Guia da Semana
Arte
Por Redação Guia da Semana

Rosa De Vidro

A colunista analisa a peça dirigida por Ruy Cortez.

Rosa De Vidro é uma peça toda especial, começando por seu horário nada convencional para uma apresentação de teatro, no Espaço dos Satyros. Segundo as palavras do diretor Ruy Cortez, é um horário que permite um almoço fora de casa antes da peça, e após, uma balada para curtir entre os amigos!

Apesar de fazer o coração sangrar com o sumo do espetáculo, a peça nos faz valer a vida em nosso mais alto estado de vigor mental e físico.

Foto: divulgação


Ao entrar para as acomodações do teatro, percorremos o cenário por traz, e nele está instalada a atriz Julia Bobrow, sentada por debaixo de um aparato versátil de acrílico, representando vidro, como se dá no nome da peça Rosa de Vidro. Este aparato, que no decorrer da peça compõe o lustre de sua residência e a metáfora pelo cristal, faz uma alusão à delicada saúde de Rose. Essa idéia é facilmente transmitida por conta do elaborado início.

A instalação da personagem e o início da peça já acenam para a densidade da história familiar que virá no decorrer; como um ápice, retrata a vida de Rose, internada em um sanatório após uma operação de lobotomia pré-frontal.

É uma história bastante sensível, com momentos limites, expostos substancialmente pelos personagens da peça. Após um casamento destruído por demasiado trabalho dado por Rose, sua mãe é incumbida de responsabilidades em cuidar ininterruptamente dela. A atuação de Victoria Camargo como mãe, é defendida com uma força que produz efeito desejado. Emociona ao contracenar, e nesta oposição, extrai a dimensão real do problema pelo qual se passa a cena.

A peça é uma coleção de fortes momentos lembrados por Tom na visita à irmã ao sanatório. Os flashbacks nos apresentam a convivência de Tom com a irmã enquanto eram jovens, e todas as conseqüências afetivas na vida dele. Interpretado com intensidade e realismo por Tales Penteado.

Foto: divulgação


A relação de Tom em casa era imprescindível para sua mãe. Após o histórico de abandono de seu pai, houve uma sobrecarga emocional de sua mãe em lidar com a filha esquizofrênica.

Tom era um rapaz trabalhador que gostava de escrever e, inclusive perdeu seu emprego por escrever poemas nas caixas do estoque de seu trabalho. Seu colega Jean, que Ricardo Gelli representa de forma divertida, faz o contraponto com a personalidade intensa de Tom e à atmosfera familiar. Quase semelhante a um anjo, Jean interfere na rotina desta família e traz promessas de vida a esses corações.

Esta peça de João Fábio Cabral faz uma compilação de textos autobiográficos de Tenesse Willians, que resulta em A Rosa de Vidro. A peça é muito recomendada para aqueles que estão a fim de uma imersão emocional. É um ambiente familiar conturbado por um grave incidente na saúde de uma jovem. O roteiro é excelente bem como as interpretações. Verifico apenas uma fragilidade no papel de Julia Bobrow, que apesar de traduzir o drama mental de sua personagem, peca na representação da esquizofrenia, pois não traz a tona o corpo em crise.

Quem é a colunista: Renata Bar Kusano.

O que faz: Publicidade e Propaganda na Faap, e estudante do último ano de teatro na Escola Célia Helena e participo de oficinas de criação.

Pecado gastronômico: Massas, todas suas formas e seus molhos.

Melhor lugar do Brasil: Jericoacoara (CE)

Fale com ela: [email protected]


Atualizado em 6 Set 2011.

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