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Arte
Por Redação Guia da Semana

R & G Estão Mortos

Além de decorar as falas dos personagens, entender a sua essência foi o que trouxe uma nova realidade para a atriz.

Foto: Gustavo Guerra


Uma experiência fantástica e enriquecedora com o teatro do absurdo e o realismo em uma comédia plena de aprendizagens. A peça R & G Estão Mortos foi apresentada em julho deste ano. Escrita pelo tcheco Tom Stoppard, foi dirigida por Lucas De Lucca e criada por um elenco de 19 atores.

Tom Stoppard nasceu na República Tcheca e começou a trabalhar como jornalista aos 17 anos. A partir daí, começou a escrever peças para rádio e televisão. Ganhou prêmios importantes do teatro americano e o Oscar pelo roteiro de Shakespeare Apaixonado. Em 1967, estreou no teatro Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos, considerado, até os dias de hoje, uma obra prima da dramaturgia moderna.

R & G Estão Mortos foi uma decisão em grupo de abreviar ainda mais o título da peça. A obra original tem uma duração média de três horas de espetáculo e o nosso desafio foi transformá-la para uma peça de uma hora e vinte minutos. Seguindo a técnica do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, havia momentos de distanciamento do personagem, deixando claro que aquilo era teatro, e não a realidade.

O texto transforma dois personagens secundários da peça Hamlet, de Willian Shakespeare, Rosencrantz e Guildenstern, nos personagens principais de uma comédia. Ros e Guil, como são apelidados, são dois cortesãos bem vestidos, e cada um deles possui uma bolsa de couro para moedas. A descrição inicial da peça mostra um texto típico do teatro do absurdo, em algum lugar à espera de algo que não se resolve. Hamlet, Trágicos, O Ator, Claudios, Gertrude, Polonius, Ofélia, entre outros personagens, fazem parte da trama, além do Alfred, claro, um rapaz vestido de mulher, dão o colorido da peça.

Quando pesquisamos sobre a obra e o autor, deparamos com grandes surpresas, inclusive os vários pontos de vista. No primeiro entendimento, levamos em consideração que Ros e Guil estavam mortos porque se negavam a despertar para a realidade, pois nunca estiveram vivos. Então, iniciamos os trabalhos acreditando nessa versão, até chegarmos a outro rumo do texto: Ros e Guil estão mortos no sentido de estarem em apuros ou fritos, pois iriam morrer.

Desde fevereiro de 2011 estávamos estudando qual o texto seria a melhor opção para o semestre e o porquê da escolha. Foram horas e aulas de discussões sobre Calígula, Laranja Mecânica, O Pato Selvagem, Para Acabar de Vez com o Juiz de Deus, entre outras opções, até o diretor elaborar uma imensa tabela das experiências e desejos de cada ator. E ele chegou à brilhante conclusão de que éramos um grupo com vontade de montar uma comédia realista sem que percebêssemos isso.

A escolha dos personagens também foi submetida ao método do diretor aliado à vontade dos atores. Foram quatro duplas de Ros e Guil, pois eram textos gigantes e um espaço curto de tempo para decorarmos até chegar ao resultado esperado. Quando soube que eu faria o Guil, sabia do trabalho pela frente. E foi com muito suor, dedicação e entendimento pleno do texto para representá-lo, o corpo precisava estar disponível: afinal, tratava-se de uma comédia.

Depois das apresentações, tivemos uma avaliação individual e de grupo e percebemos que havíamos entendido a proposta e, melhor, nos divertimos. Havia valido o esforço de todos. Lembro-me de que, a cada dificuldade, o diretor sensivelmente mudava a tática dos ensaios, confortava e incentivava os atores. Uma criatura incrível, com sentimentos humanos difíceis de se encontrar nos dias de hoje. E acredito que o grupo também sinta isso. Obrigada Lucas.

"Não é difícil entender a arte moderna. Se ela trava em uma parede é uma pintura, e se você pode andar em torno dela é uma escultura" - Tom Stoppard.

Leia  as colunas anteriores de Mônica Quiquinato:

Joana D`Arc - a Virgem de Orleans

TOC TOC

Corações de Poe

Quem é a colunista: Mônica Quiquinato.

O que faz: Mãe, jornalista e especialista em Comunicação Jornalística. Atualmente estuda teatro no Macunaíma.

Pecado gastronômico: Churrasco.

Melhor lugar do mundo: Minha casa.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Titãs, Legião Urbana, Led Zeppelin, Aerosmith, Metallica, Rush, David Bowie, entre outros.

Para falar com ela: monica_q[email protected]






Atualizado em 6 Set 2011.

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