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Arte
Por Redação Guia da Semana

Pai intelectual

Cinéfilo e amante de literatura, foi na sua vida que ele encontrou a situação mais marcante: a paternidade.

Foto: Thinkstock


"É um homem sábio o que conhece a seu próprio filho". Para o perfil que estamos apresentando, não há verdade maior do que nesta frase escrita por William Shakespeare. Pai tardio, o administrador Carlos Alberto Xavier Borba, 61 anos, não se restringiu à cultura de sua época e correu atrás da vida acadêmica e profissional antes de constituir uma prole. Aos 32 anos, depois de realizar os projetos pessoais e de alcançar uma estabilidade financeira, intuiu com a esposa que estava na hora de levar a cabo uma ideia que mudaria para sempre sua concepção de vida: gerar um filho.

Na época, o espaço antes reservado para as obras de Machado de Assis, Alberto Camus e Jorge Amado passou a ser dividido com as noites maldormidas, as primeiras descobertas, os choros e risos de seu primogênito Carlos Eduardo. A segunda filha, Cristiane, veio em um momento de maior segurança, mas nem por isso menos surpreendente. A menina provou que não existe amor paterno que não possa ser compartilhado com mais um rebento.

Com os filhos crescendo a cada dia, o cotidiano e os compromissos mudaram rapidamente. Peças de teatro infantis, como Pequeno Polegar, entraram em cena no lugar de textos consagrados. Sessões de Steven Spielberg e Alfred Hitchcock foram intercalados com filmes da Walt Disney e dos Trapalhões. Embora a mudança assuste um pouco no começo, os momentos compartilhados compensam qualquer coisa. "O prazer de ser pai é indescritível. Acho que é uma realização que todo ser humano deveria ter", assume.

A relação crescia com base no diálogo e na amizade. Enquanto os filhos iam para a escola ou faziam atividades como natação ou balé, o pai estava no trabalho. No fim da jornada, sempre sobrava tempo para acompanhar as descobertas, falar sobre o dia a dia e passar momentos juntos.

O fim do casamento separou o casal, mas não distanciou os filhos dos pais. "Optamos pela guarda compartilhada, na qual a cada semana eles ficavam na casa de um de nós. Isto foi ideia do psicólogo deles e não cortou os laços que existiam entre a gente. Quando ficaram maiores, decidiram por conta própria vir morar comigo", revela.

Embora cada um com sua programação montada, os almoços de domingo e até o cineminha não foi esquecido. Assume que tentou fazer o seu melhor. "Não existe uma cartilha para se seguir. Acho que o principal é analisar o que seus pais fizeram de certo e errado, manter o diálogo como base da relação e dar liberdade, mostrando as consequências que as atitudes tomadas possam levar", aconselha.

Com a liberdade para escolhas sempre difundida, cada filho escolheu seu rumo. O mais velho formou-se em webdesign e a filha é publicitária. Agora, com os filhos caminhando para passar pelo mesmo momento em que esteve, há 29 anos, confessa: "É a melhor coisa da vida, porque é uma relação onde existe cumplicidade e amizade. Dentro de um relacionamento maduro, esses fatores só contribuem para aumentar o amor".

Na TV

O pai intelectual Ronnie Von

Foto: Arquivo Pessoal

O cantor com os filhos no ano-novo de 1989. Da esq. para dir.: Alessandra, Leonardo (no colo), a esposa Cristina e Ronaldo que, como a irmã, é filho do primeiro casamento.

Assim como o administrador Carlos Alberto Xavier Borba, entre as celebridades também não faltam exemplos daqueles pais intelectuais, com uma pitada de tradicional. Entre os representantes dessa categoria está o cantor e apresentador Ronnie Von, de 67 anos, que tentou ser piloto e chegou a estudar economia antes de estourar nas rádios, na época da Jovem Guarda.

Sua experiência como pai teve início no primeiro casamento ao lado de Arethusa, com quem teve dois filhos. Tudo corria bem até que, em 1975, o casal se separou e ele, pioneiramente, assumiu a guarda das crianças. "Fui pai e mãe em uma época em que isso era absolutamente fora do padrão", explica. "Se levarmos em conta que eu fui um pai com a guarda de filhos, nos anos 70, isso foge - e muito - da noção usual de pai tradicional".

Na época, Ronnie Von diz que virou assunto nos tabloides e que teve toda sua vida pessoal exposta ao julgamento público nas páginas das revistas de fofoca. Volta e meia ouvia que era egocêntrico e que toda criança deveria ser criada ao lado da mãe. Tal experiência como pai e mãe resultou no livro Mãe de Gravata, lançado em 1990. Já a ideia de apresentar um programa feminino veio através do amigo Washington Olivetto. Atualmente, ele apresenta o programa diário Todo Seu, na Rede Gazeta.
 
Pai e inspiração

Para Ronnie Von, o próprio pai é uma grande inspiração, justamente por considerá-lo exemplo de dignidade, caráter e um dos homens mais inteligentes e cultos que já conheceu. "Até hoje ele é meu grande amigo e minha referência. Ele é uma criatura adorável, que graças a Deus é muito presente em minha vida".

Ainda no começo de sua carreira de cantor, Ronnie Von diz não recebeu o apoio do pai, que era totalmente contra sua carreira artística. Porém, quando seu filho caçula, Leonardo, assumiu a carreira musical ele conta que também foi contra. "Eu não queria que meu filho passasse pelos problemas e dificuldades que passei", explica. Tudo mudou quando Ronnie teve uma conversa com seu pai. "Ele me disse: não cometa com o seu filho o erro que eu cometi com você!"

Foi naquele momento, segundo o cantor, que ele percebeu estar reproduzindo a mesma história que tinha acontecido em sua vida. "A partir daí, virei o maior incentivador da carreira do Leo, que modéstia à parte, é um dos músicos mais talentosos que eu conheço. Vocês ainda irão ouvir falar muito dele!.



Se o seu pai é como Carlos ou Ronnie Von, certamente vai adorar conferir as últimas novidades em museus, centros culturais e livrarias. Aproveite o roteiro que fizemos e convide o paizão!









Atualizado em 1 Dez 2011.

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