Guia da Semana
Arte
Por Rafaela Piccin

Relembre artistas e obras influentes da Semana de Arte Moderna de 22

O Guia da Semana revê o período que completa 92 anos.

Alguns dos nomes mais importantes do modernismo no Brasil: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, entre outros (Divulgação)

Semana de Arte Moderna no Brasil ocorreu em São Paulo no ano de 1922, de 13 a 18 de fevereiro, no Teatro Municipal da cidade. Apesar do nome "semana", o evento ocorreu em cinco dias, de segunda a sexta-feira. Cada dia da semana foi dedicado a uma técnica: pintura, escultura, poesia, literatura e música. Apesar de não ter tido grande repercussão na época, o evento marcou o início do modernismo no Brasil e tornou-se referência cultural do século XX. 

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Para comemorar os 92 anos da Semana de Arte Moderna, o Guia da Semana relembra alguns artistas e suas obras. Confira:

 

Oswald de Andrade

O escritor, ensaísta e dramaturgo brasileiro foi um dos promotores da Semana de Arte Moderna, tornando-se um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro. Oswald foi considerado como o elemento mais rebelde e inovador do grupo. Foi o autor dos dois mais importantes manifestos modernistas, o "Manifesto da Poesia Pau-Brasil" e o "Manifesto Antropófago", além do livro "Pau-Brasil", a primeira obra de poesias que se distanciava do romantismo.

 

Mário de Andrade

Outra figura imprescindível para a Semana de 22 foi Mário de Andrade e suas múltiplas facetas: poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta. A publicação de seu livro "Pauliceia Desvairada" é peça-chave para a poesia modernista brasileira e, dessa forma, o autor exerce enorme influência na literatura.

 

Anita Malfatti

 

Anita ficou mais conhecida por suas pinturas, mas também foi professora no Brasil. Sua contribuição para a arte moderna no País começou com sua primeira exposição individual de pintura, em 1914, seguida por outra, em 1917. Sofreu duras críticas de Monteiro Lobato mas permaneceu pintando à sua maneira, com claras influências pós-impressionistas trazidas da Europa. 

 

Tarsila do Amaral

 

Tarsila configurou a linha de frente na pintura modernista brasileira, ao lado de Anita Malfatti. Seu quadro mais famoso é Abaporu - significa "homem que come carne humana" -, de 1928, que inaugura o movimento antropofágico (de "digerir" e incorporar outras culturas) no Brasil. 

 

Menotti del Picchia

Menotti del Picchia fecha o Grupo dos Cinco, formado por ele e os quatro artistas citados anteriormente. Juntos formaram o grupo mais influente dentro do movimento modernista brasileiro. Menotti se destacou como escritor, sendo seus livros mais famosos "Juca Mulato" (1917), "Máscaras" (1920) e "A Angústia de D. João" (1922), entre outros. 

 

Graça Aranha

 

Graça Aranha foi escritor e diplomata brasileiro, e um dos organizadores da Semana de 22. Devido aos cargos que ocupou em países europeus, esteve a par dos movimentos vanguardistas que surgiam e tentou introduzi-los na literatura nacional. Por isso, rompeu com a Academia Brasileira de Letras em 1924. Apesar de sua estranha conferência intitulada "A emoção estética da Arte Moderna", apresentada no primeiro dia da Semana, tudo correu calmamente. O rebuliço veio depois. 

 

Manuel Bandeira

Um dos principais eventos na Semana de Arte Moderna foi a leitura do poema "Os Sapos", representado acima. A obra critica duramente a estética e termas parnasianos, e foi extremamente vaiada pelo público. Bandeira também publicou o livro de poemas "A Cinza das Horas", considerado um dos principais antecedentes da Semana de 22.


Heitor Villa-Lobos

Este foi o principal expoente da música do modernismo no Brasil. Usou elementos de canções populares e indígenas para compor músicas com referências a culturas regionais. Durante a Semana de 22, o dia de sua apresentação foi o mais tranquilo da semana. O público já era menor e tinha mais respeito pelos artistas, até que Villa-Lobos entrou de casaco, com um sapato num pé e um chinelo no outro. O público interpretou a atitude como desrespeitosa e vaiou o artista. Mais tarde, o maestro explicou que o traje foi por conta de um calo inflamado (será?).


Por Rafaela Piccin

Atualizado em 6 Fev 2014.

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