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Arte
Por Redação Guia da Semana

TOC TOC

Os atores representam tão bem os personagens que têm o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) que a plateia acaba até se identificando com alguns deles.

Foto: Flavio Torres


TOC TOC está em cartaz até o dia 3 de julho, no Teatro Gazeta, com exibições de sexta a domingo. A peça aborda de maneira divertida o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), uma doença que atinge parte da população mundial. É uma comédia francesa de sucesso em outros países e a montagem brasileira não fica atrás: já foi vista por mais de 200 mil pessoas em 450 apresentações. Em 2008, estreou no Teatro Cultura Artística em São Paulo, e passou pelo Teatro Leblon, no Rio de Janeiro.

A montagem da versão brasileira é dirigida por Alexandre Reinecke. O texto foi originalmente escrito por Laurent Baffie, um dos principais nomes da comédia francesa contemporânea, e adaptada por Clara Carvalho. O elenco atual é formado por Andréa Mattar (Branca), Ariel Moshe (Fred), Carolina Parra (assistente do médico), Cynthia Falabella (Lili), Didio Perini (Bob), Gustavo Vaz (Vicente) e Sandra Pêra (Maria). Em temporadas anteriores, tiveram passagem também renomados atores.

O espetáculo mostra o encontro de seis pessoas com um tipo de TOC, na sala de espera de um consultório. O médico se atrasa para atender os pacientes e nisso a trama se desenvolve em meio a crises, brigas e muitas risadas. Com humor, o texto trata das dificuldades de cada tipo de TOC e a maneira de lidar com eles. Ariel Moshe analisa que os sintomas dos transtornos são infinitos. "As pessoas pouco se percebem. Se pensarmos, todos temos manias e nos identificamos com algumas delas", analisa.

Esses pacientes ansiosos pelo tratamento, sem perceber, iniciam uma terapia de grupo para enfrentar as horas de espera pela chegada do especialista. Os atores brilhantemente dão as características aos personagens: Branca tem mania de limpeza; Maria, religiosa, sempre acha que esqueceu tudo aberto, Lili tem o hábito de repetição; Bob é fanático por simetria; Vicente não consegue parar de fazer contas e Fred sofre de uma síndrome que o faz dizer palavras obscenas constantemente.

A peça é dinâmica e faz os atores conduzirem as ações com rapidez, exigindo muita técnica. Destaques para as personagens da repetição de frases e a de falar palavras obscenas, pois o ator não conduz de forma apelativa. Duas cenas são interessantes quando se inicia um jogo para passar o tempo sugerido pelo taxista Vicente, o que exige agilidade dos atores, e a outra é quando os integrantes são conduzidos a uma terapia individual. Cada personagem apresenta seu monólogo com suas expectativas e ansiedades.

Os figurinos são de Carol Badra, justificando o realismo do espetáculo. O cenário de Márcia Monn diz respeito à ambientação de um consultório todo revestido por persianas brancas e uma grande estante. Adequado, eficaz e estático, não há mudança. Tudo pensado para o ritmo não cair. Os objetos não-estáticos se movimentam o tempo todo, ajudando nas ações dos personagens, sendo o maior desafio.

Quando entramos no teatro, as músicas de ambiente são Maluco Beleza, na voz de Raul Seixas, e Tic Tic Nervoso, da banda Magazine, para dar um clima para a peça. A montagem lota todas as sessões. No quesito entretenimento, a diversão é garantida e o final, surpreendente.

Leia  as colunas anteriores de Mônica Quiquinato:

Corações de Poe

Buda

A Bomba e o Beijo

Quem é a colunista: Mônica Quiquinato.

O que faz: Mãe, jornalista e especialista em Comunicação Jornalística. Atualmente estuda teatro no Macunaíma.

Pecado gastronômico: Churrasco.

Melhor lugar do mundo: Minha casa.

O que está ouvindo no carro, iPod, mp3: Titãs, Legião Urbana, Led Zeppelin, Aerosmith, Metallica, Rush, David Bowie, entre outros.

Para falar com ela: [email protected]





Atualizado em 13 Dez 2011.

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