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Arte
Por Redação Guia da Semana

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Amor, companheirismo, brigas e cobranças: as delicadas relações familiares são o tema do espetáculo Outono e Inverno . Confira!.

Por Flávia Faccini

A família reunida: uma relação recheada de amor e ódio

"Não existem famílias que não venham, a um só tempo, do trono e da lama" . A frase do escritor mineiro Pedro Nava é um bom exemplo da permanente relação de amor e ódio entre familiares. Esta ambigüidade é o ponto central da peça Outono e Inverno, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, após temporadas no Rio de Janeiro e em Brasília.

A história se passa durante um jantar em uma casa de classe média, onde uma família resolve levantar a poeira que estava embaixo do tapete há tempos. O clã é formado pelo marido, Erik, papel do veterano Sergio Britto, a esposa Margareta, interpretada por Suely Franco e as duas filhas do casal, Ann e Ewa, vividas respectivamente por Denise Weinberg e Emília Rey.

Sérgio Britto: patriarca
Com direção assinada pelo diretor Eduardo Tolentino de Araújo, um dos fundadores do Grupo Tapa, o texto do sueco Lars Norén, inédito no Brasil, é pontuado por um sarcasmo que vez por outra choca a platéia, embora as situações sejam de fácil identificação. "Todo mundo já teve, uma vez na vida, vontade de xingar a mãe, mas quem é que tem coragem?", pergunta Denise Weinberg. "São pensamentos que a sagrada família brasileira burguesa não costuma verbalizar" , complementa Tolentino.

O diretor teve contato com Lars Norén em 2000, quando dirigiu um grupo de atores poloneses em uma montagem de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. "Na mesma época, esses atores também estavam se apresentando com um texto de Lars que eu achei magnífico. Passei a pesquisar sobre ele e fiquei encantado com suas peças" , conta Tolentino, que deseja trazer aos palcos outro espetáculo do autor, O Amor é tão Simples.

Em Outono e Inverno os conflitos familiares, que normalmente ficam ocultos por frases enviesadas e sutilezas, aparecem retratados de maneira crua, sem nuances. E que atire a primeira pedra quem nunca teve que comparecer a um almoço familiar recheado de ironias veladas e cobranças maternas.

O jantar em família: momento de prazer ou mera convenção?

A intenção do espetáculo, porém, não é buscar uma solução para os problemas levantados. "Não tem lição de moral, nem conclusão. O que a peça faz é apenas mostrar a mesma história contada de acordo com quatro visões diferentes" , afirma Sergio Britto.

O que mantém esta família unida, ano após ano? "A estrutura na qual nós fomos criados nos condiciona a isso. Nós fazemos questão de nos reunir no Natal e aí ficamos magoados com os presentes que ganhamos, com as ironias que ouvimos... E estamos lá no Natal seguinte" , lembra o diretor.

Não é à toa que o termo família venha do latim famulus, que significa escravo doméstico. Sueca ou brasileira, como se vê, elas são muito parecidas na essência -ainda que não admitam.

* Fotos: Divulgação.


Atualizado em 6 Set 2011.

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