Guia da Semana

Crítica: “A Visita” é assustador e divertido, mas é preciso comprar a ideia

Filme de M. Night Shyamalan estreia no dia 26 de novembro.

“O Sexto Sentido” à parte, a obra de M. Night Shyamalan tem sido muito coerente ao longo dos anos e, quase completamente, incompreendida. Em “A Visita”, novo thriller do diretor que chega aos cinemas neste mês, fica claro que este não é um cinema-padrão, mas sim um cinema aberto ao absurdo. É um universo onde a sofisticação do suspense se encontra com a rusticidade do trash (ou do "terrir", gênero em que o terror é tão exagerado que provoca risos).

É compreensível que o indiano Shyamalan cause estranhamento ao público ocidental, acostumado a extremos de realismo ou fantasia, mas raramente a uma combinação dos dois. As conclusões de seus filmes também não são das mais tradicionais: em “A Visita”, como em “Sinais”, “A Vila” e “Corpo Fechado”, o longa é narrado com um suspense extremamente intenso, mas, a partir do momento em que os segredos são revelados, o que se sucede são soluções improváveis e até um pouco estabanadas, que fazem o espectador se questionar se deveria ou não estar levando aquele filme a sério.

“A Visita” conta a história de dois irmãos – Becca (Olivia DeJonge), de 15 anos, e Tyler (Ed Oxenbould), de 13 – que decidem passar uma semana na casa dos avós, que nunca conheceram e com quem a mãe deixou de falar desde que fugiu para viver com o pai dos meninos. Becca, aspirante a diretora de cinema, aproveita a oportunidade para gravar um documentário sobre a família e, quem sabe, conseguir declarações que reaproximem os parentes.

É claro que as coisas não saem como planejado. Na verdade, a temporada com os avós se revela absolutamente assustadora desde o primeiro dia e, para aumentar a tensão, os irmãos tentam se convencer de que as situações que estão testemunhando (como o sinistro sonambulismo da avó) são apenas “coisas de idosos”, o que os faz esperar até que seja (quase) tarde demais.

Algumas cenas são propositalmente filmadas para incomodar, como um momento em que Becca está no escuro e, ao invés de direcionar sua câmera para o perigo, insiste em olhar para o outro lado. O próprio formato do filme – quase inteiramente mostrado sob a perspectiva da câmera da protagonista – causa desconforto.

Parte do êxito do filme está no fato de Shyamalan ter gravado com baixíssimo orçamento (cerca de US$ 5 milhões), o que combina com o caráter “caseiro” do vídeo de Becca, mas sem a tremedeira e a falta de capricho que outros filmes do gênero tiveram. Além disso, o diretor selecionou um elenco pouco conhecido, do qual se destaca a atriz Deanna Dunagan, que interpreta a vovó mais aterrorizante que o cinema já viu.

“A Visita” é um filme muito tenso, mas também muito divertido para quem comprar a ideia. Não é um terror para todos, afinal, apesar de assustador, também tem um “quê” de absurdo que pode não agradar. Mas vale a pena dar uma chance: você não vai tirar os seus olhos da tela.

Atualizado em 28 Nov 2015.

Por Juliana Varella
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