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Arte
Por Redação Guia da Semana

Presente para o público

Espaço dos Parlapatões e Teatro Oficina fazem aniversário e fortalecem a cultura popular de São Paulo.



Um está completando dois anos, o outro, mais maduro e tradicional, 30. Porém, apesar da grande diferença de idade, o Espaço dos Parlapatões e o Teatro Oficina têm muito em comum: os dois foram criados por amantes da cultura, abrem espaço para novos grupos e, principalmente, os preços dos ingressos não são exorbitantes.

A história dos Parlapatões começa entre 1990 e 1991, quando o ator Hugo Possolo, cansado do tipo de teatro que fazia para o público infantil nas escolas, resolveu se dedicar ao teatro de rua. "Apesar dos textos serem de qualidade, achava tudo muito burocrático, por isso resolvi mudar a minha vida. Comecei a investir na figura do palhaço e trabalhar com espetáculo de rua. Chamei uns amigos e fundei o grupo Parlapatões", relembra Hugo.

Aos poucos, a companhia foi crescendo e se estabelecendo no meio artístico. "Durante anos fazíamos apresentações nas ruas e em espaços onde éramos convidados. Quando fomos ficando conhecidos surgiu a idéia de procurar um lugar fixo, onde pudéssemos fazer nossas apresentações e abrir espaço para novos grupos.", explica o fundador.

Segundo Possolo, os locais mais cobiçados eram Vila Madalena e Pinheiro, bairros boêmios paulistanos, mas outro ponto da cidade chamava atenção, a Praça Franklin Roosvelt, no centro da cidade. "Era um local de efervescência cultural, que estava renascendo e sendo revitalizado. O Satyros e a Companhia de Teatro Cemitério de Automóveis (ambos grupos teatrais) já estavam lá, era perfeito pra gente", completa Hugo. Por existirem outros teatros na mesma praça podia acontecer uma disputa pelo público até causar um mal entendido entre os seus participantes, mas o que aconteceu foi exatamente o contrário. "Não podia ter feito escolha melhor. Fomos muito bem recebidos pela nossa vizinhança. Nunca rolou uma disputa entre a gente, muito pelo contrário, sempre que dá trabalhamos juntos, principalmente com o Satyros", conta o ator.

O lugar, que antes habitava uma padaria, há dois anos se transformou em teatro e vem conquistando cada vez mais freqüentadores por seus preços populares. "Por semana acontecem mais de 200 espetáculos diferentes na cidade de São Paulo, mas a maioria deles tem preços altíssimos, os ingressos no Parlapatões não passam de R$ 30,00", argumenta.

Para comemorar os dois anos, os Parlapatões lançaram um selo editorial homônimo dedicado a livros que tratam do tema teatro. O primeiro livro é o Avesso da Comédia, escrito por alguns dos mais atuantes dramaturgos de São Paulo, entre eles: Jandira Martini, Juca de Oliveira, Luís Alberto de Abreu, Mário Bortolotto, Mário Viana, entre outros, a pedido dos Parlapatões cujo tema era a arte da comédia. Com a intenção de debater, de forma divertida, as preocupações que passam na cabeça dos comediógrafos, comediantes, humoristas e palhaços, antes, durante e depois da elaboração de suas obras. O resultado foi uma série de peças, na maioria cômicas, que colocavam em cena a visão de cada autor sobre a função social do humor. Uma maneira engraçada de debater questões sérias sobre a importância de seu próprio ofício.

O livro será distribuído gratuitamente para Casas de Cultura, Bibliotecas Municipais, dos CEUs e de Escolas de Teatro, públicas e privadas, além de grupos teatrais, profissionais e vocacionais, na intenção de ampliar o alcance das discussões propostas. Além disso, Hugo Polosso pretende publicar textos teatrais e teóricos sobre teatro, além de registros dos eventos realizados nestes dois anos.

30 anos de Teatro Oficina
Teatro Oficina Uzyna Uzona, ou simplesmente Teatro Oficina, foi criado em 1978. Porém a Companhia foi fundada em 58 por um grupo de alunos da Escola de Direito do Largo de São Francisco, sendo um deles José Celso Martinez Corrêa, hoje o principal diretor. O grupo ganhou destaque por ter absorvido, na década de 60, toda a experiência cênica internacional e foi neste lugar que seria lançado na cultura brasileira o que ficou conhecido como Tropicalismo, estética ligada ao movimento antropofágico de Oswald de Andrade, que influenciou músicos, poetas e outros artistas.

Atualmente, o maior projeto de Zé Celso é construir um Teatro de Estádio no Bairro do Bixiga, em São Paulo, onde também funcionaria uma escola para as crianças e moradores do bairro, realizando o antigo vislumbre da Ágora.

Até hoje, Zé Celso e o Teatro Oficina enfrentam uma briga com o poderoso Grupo Silvio Santos que pretende construir um shopping center nos arredores do teatro Oficina. Mas o teatro resiste bravamente e alimenta a cultura do país.

Atualizado em 6 Set 2011.

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