Guia da Semana
Cinema
Por Ricardo Archilha

Em "Corações de Ferro", Hollywood continua a exaltar o heroísmo americano

Em seu novo filme, David Ayer explora conflitos humanos e bélicos durante a 2ª Guerra Mundial.

Brad Pitt vive um sargento endurecido pela guerra (Divulgação )

A cada ano, os cinemas são ocupadas por filmes de uma guerra aparentemente inacabada, tamanhas são as histórias extraídas de um conflito que, desde a invasão da Polônia até a massacre nuclear em Hiroshima e Nagazaki, estremeceu os alicerces da era pós industrial. Em 2015, ano em que é comemorado os 70 anos da libertação de Auschwitz, "Corações de Ferro" vem para lembrar uma das maiores rivalidades da 2ª Guerra: Alemanha e Estados Unidos. Do roteiro à edição, o filme de David Ayer ("Marcados para Morrer" e "Tempos de Violência") mostra o gigantesco poder hollywoodiano em nos deslumbrar, apesar do típico clichê melodramático.

Em abril de 1945, enquanto os Aliados fazem sua incursão final na guerra pela Europa, o sargento Wardaddy, Brad Pitt, comanda uma missão fatal atrás das linhas inimigas. Completam o exército (leia-se elenco) Shia LaBeouf e Logan Lerman (o Charlie de "As Vantagens de Ser Invisível") que, acredite, consegue roubar a cena diante do elenco veterano.

Centrado basicamente nesse contexto, a trama do filme não demora a ser apresentada. Trata-se não só de uma guerra entre homens, como também entre máquinas: os heroicos americanos e seus ultrapassados tanques Sherman contra os impiedosos alemães e seus resistentes Panzers.

O conflito humano é narrado pelos olhos de um sensível novato (Logan Lerman) e um rigoroso soldado endurecido pela guerra (Brad Pitt). O primeiro, indignado com tamanha barbárie; o segundo, supostamente desumanizado em relação à condição humana.

A dualidade não se mostra apenas no conteúdo, mas também na estrutura do filme Visualmente deslumbrante, "Corações de Ferro" impressiona com atuações para nenhum "Apocalypse Now" botar defeito. Por outro lado, o roteiro peca pelo chavão do heroísmo e da glória norte-americana e esquece que, em uma guerra, todos são vilões.


Por Ricardo Archilha

Atualizado em 4 Fev 2015.

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