Guia da Semana
Cinema
Por Juliana Varella

"Eden" registra os bastidores da vida noturna na França dos anos 90

Dupla de DJs franceses vivem o auge e a queda da música eletrônica em filme de Mia Hansen-Løve.

Félix de Givry vive Paul Vallée, um DJ francês que luta para alcançar o sucesso (Divulgação)

No início dos anos 90, diversos jovens franceses tiveram seu primeiro contato com a música eletrônica e alguns deles encontraram nas raves a inspiração para se tornarem DJs profissionais. A saga de uma dessas duplas é narrada no longa “Eden”, de Mia Hansen-Løve, que estreia no dia 19 de março no Brasil.

Apesar do cenário propício, engana-se quem pensa que verá algo parecido com um documentário sobre o Daft Punk - dupla francesa que popularizou o gênero ao incorporar referências pop e atitudes como jamais revelar seus rostos, vestindo capacetes e apresentando-se como robôs. Os músicos até aparecem como coadjuvantes e são citados nas conversas de corredor, mas não têm influência nenhuma na história.

Vincent Lacoste e Arnaud Azulay interpretam a dupla Daft Punk no filme "Eden"

Tampouco espere assistir àquela tradicional trajetória de ascensão e queda do artista, impulsionada por sexo, drogas e altos decibéis. O sexo está lá, as drogas também, mas a perspectiva da diretora é tão distante e condescendente que o público não sente nenhuma tensão se formando, nem desenvolve qualquer nível de empatia com o protagonista Paul (Félix de Givry) – um personagem que representa o irmão de Mia, Sven Hansen-Løve, co-autor do roteiro.

Paul e Stan (Hugo Conzelmann) tocam um estilo chamado “garage”, que parece nascer e morrer antes que o filme chegue ao fim. A história desses músicos (que, paradoxalmente, não se consideram músicos) não é a de sucesso seguido de fracasso, nem o inverso, mas sim a da mediocridade de quem, à sombra dos excêntricos colegas mascarados, não conseguiu imprimir seu nome na memória do público.

O que poderia salvar o filme são as três namoradas de Paul (Greta Gerwig, de “Frances Ha!”, Pauline Etienne, de “A Religiosa” e Golshifteh Farahani, de “A Pedra de Paciência”), todas mulheres intrigantes e de personalidade forte. A diretora, porém, nunca permite que elas roubem a cena e insiste em mirar suas lentes no elemento menos promissor de sua história: seu protagonista. O resultado é uma história sem interesse humano, que acaba se apoiando exclusivamente no registro, sem dramas ou julgamentos, de um movimento musical bastante específico. Ou seja, para poucos.


Por Juliana Varella

Atualizado em 12 Mar 2015.

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