Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

Crítica: Recuperação de adolescente é o desafio do drama “De Cabeça Erguida”

Filme abriu o festival de Cannes em 2015 e chega ao Brasil em setembro.

Rod Paradot interpreta Malony, um jovem delinquente que vive entre a cadeia e as casas de recuperação (Divulgação)

Há algo de desesperador em ver uma história se desenrolar na tela sem os pequenos milagres que Hollywood nos ensinou a esperar. Em “De Cabeça Erguida”, drama de Emmanuelle Bercot que abriu o festival de Cannes em 2015 e chega ao Brasil em setembro, isso é o que vemos o tempo todo: personagens reagindo da forma errada, regredindo, sendo irrecuperáveis... E extremamente humanos.

Catherine Deneuve, que já trabalhara com Bercot em “Ela Vai”, vive uma juíza da vara da infância na França. Certo dia, ela recebe a visita de uma mãe muito jovem, advertida por não levar o filho mais velho (Malony), então com sete anos, à escola.

É nesse encontro turbulento que começamos a formar a desastrosa personalidade do protagonista: uma criança negligenciada, ofendida e indesejada pela mãe, mas que ao mesmo tempo tem com ela uma forte relação de interdependência. Esse jovem crescerá para se tornar um delinquente e se reencontrará com a juíza rotineiramente pelos próximos dez anos.

“De Cabeça Erguida” lembra em muitos momentos o drama “Mommy”, de Xavier Dolan, mas sua abordagem é muito menos intimista. Aqui, o foco é o sistema social francês e o esforço dos seus agentes para manter os menores fora das prisões. Fica claro que Malony (Rod Paradot) é apenas um entre muitos casos semelhantes.

O que também fica claro, um pouco para prejuízo do longa, é o quanto Bercot exalta o sistema, mostrando funcionários que realmente acreditam na recuperação de cada um dos jovens e lhes dão todas as chances cabíveis. Os centros de recuperação também são retratados como comunidades idilicamente organizadas, com profissionais muito calmos e amigáveis em oposição aos detentos agressivos.

Mesmo que a realidade não seja assim tão perfeita, a verdade é que o filme ajuda a discutir o problema com a seriedade que ele exige, buscando compreender a psicologia adolescente e as relações entre família, educação e sociedade. Até onde o papel de um tutor (ou tutores) pode substituir a ausência dos pais, e até onde cabe ao indivíduo buscar as próprias mudanças?

“De Cabeça Erguida” estreia nos cinemas no dia 17 de setembro.


Por Juliana Varella

Atualizado em 15 Set 2015.

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