestígio do artista.

A última Bienal de São Paulo, realizada em 2008, deixou como herança uma dívida de R$ 4 milhões. Este ano, o presidente Heitor Martins não só pagou a conta como conseguiu superar em três vezes o dinheiro gasto na última mostra: R$ 30 milhões no orçamento da exposição de 2010.

Foto: Getty Images

Mas, afinal, quanto vale uma obra de arte? O que está incluso nos valores exorbitantes a que pinturas e esculturas são vendidas? Vincent van Gogh, que teve uma vida seguida por fracassos, depois de morto - por suicídio, acabou entre os artistas mais caros do mundo. Ao contrário dele, as telas de Alfredo Volpi foram desvalorizadas após o falecimento do pintor, em 1988.

Isso tudo porque não é apenas a imagem em si que faz o preço ser maior ou menor. As variáveis incluem ainda custo de execução, especulação e prestígio em torno de determinada obra.

O advogado João Carlos Lopes dos Santos é autor do Manual do Mercado de Arte e explica que podem coexistir três preços diferentes para a mesma obra de artistas contemporâneos. Isso porque estão envolvidos os valores do ateliê, o preço pago pelo profissional do mercado ao artista e aquele resultante da análise profissional. Saiba mais em sua página oficial.

Quando o assunto é mais geral e envolve obras antigas, há ainda a questão dos materiais envolvidos, valor gasto com o transporte e tipo de mão de obra empregada, entre diversos outros fatores. Desenhos, aquarelas e gravuras, por exemplo, podem sair mais em conta do que as pinturas a óleo. A escala do mais caro para o mais barato segue esta ordem: óleo e acrílica; guache ou têmpera; aquarela, pastel, lápis de cor; desenhos com nanquim, carvão, sanguínea, sépia, lápis; gravuras.

Foto: Getty Images


Época mais criativa de determinado autor e tamanho da obra também podem influenciar o preço, assim como o valor histórico daquele artista, no caso de ter participado de algum tipo de movimento ou exposição importante.

E todos esses aspectos acabam sendo analisados no leilão, onde a briga para ficar com o trabalho levanta bastante dinheiro. Mas, atenção! O mercado varia muito, de acordo com o momento, e informar-se antes de uma compra é mais importante do que atacar diretamente as obras de artistas mais badalados naquele determinado instante.

Este ano, o leilão do quadro que trazia a segunda mulher de Pablo Picasso - Marie-Thérèse - foi arrematado em oito minutos e seis segundos pelo preço de US$ 106,5 milhões. De qualquer forma, o artista produziu mais de 43 mil obras em toda sua vida e nem todas têm o mesmo valor.

Refletindo sobre o preço de uma obra para as pessoas comuns, o correspondente do New York Times Alan Riding escreveu: "será que posso ter o mesmo sentimento pela escultura de uma dançarina chinesa, produzida em massa para turistas e que me custou US$ 50 em Xian, que por uma pequena deusa indiana genuína, por quem paguei US$ 7 mil há 15 anos, num antiquário? Como eu me sentiria se ambas fossem roubadas? Emocionalmente, eu sentiria a mesma falta das duas esculturas, porque me acostumei a olhar para elas na estante".



Atualizado em 6 Set 2011.

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