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Arte
Por Redação Guia da Semana

Ode ao ódio

Aclamada pela crítica e com elenco de estrelas globais a peça Deus da Carnificina traz à tona as relações humanas de forma bem-humorada.

Foto: Guga Melgar

Verônica (Deborah Evelyn) Alan (Paulo Betti); Michel (Orã Figueiredo) e Anete (Julia Lemmertz) vivem dois casais em conflito

A confusão do dia a dia, o estresse e, principalmente, a briga constante para fazer parte ou se manter em um patamar de poder prometem arrancar gargalhadas da plateia nos palcos paulistanos. Com elenco de peso e um enredo que ressalta as relações humanas e a quebra das regras de comportamento, o espetáculo Deus da Carnificina estreia no Teatro Vivo, em São Paulo, após uma bem-sucedida temporada no Rio de Janeiro.

A peça tem a direção de Emílio de Mello, que recentemente encenou o espetáculo premiado In On It, e o texto é da argelina radicada na França Yasmina Reza. O enredo mostra um conflito entre dois casais, interpretados por Deborah Evelyn, Paulo Betti, Julia Lemmertz e Orã Figueiredo, que se encontram para resolver um incidente envolvendo seus filhos pequenos: um deles quebrou dois dentes do outro em uma briga.

Aparentemente o impasse é civilizado. Porém, quando os politicamente corretos resolvem liberar seus instintos mais primitivos, o que era uma conversa educada se transforma em um campo de batalha, que resulta em diálogos para lá de estressados e ironicamente divertidos. O texto já foi encenado na Europa, Estados Unidos e Broadway, onde recebeu três prêmios, e pretende, agora, mexer com os ânimos dos paulistas.

Foto: Guga Melgar

Paulo Betti e Deborah Evelyn durante uma discussão em Deus da Carnificina

Limites do ser

Alan (Paulo Betti) e Anete (Julia Lemmertz), Michel (Orã Figueiredo) e Verônica (Deborah Evelyn) são personagens distintos, que carregam características peculiares, com as quais o público pode se identificar. A autora Yasmina Reza afirma que o intuito é desnudar o comportamento da classe média. "Escrevo um teatro de tensão, porque as tensões nos governam. Meus personagens são pessoas educadas que pretendem manter a compostura. Mas também são impulsivos, não conseguem manter as regras que impuseram a si mesmos. E é precisamente essa luta contra si mesmo que me interessa".

Encenada pela primeira vez em 2006, em Zurique, Deus da Carnificina arranca elogios de críticas de todo o mundo e prêmios de destaque no meio teatral. Na Broadway, a montagem teve no elenco grandes nomes como Jeff Daniels, Hope Davis, Marcia Gay Harden e James Gandolfini, e recebeu em 2009 três prêmios Tony, considerado o maior do gênero. Em 2008, a montagem chegou ao Teatro Gieguld, em Londres e também foi premiada como melhor comédia. E no mesmo ano, em Paris, teve direção da própria Yasmina.

Considerada pela crítica uma das maiores autoras teatrais da atualidade, seu primeiro grande sucesso surgiu nos anos 90 com a peça Arte, que veio ao Brasil. Um dos últimos textos de Yasmina apresentados por aqui, O homem Inesperado, foi dirigido também por Emílio de Mello, em 2006, e teve no elenco Paulo Goulart e Nicette Bruno

Foto: Guga Melgar

Orã Figueiredo e Julia Lemmertz vivem Michel e Anete no espetáculo

Recentemente, a temida critica teatral Bárbara Heliodora fez elogios ao espetáculo e, de acordo com o diretor Emilio Mello, é sempre bom e importante ter um trabalho reconhecido. "A boa repercussão só aumenta a responsabilidade para mantê-la. No teatro, o trabalho nunca está pronto, se sentimos que ele está pronto é porque tem alguma coisa errada", comenta.

O diretor afirma não ter utilizado referências das montagens feitas fora do país na sua produção e, inclusive, nem as assistiu. "Não teria a menor graça, para mim, usar a referência de um outro espetáculo". Já em relação a estreia na capital, o diretor se diz confiante. "São Paulo é a melhor praça teatral do país, portanto temos sempre uma grande expectativa para uma longa temporada".

Trabalho em equipe

Em cartaz com a peça, Paulo Betti está também na minissérie Lara com Z, da TV Globo, e, segundo ele, o tema central do enredo é totalmente cotidiano. "A vida nos mostra todos os dias que somos como na peça: basta a chapa esquentar que atacamos o outro e viramos bicho".

Foto: Guga Melgar

A peça mostra o descontrole de dois casais, que defendem seus filhos e colocam em xeque os valores das famílias

Famoso por grandes personagens na telinha, Paulo foi convidado por Emílio a fazer parte do elenco. "Ele é um grande diretor, transforma o ator e mexe com a gente, por isso, consegue resultados surpreendentes". Já Emilio Mello diz que o elenco é a essência da peça. "Trabalhar com grandes atores é sempre um imenso prazer. Mas eles não são só grandes atores, são companheiros de criação e a alma desse trabalho", ressalta.

Ainda de acordo com o ator Paulo Betti, a televisão utiliza o aprendizado dos palcos e serve para ampliar o público do artista. "O tablado é o lugar mais humano para um ator. Lá ele pode resolver as coisas sem interferências tecnológicas, afinal, não dá pra desligar um ator na tomada", acrescenta.

Serviço:
Local: Teatro Vivo
Preço: R$ 50,00 (sexta e domingo); R$ 70,00 (sábado).
Data: De 15 de abril até 12 de junho de 2011.
Horário: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 19h.

Atualizado em 6 Set 2011.

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