Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: Meryl Streep desafina com classe em “Florence – Quem É Essa Mulher?”

Comédia dramática baseada em história real estreia nesta quinta nos cinemas.

Meryl Streep interpreta Florence Foster Jenkins, uma socialite que se aventurou como cantora de ópera, mesmo sendo desafinada (Divulgação)

Estreia nesta quinta-feira um filme leve e delicioso chamado “Florence – Quem é Essa Mulher?”. Curiosamente, o longa de Stephen Frears (“Philomena” e “A Rainha”) tem o mesmo enredo de um filme francês que estreou apenas duas semanas atrás no Brasil, “Marguerite”. Ambos são inspirados na história real de Florence Foster Jenkins – talvez, a pior cantora da História a se apresentar no prestigiado Carnegie Hall.

Não surpreende que, na versão britânica, Florence seja interpretada por Meryl Streep. Aos 67 anos, 19 vezes indicada ao Oscar e três vezes vencedora, Streep não tem medo de explorar seu lado mais ridículo entoando notas desafinadas dentro de figurinos de gosto duvidoso – e o resultado é absolutamente maravilhoso.

O longa apresenta Florence pela primeira vez como um anjo que abençoa um pianista com o dom da música. A irônica cena acontece durante uma peça teatral exibida num clube do qual ela é fundadora e patrocinadora, nos anos 40. Logo percebemos que a personagem é extremamente rica, apaixonada por música e pouco consciente das próprias limitações artísticas.

Em torno de Florence, orbitam dois personagens-chave: seu marido, interpretado por Hugh Grant, e o jovem pianista Cosme McMoon, vivido pelo ator ainda pouco explorado nos cinemas Simon Helberg, mais conhecido pelo papel de Howard Wolowitz na série cômica The Big Bang Theory. Pois é Helberg que surpreende, dando ao músico uma identidade tímida e delicada, mas ao mesmo tempo orgulhosa, expressa em passos flutuantes, olhares inseguros e risadas contidas.

Grant, por sua vez, recolhe-se a escanteio, economizando no sarcasmo que lhe fez a fama como se abrisse propositalmente o campo para que Florence e McMoon brilhassem no palco. E os dois, entregues à música e a uma amizade sincera construída pouco a pouco, ofuscam todo o resto.

A missão do filme, assim como a de sua protagonista, parece ser colocar um sorriso no rosto de cada espectador, combinado com uma careta a cada agudo mal alcançado. Observando a reação do público à ousada cantora, percebemos que às vezes, em meio às exigentes relações entre artista e consumidor, o elemento humano – com todas as suas imperfeições apaixonadas – pode se perder.

Nesta história que explora a desgraça alheia, o equilíbrio entre o drama e a comédia é delicado e Frears alcança o tom certo em quase todos os momentos. A atuação de Streep – surpreendentemente frágil e um pouco patética – garante a dose perfeita de humor, enquanto o contexto, que envolve uma doença e uma complicada relação conjugal, basta para dar ao filme a tensão necessária.

“Florence – Quem é Essa Mulher?” é uma pedida bem vinda para quem procura uma história inspiradora, mas engraçada, e nem é preciso dizer que este é um programa obrigatório para fãs de Meryl Streep. Diva, até desafinada.


Por Juliana Varella

Atualizado em 9 Jul 2016.

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