Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: “O Quarto de Jack” explora o conflito entre a claustrofobia do mundo conhecido e o horror do mundo lá fora

Filme foi indicado a quatro Oscars e estreia no dia 18 de fevereiro.

Jacob Tremblay e Brie Larson são os protagonistas do drama (Divulgação)

Quem diria que, apenas um ano depois de dirigir a comédia super-indie e ultra-experimental “Frank”, Lenny Abrahamson lançaria um drama maduro, indicado a quatro Oscars, incluindo o de Melhor Filme. “O Quarto de Jack”, adaptação do livro “Quarto”, de Emma Donoghue, estreia no Brasil no dia 18 de fevereiro e merece sua consideração.

Jack (Jacob Tremblay) é um menino de cinco anos que vive com a mãe (Brie Larson) num quarto sem janelas, iluminado apenas por uma claraboia. Ele não tem muito com quem conversar, então trata todos os objetos como coisas vivas. “Bom dia, Pia”, ele diz. “Bom dia, Cama”.

A porta é reforçada, como um cofre, e aberta apenas com uma senha que os dois desconhecem. Por ela, de vez em quando passa um homem para trazer mantimentos. “Você não sabe como está o mundo lá fora”, ele comenta. Como saberiam?

A menos que tenha lido alguma coisa sobre o filme antes, o público não sabe por que os dois estão presos, mas as peças começam a se juntar quando Jack espia o homem de dentro do armário. Entendemos que a mãe não quer que o menino veja o que acontece à noite, e entendemos rapidamente o que acontece.

Apesar da situação, Ma (como a mãe é chamada pelo menino) tenta criar uma vida normal para Jack dentro daquele canto limitado: aquele é o Mundo e lá fora é o Espaço. Todas as coisas de Quarto formam o Mundo, e todo o resto não é real. Isso, até ela perceber que precisa que o filho entenda a verdade para ter uma chance de sair dali.

“O Quarto de Jack” é um filme extremamente tocante, que adota o ponto de vista da criança para mostrar suas descobertas – num processo que não termina ao sair de Quarto. O que torna o longa ainda mais interessante é a forma como Abrahamson não deixa o espectador relaxar. O tempo todo, esperamos por uma nova tragédia e, como Jack, não conseguimos confiar em nenhum dos novos personagens, que chegam envoltos num suspense proposital.

Aos poucos, as coisas vão ganhando sentido e se encaixando em seus novos lugares. O que começara como um filme sobre a conquista da liberdade se revela um estudo sobre as relações que a criança cria com seu entorno, independente de quão pequeno ou amplo ele seja. Então, quando Jack está pronto para encarar a realidade, o público também está e Quarto pode, finalmente, deixar de ser o Mundo.

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Por Juliana Varella

Atualizado em 19 Fev 2016.

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