Guia da Semana

Crítica: com Thiago Pethit e Ana Cañas, “Amores Urbanos” faz um retrato honesto da juventude paulistana

Filme de estreia de Vera Egito chega aos cinemas no dia 19 de maio.

Sexo, álcool e comfort food. Essa é a tríade que move “Amores Urbanos”, longa de estreia de Vera Egito (roteirista que trabalhou com Heitor Dhalia em “À Deriva” e “Serra Pelada”) que chega aos cinemas no dia 19 de maio. No enredo, problemas da vida aos 30, discussões sobre família, carreira e sexualidade e um espírito jovem que só uma cineasta dessa geração poderia traduzir para as telas.

O filme conta as histórias de três amigos vivendo em São Paulo. Diego (Thiago Pethit) não quer saber de monogamia, mas recebe um ultimato do namorado. Ao mesmo tempo, precisa lidar com os pais, com quem rompeu relações aos 16. Júlia (Maria Laura Nogueira) conseguiu um novo emprego, mas não está indo bem. Além disso, descobriu que era a “outra” num relacionamento de dois anos e, com isso, sua vida voltou à estaca zero. Já Micaela (Renata Gaspar) tenta ser paciente com a namorada, que não consegue apresentá-la aos colegas ou à família como mais do que “uma amiga”. É ela quem toma conta de Diego e Júlia quando eles precisam de um ombro sincero ou passam dos limites na noite.

A noite, aliás, é um cenário constante no longa de Egito – daí o ocasional sexo sem compromisso, as quantidades cavalares de álcool e a necessária comfort food para curar a ressaca e o coração partido. Curiosamente, a geração mostrada no longa é uma que se entende muito bem com o próprio corpo e o próprio mundo, mas tem dificuldade para se comunicar com o outro. A comida é saudável, o trabalho é por amor, a relação com a cidade é íntima, mas os diálogos são cifrados e cheios de quinas.

No elenco, os queridinhos da música indie paulistana Thiago Pethit e Ana Cañas ajudam a trazer o público-alvo para as salas de cinema: um público que se identifica com o estilo de vida mostrado em cena, mesmo que não tenha condições efetivas de viver aquelas vidas. Os apartamentos, por exemplo, parecem saídos de fotos do Instagram: moderninhos com tinta-lousa nas paredes, janelas imensas com vista para o Centro e quintais impossivelmente conjugados. Lindos e modestos, simples e estilosos, na medida socialmente mais aceitável entre ter muito dinheiro e parecer não ter nenhum.

“Amores Urbanos” aborda, com humor e sensibilidade, esse paradoxo que define a juventude de hoje: a vontade de resgatar valores do passado com a necessidade de manter o ritmo do presente – e com todas as pressões que vêm com uma idade que já não significa o mesmo que significava nos tempos de seus pais e avós. 

 

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Atualizado em 21 Mai 2016.

Por Juliana Varella
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