Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

“Demônio de Neon”: filme que causou repulsa em Cannes chega ao Brasil (e você precisa assistir!)

Novo filme do diretor de “Drive” estreia no dia 29 de setembro nos cinemas.

Longa de Nicolas Winding Refn explora o mundo da moda com um filtro crítico (Foto: Divulgação)

Nicolas Winding Refn não é um diretor de filmes médios. Você pode amar ou odiar seus trabalhos, mas dificilmente dirá que eles foram “comuns”, “genéricos” ou “iguais a todos os outros”. Seu novo filme, “Demônio de Neon”, certamente não é – ele até foi vaiado em Cannes, está dividindo opiniões e é por isso que você precisa assisti-lo.

Primeiro, porém, é preciso que você sabia que este não será um filme fácil: ele contém cenas chocantes e sugestões de eventos muito piores, mas, no final das contas, cada elemento está em cena por uma razão e o conjunto faz a experiência indigesta valer a pena.

Confira 6 motivos pelos quais “Demônio de Neon” é um dos filmes mais intensos que você verá neste ano e prepare-se para a estreia, no dia 29 de setembro:

1. A sequência de abertura é uma sessão de fotos macabra.

Logo na primeira cena, Jesse (Elle Fanning) aparece jogada sobre um sofá, coberta de sangue e com a garganta aparentemente cortada. Logo descobrimos que ela quer ser modelo e que aceitou posar para um fotógrafo amador para compor seu primeiro “book”.

 

2. Na entrevista de emprego, os valores da indústria da moda são colocados na mesa

Quando Jesse leva as fotos a uma agência de modelo em Los Angeles, ela tem seu primeiro contato com os valores distorcidos desse mercado: modelos são tratadas como objetos com prazo de validade muito curto; é desejável que sejam menores de idade, mesmo que isso seja ilegal; e ter um olhar inocente e assustado é ideal – mesmo que isso, obviamente, se apague com a experiência. Além disso, é pincelada a ideia de que o olhar narrativo do fotógrafo vai contra os ideais de superficialidade e vazio que a agência cultiva.

 

3. A inveja e o perigo estão por todos os lados

Sozinha numa cidade hostil, Jesse começa a fazer amizades – mas nunca sentimos que ela, realmente, está bem acompanhada. Ruby (Jena Malone), uma maquiadora, parece desejá-la da mesma forma que a agência, como uma criatura ingênua a quem ela pode manipular; já Gigi (Bella Heathcote) e Sarah (Abbey Lee), ambas modelos, não escondem a inveja e reservam à novata seus comentários mais maldosos. Por fim, o dono do hotel onde Jesse se hospeda e a quem precisa pedir ajuda num momento de perigo também não inspira nem um pouco de confiança.

 

4. Jesse gosta disso

O que realmente incomoda no filme não são as situações ameaçadoras que cercam a protagonista, mas sim o fato de que ela tem consciência e gosta delas. Ser alvo de inveja e desejo parece ser justamente o que a motiva e, mesmo que sua atitude no início seja a de uma garotinha inocente do interior, ela tem grandes ambições.

 

5. Cores e enquadramentos de tirar o fôlego

Um filme que fala de moda não poderia deixar de investir no fator estético. De fato, “Demônio de Neon” é uma obra absurdamente bela e de uma dramaticidade visual impressionante, mas há certa ironia nisso: numa cena, um personagem afirma que a beleza não é “a coisa mais importante”, mas sim “a única coisa”. Será que o diretor está querendo dizer que seu filme tem a beleza como objetivo, ou que ela é instrumento para discutir o próprio conceito de beleza? Intrigante...

 

6. Metáforas grotescas

“Demônio de Neon” não mostra suas verdadeiras garras até, digamos, a última meia hora de filme. É quando as mensagens de superficialidade, vazio, competição e predação são finalmente traduzidas em sequências chocantes, que dividirão o público entre os nauseados e os hipnotizados. Seja qual for o seu time, o fato é que esse filme ficará muito tempo com você.


Por Juliana Varella

Atualizado em 21 Set 2016.

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